Hotel 4.0: um futuro cada vez mais próximo

by Inês Gromicho | 12 Dezembro 2018 10:51

Por Miguel Bello, manager @ PwC, Tourism Expert

O passado dia 15 de outubro de 2018 veio acompanhado dos dados mais recentes relativamente ao turismo nacional. Neste dia souberam-se as estatísticas mais relevantes do mês de agosto que rapidamente fizeram manchetes.

Para os estabelecimentos hoteleiros, desde as quedas de 2% no número de hóspedes estrangeiros e de 4,9% em termos de dormidas de estrangeiros face ao mesmo mês de 2017, e a queda acumulada até agosto de 2018 de 2,2% este foi um dia de confirmação dos desafios que se avizinham, pese embora o crescimento dos proveitos de aposento e aumento do RevPar.

Na realidade os dados do INE mostram que há cinco meses consecutivos que o alojamento turístico, incluindo hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos e “outros alojamentos”, regista quebras de dormidas de turistas não residentes em Portugal. Adicionalmente, em termos acumulados, a taxa de ocupação por quarto apresenta uma queda de 2,1%.

No entanto, o crescimento de passageiros desembarcados internacionais cresceu, em valores acumulados até agosto 2018, 7,8%. A grande questão é: com o número de passageiros estrangeiros a aumentar nossos aeroportos e o número de estrangeiros alojados nos nossos hotéis a diminuir, onde dormem estas pessoas que nos visitam? A resposta é simples: no alojamento local. O que nos leva à questão seguinte: e porquê?

Uma tese de doutoramento da Universidade de Waterloo de 2016 abordou o tema das motivações dos turistas na escolha de um alojamento através do Airbnb ao invés de um hotel. Resumidamente, concluiu-se que, ao contrário do que se acreditava, a grande maioria dos utilizadores recorre ao alojamento local como alternativa aos hotéis, competindo hotéis e alojamento local em segmentos semelhantes. Concluiu-se ainda que o preço baixo era apenas motivação para um dos segmentos, sendo que outros valorizavam características semelhantes à da oferta hoteleira como o desejo de um espaço inovador e diferente, alojamentos “segundas casas”, espaçosos e autossuficientes (com cozinha), alojamentos que permitissem ter uma experiência igual à dos locais e alojamentos sustentáveis.

Lutando pelo mesmo espaço os hotéis precisam de se adaptar. A inovação deverá permitir atuar nos dois principais vetores: na experiência do cliente e na eficiência operacional. Tecnologia como a realidade virtual permitirá criar novas experiências ao passo que a utilização de sensores nos quartos poderá potenciar uma gestão eficiente das unidades. Os dados de CRM deverão permitir que a experiência proporcionada ao cliente corresponda exatamente ao pretendido, adicionando a qualquer quarto as funcionalidades mais desejadas por cada cliente.

O Hotel 4.0 pode ainda não ser uma realidade, mas alguns dos seus componentes são cada vez mais uma necessidade. O imperativo de proporcionar ao cliente um valor acrescentado superior ao do alojamento local aliado à necessidade de uma gestão mais eficiente e de um controlo de custos mais eficaz coloca a tecnologia no centro desta evolução.

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