Viseu voltou a receber o Fórum Vê Portugal, que na sua 12.ª edição continua a ser “um dos principais espaços de debate sobre o setor turístico nacional”. A abertura oficial do evento, nesta terça-feira, 2 de junho, foi feita por Rui Ventura, presidente do Turismo Centro de Portugal, que defendeu um modelo de desenvolvimento turístico assente na autenticidade, na mobilidade e na valorização dos territórios de baixa densidade.

“Aquilo que começou por ser uma iniciativa do Turismo Centro de Portugal transformou-se, de forma natural e sustentada, num dos maiores espaços nacionais de reflexão sobre o turismo em Portugal. O Vê Portugal nasceu no Centro de Portugal, mas hoje pertence ao país inteiro”, começou por afirmar.
Considerando que o turismo deve ser encarado como muito mais do que uma atividade económica, disse também que as discussões sobre o setor estão diretamente ligadas ao modelo de país que se pretende construir: “há momentos em que percebemos que não estamos apenas a discutir turismo. Estamos a discutir o modelo de país que queremos construir, a coesão territorial, a qualidade de vida, a mobilidade e as oportunidades”.
E sobre o Centro do país, em concreto, Rui Ventura referiu que a crescente procura por experiências autênticas coloca a região numa posição privilegiada perante os desafios do turismo contemporâneo, como os problemas de saturação, excesso de pressão urbana e perda de identidade.
“O Centro de Portugal não é um território de calamidades. É um território de oportunidades”
O responsável destacou igualmente os resultados alcançados pelo turismo português em 2025, considerando que o país continua a afirmar-se entre os destinos mais competitivos do mundo. No entanto, alertou para a necessidade de valorizar cada vez mais o turismo interno – este que é “estabilidade, resiliência, equilíbrio territorial e sustentabilidade económica e social” – e não assentar apenas aos prioridades no número de visitantes, mas sim na criação de valor.
Um outro tema do seu discurso foi a mobilidade, apontada como um dos principais desafios para a competitividade da região. Apesar da sua localização entre os aeroportos de Lisboa e Porto, o Centro continua a enfrentar dificuldades ao nível das ligações internas e ferroviárias: “hoje a mobilidade deixou de ser apenas uma questão de transportes. É uma questão de competitividade territorial, de coesão nacional e de desenvolvimento económico”, afirmou Rui Ventura.
O Presidente do Turismo Centro de Portugal defendeu igualmente uma maior atenção das políticas públicas às especificidades da região, pois “tratar de forma igual aquilo que estruturalmente é diferente não é igualdade. É injustiça territorial. O Centro de Portugal precisa de mais visibilidade, mais capacidade de promoção e instrumentos adaptados à sua realidade”, frisou.
Em jeito de conclusão, declarou que “no fim do dia, as tendências podem mudar, mas os territórios com alma permanecem para sempre na memória de quem os visita. É exatamente isso que queremos construir no Centro de Portugal”.
O Fórum Vê Portugal, organizado pelo Turismo Centro de Portugal, realiza-se em Viseu de 1 a 3 de junho, no Multiusos do município, juntando cerca de 700 participantes.




















































