Rui Ventura, diretor-geral do Hotel Londres, recorda os principais marcos da unidade do Estoril, sublinha a ligação à comunidade local e aponta a experiência, as pessoas e a inovação como prioridades para o futuro.

O Hotel Londres assinala este ano 67 anos de existência, desde a sua abertura a 30 de maio de 1959, numa época em que o Estoril já se afirmava como destino turístico de referência. Em entrevista à Ambitur, Rui Ventura, diretor-geral da unidade, recorda que, desde cedo, o hotel se destacou pela sua vida social e pela ligação ao entretenimento.
“Este hotel sempre foi conhecido pelas suas festas desde nos anos 60, onde nomes sonantes deram os seus primeiros passos em festas no hotel Londres, como José Cid, Paulo de Carvalho, Mike Sergeant e Tó Zé Brito”, afirma o responsável.
Atualmente, essa vertente continua a ser trabalhada através de uma aposta crescente em eventos e experiências temáticas, como a noite de fado ou a noite tailandesa com dança Muay Thai. Segundo Rui Ventura, estas iniciativas têm contribuído para tornar a unidade “cada vez mais num ponto de encontro para residentes e visitantes, um local onde as pessoas vivem momentos felizes”, em linha com o slogan do hotel: “Hosting Happy Moments”.
Ao longo das últimas décadas, o Hotel Londres atravessou diferentes fases. Os anos 60 são recordados como “anos áureos”, numa altura em que a unidade, criada pela família Aguiar, contava com 30 quartos e tinha no mercado britânico um dos seus principais públicos, origem da designação Hotel Londres.
A década de 70 trouxe novos desafios, marcados pela crise petrolífera e pela Revolução Portuguesa, período em que o hotel procurou adaptar-se, nomeadamente através de alternativas ligadas ao turismo político. Já nos anos 80, Rui Ventura destaca a recuperação económica e a forte relação com o Estoril Praia, ligação que se mantém até hoje.
Nos anos 90, sob uma nova administração, o hotel aumentou a sua capacidade até aos atuais 118 quartos. A década ficaria ainda marcada, segundo o responsável, pela projeção internacional de Portugal com a Expo 98. Nos anos 2000, a unidade entrou numa fase de modernização, com uma remodelação profunda e um novo rebranding, cujo logótipo permanece atualmente.
Desde 2023, com a entrada do Grupo BF, liderado por Jorge Fonseca e António Silva, Rui Ventura sublinha uma gestão “mais ligada à experiência e aos pormenores”, com reforço das festas, abertura à comunidade e aposta também no segmento corporate.
Questionado sobre a adaptação às novas exigências do setor, o diretor-geral afirma que “o Hotel Londres sempre foi muito forte no lazer” e que a diversificação de mercados tem sido essencial para garantir uma base sólida de negócio. A inovação tecnológica tem acompanhado esse percurso, sem retirar importância ao contacto humano.
“O Hotel Londres utiliza sempre formas inovadoras para se destacar, com apoio muito claro nas novas tecnologias, mas onde ainda assim, o fator humano é um fator crítico de sucesso”, refere.
Entre os exemplos, Rui Ventura aponta o facto de a unidade ter sido uma das primeiras da região a adotar práticas de yield management, a recente introdução da bitcoin como meio de pagamento e a utilização de sistemas orientados para melhorar a experiência do hóspede. A piscina de água salgada e temperada é também destacada como um dos atributos valorizados por clientes e comunidade.
A relação com o território é outro dos eixos centrais da identidade do hotel. “Como um dos hotéis mais antigos e tradicionais do Estoril sempre mantivemos uma forte ligação à comunidade local”, afirma o responsável, lembrando a participação em estruturas associativas do setor e a ligação histórica ao Estoril Praia.
Mais recentemente, o Hotel Londres tem promovido as Estoril Talks, iniciativa que reúne personalidades para debater temas da atualidade. “O objetivo tem sido tornar o Hotel Londres um ponto de encontro da comunidade, e não apenas de quem nos visita, e penso que temos conseguido cada vez mais atingi-lo”, acrescenta.
Ao longo da sua história, a unidade recebeu hóspedes de destaque, incluindo membros da realeza espanhola e a princesa da Roménia. Mas Rui Ventura valoriza igualmente as histórias de clientes que regressam décadas depois. “Ainda hoje por vezes aparecem pessoas que se conheceram cá no hotel ou vieram passara sua lua de mel há muitos anos e vem reviver esses felizes momentos”, conta.
Sobre a identidade atual da unidade, o diretor-geral descreve o Hotel Londres como “um hotel muito mais acolhedor focado na experiência”, que procura apresentar novidades e “liderar pelo bom exemplo”. Num mercado cada vez mais competitivo, considera que a atitude da equipa é determinante.
“Fazemos muito benchmarking mesmo em hotéis de 5 estrelas, que acreditamos cada vez mais que o que importa não são as estrelas mas a nossa atitude”, afirma. E acrescenta: “O hóspede quando entra no hotel, sente uma excelente atmosfera positiva e boas vibes, é o que nos dizem.”
Para o futuro, Rui Ventura aponta como prioridades o investimento nas pessoas, no produto e na capacidade de acompanhar as necessidades do mercado. “Temos aquilo que não se compra ou fabrica, a tradição e décadas de experiência na arte de bem receber, mas ao mesmo tempo temos conseguido atualizar-nos e continuar na primeira linha da inovação e das novas tendências do turismo”, conclui.
Por Inês Gromicho




















































