Hoti Hotéis preparada para assumir propriedades hoteleiras com gestão profissional

Hoti Hotéis preparada para assumir propriedades hoteleiras com gestão profissional

São vários os projetos que a Hoti Hotéis tem em pipeline para desenvolvimento ao longo do país, até 2028. Mas Miguel Proença, CEO do grupo, chama a atenção para que “aquilo que é expectável é que, saídos da pandemia, existam circunstâncias problemáticas, a carecer de gestão profissional”, e acrescenta que “a Hoti Hotéis efetivamente está preparada para isso”, ou seja, para apresentar os seus serviços a “proprietários que querem entregar a sua gestão ao cuidado de profissionais”.

A Hoti Hotéis tem em perspetiva um conjunto de investimentos em vários hotéis. Em Lisboa, espera ter, no mês de novembro, o Meliá Oriente concluído, hotel que sofreu uma transição de Tryp para Meliá, com uma melhoria ao nível de serviços. Segue-se o início do rebrand do Tryp Aeroporto para Meliá. “Com estas melhorias teremos, até final do ano, duas ofertas qualificadas para o mercado de Lisboa, num investimento de 3,8 milhões para o Oriente e 1,5 milhões no do Aeroporto”, indica Miguel Proença.

Em pipeline, a Hoti Hotéis tem até 2028, em perspetiva, seis novos hotéis, alguns com projetos de residence, em Braga, cuja marca está ainda por definir, Famalicão, Viana do Castelo, São João da Madeira (Revive), Porto (Boavista) com marca Meliá, e Aveiro, marca Star Inn.

Miguel Proença indicou, durante a recente apresentação do Moxy Lisboa Oriente a jornalistas, que “existe uma opção deliberada por não termos projetos acima dos 120 quartos, porque daí para cima, em destinos secundários, as operações correm riscos consideráveis de não conseguir encher o hotel de uma forma necessária, ou por outro lado, de ter que ter uma equipa desproporcional ao longo do ano”.

Relativamente ao andamento destes novos hotéis, adianta o responsável que “será ditado por aquilo que será a reabertura gradual do mercado de financiamento e pela normalização da atividade turística. Esta entra na pandemia como a atividade económica mais sexy, mas sai dela como uma atividade de risco”.O CEO da Hoti Hotéis esclarece que face ao que era a própria segurança financeira de como entrou na pandemia, sai em condições bastantes promissoras para conseguir agarrar o desenvolvimento de tudo o que temos em mãos, assim como das renovações que fizemos em Peniche e Castelo Branco, que representam uma subida do preço médio entre 30 a 50%”. Miguel Proença considera que estes processos tiveram por trás qualificações significativas de produto, que permitem chegar a clientes completamente diferentes. “Para isso pensamos sempre numa base de investimento/quarto face aquilo que é a perspetiva de retorno”, acrescenta.

Para o hoteleiro, dentro deste contexto, “dos investimentos que temos planeados, nenhum ainda assistiu ao lançamento da primeira pedra, mas a meta da conclusão de todos os projetos será para 2028. Ao longo destes anos irão sendo provavelmente aportados novos projetos e unidades a esta linha de desenvolvimento. Todos estes projetos já estavam equacionados antes da pandemia. O desenvolvimento destes projetos está baseado em parcerias. São processos de desenvolvimento longo, com a vantagem de quando as decisões são tomadas, dificilmente há um recuo”.

Concentração do parque hoteleiro nacional

Durante a conversa com a imprensa, Miguel Proença abordou ainda o facto de a Hoti Hotéis estar preparada para novos desafios. “A questão agora é como estamos a preparar a cadeia para o fenómeno de concentração do setor? Aquilo que é expectável é que, saídos da pandemia, existam circunstâncias problemáticas, a carecer de gestão profissional. Aqui, a Hoti Hotéis efetivamente está preparada para isso”. O responsável recorda que, “na prática, o grupo Hoti Hotéis teve como génese a gestão de hotéis, e como proprietários o primeiro hotel foi o Tryp Oriente, que está a ser convertido em Meliá, em 1998”. Continua assim dizendo que “temos no nosso portfólio situações diferenciadas, de valências de gestão sem propriedade, onde trabalhamos com um universo abrangente de marcas que contratamos e outras que são nossas, o que nos permite a possibilidade de conseguir conceitos interessantes a proprietários que querem entregar a sua gestão ao cuidado de profissionais”.

Durante a apresentação da mais recente unidade sob gestão da Hoti Hotéis no Parque das Nações, o Moxy Lisboa Oirente, o hoteleiro considera que esta é uma vantagem para o grupo “pois temos aqui (Parque das Nações) dois produtos diferentes nos quais queremos ratings de qualidade interessantes, atingindo diferentes segmentos de mercado”.

Por outro lado, indica que “a nossa parceria com o grupo Krest dependerá do resultado do trabalho que estamos a desenvolver no Moxy. Correndo bem temos condições para que aconteça algo mais, é um tema que tem estado em cima da mesa”.

Por outro lado, face à gestão de uma marca da Marriott International, a Moxy, Miguel Proença considera que “no trabalho do desenvolvimento conjunto com a Marriott, a Hoti está a fazer um processo de desenvolvimento estratégico sobre a forma como endereça o tema das marcas contratadas e das marcas próprias”. Sendo assim, considera que “o trabalho que desenvolvemos com a Meliá corre muito bem e funciona de uma forma muito positiva em vários segmentos de mercado. O tema da Marriott foi trazido por causa deste projeto, até agora tem estado a funcionar muito bem”. No entanto, refere que “a Hoti Hotéis trabalha a longo prazo e não tende a fazer apostas que sejam «one off». É expectável que existam mais desenvolvimentos, mas é muito mais fácil garantir novos produtos em cima da marca Meliá, onde temos um trabalho muito mais amadurecido, em vários segmentos. Este tipo de linguagem como a do Moxy, funciona em cidades de grande dimensão, onde existe mercado para muitos segmentos. Uma extensão natural pode ser o Porto”.

Pedro Chenrim