A International Air Transport Association (IATA( revelou que a procura global de passageiros aéreos registou um crescimento de 2,1% em março de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, evidenciando, no entanto, fortes assimetrias regionais, com o Médio Oriente a penalizar o desempenho global.
De acordo com os dados divulgados, medidos em passageiros-quilómetro pagos (RPK), a capacidade total, expressa em lugares-quilómetro disponíveis (ASK), recuou 1,7% em termos homólogos. Já a taxa de ocupação situou-se nos 83,6%, o que representa um aumento de 3,1 pontos percentuais face a março de 2025.
No segmento internacional, a procura caiu 0,6%, registando a primeira quebra desde março de 2021. A capacidade diminuiu 6,2% e a taxa de ocupação subiu para 84,1% (+4,7 p.p.). Esta evolução foi fortemente influenciada pela queda acentuada de 60,8% no tráfego das transportadoras do Médio Oriente.
Por contraste, a procura doméstica apresentou um crescimento robusto de 6,5%, com a capacidade a aumentar 5,6% e a taxa de ocupação a fixar-se nos 83,0% (+0,7 p.p.).
Para Willie Walsh, diretor geral da IATA, “a procura por viagens aéreas continuou a crescer em março, apesar das perturbações no Médio Oriente”. O responsável sublinha que a forte contração do tráfego internacional na região limitou o crescimento global, que, excluindo o Médio Oriente, teria atingido cerca de 8%. O responsável alertou ainda para a pressão crescente dos custos do combustível de aviação, tanto ao nível da oferta como dos preços, que poderão vir a refletir-se nas tarifas aéreas e, eventualmente, influenciar o comportamento dos passageiros. Apesar disso, a procura para o verão mantém-se sólida, embora a resiliência das companhias aéreas esteja a ser testada.
Europa cresce e beneficia de desvios de tráfego
Na análise regional dos mercados internacionais, a IATA destaca o desempenho positivo da maioria das regiões, com exceção do Médio Oriente.
As companhias aéreas europeias registaram um aumento de 7,7% na procura, com a capacidade a crescer 3,2% e a taxa de ocupação a atingir 81,4% (+3,4 p.p.). O tráfego entre a Europa e a Ásia disparou 29,3%, beneficiando da substituição de rotas que anteriormente transitavam pelo Médio Oriente.
Já as transportadoras da Ásia-Pacífico lideraram o crescimento, com um aumento de 11,5% na procura, impulsionado pelo período final das viagens associadas ao Ano Novo Lunar e pela expansão das rotas internacionais, excluindo o Médio Oriente.
Na América do Norte, a procura subiu 3,7%, com destaque para o crescimento das ligações transatlânticas (+3,3%) e para a aceleração das rotas entre a Ásia e a América do Norte.
As companhias da América Latina registaram um aumento de 12,1% na procura, enquanto as africanas lideraram em termos relativos, com um crescimento de 19,2%.
Em contraciclo, o Médio Oriente sofreu uma quebra significativa, com a procura a cair 60,8% e a capacidade a recuar 56,9%, refletindo o impacto do encerramento de grande parte do espaço aéreo devido ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão.
Mercados domésticos mantêm trajetória positiva
Nos mercados domésticos, o crescimento foi liderado pela China e pelo Brasil, ambos com expansões de dois dígitos. Austrália e Japão também apresentaram desempenhos sólidos. Em sentido inverso, a Índia registou uma quebra, possivelmente associada à redução de voos de alimentação para hubs do Médio Oriente.
Globalmente, os dados de março confirmam a resiliência da procura aérea, ainda que marcada por um contexto geopolítico e operacional desafiante, que continua a influenciar o equilíbrio do setor.





















































