INE: Atividade turística continuou em crescimento, mas com alguns sinais de desaceleração

INE: Atividade turística continuou em crescimento, mas com alguns sinais de desaceleração

O setor do alojamento turístico registou 2,9 milhões de hóspedes e 7,6 milhões de dormidas em setembro de 2019, correspondendo a variações de +5,2% e +3,3%, respetivamente (+6,7% e +2,9% em agosto, pela mesma ordem), revelam os dados divulgados hoje pelo INE.

As dormidas de residentes cresceram 4,4% (+3,6% em agosto) e as de não residentes aumentaram 2,9% (+2,5% no mês anterior).

Em setembro de 2019, a estada média (2,64 noites) reduziu-se 1,8% (+0,7% nos residentes e -3,0% nos não residentes).

A taxa líquida de ocupação (57,1%) recuou 1,9 p.p. (-2,2 p.p. em agosto).

Os proveitos totais desaceleraram para +6,7% (+7,3% em agosto), atingindo 498,7 milhões de euros. Os proveitos de aposento (378,5 milhões de euros) cresceram 6,4% (+7,1% no mês anterior). O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 66,0 euros, o que se traduziu num aumento de 1,2% (+1,7% no mês anterior), e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 97,5 euros, mantendo o crescimento registado no mês anterior (+3,0%).

Dormidas apresentaram ligeira aceleração
Em setembro de 2019, o setor do alojamento turístico registou 2,9 milhões de hóspedes, que proporcionaram 7,6 milhões de dormidas, refletindo-se em variações de +5,2% e +3,3%, respetivamente (+6,7% e +2,9% em agosto, pela mesma ordem). As dormidas na hotelaria (82,6% do total) registaram um aumento de 1,7%. As dormidas nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 14,4% no total) cresceram 13,0% e as de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 3,0%) aumentaram 5,8%.

Mercados interno e externos em aceleração
Em setembro, o mercado interno contribuiu com 2,2 milhões de dormidas, o que representou um aumento de 4,4% (3,6% em agosto). As dormidas dos mercados externos (peso de 70,9% em setembro) cresceram 2,9% (+2,5% em agosto) e atingiram 5,4 milhões.

Nos primeiros nove meses do ano, as dormidas aumentaram 3,9%, com contributos positivos quer dos residentes (+6,4%), quer dos não residentes (+2,9%).

No terceiro trimestre do ano registou-se um crescimento de 2,9% no número de dormidas (+3,6% nos residentes e +2,6% nos não residentes). Esta evolução compara com um crescimento de 2,0% no primeiro trimestre (+3,8% nos residentes e +1,2% nos não residentes) e de 6,4% no segundo trimestre (+12,5% nos residentes e +4,2% nos não residentes), resultados que foram influenciados pelo efeito do período de Páscoa, que este ano ocorreu no segundo trimestre e no ano anterior teve influência repartida entre dois trimestres.

Mercados chinês e norte-americano com crescimentos expressivos
Os 16 principais mercados emissores representaram 87,4% das dormidas de não residentes nos estabelecimentos de alojamento turístico em setembro.

O mercado britânico (20,9% do total das dormidas de não residentes em setembro) registou um aumento marginal de 0,1% em setembro. Desde o início do ano, este mercado cresceu 0,8%.
As dormidas de hóspedes alemães (13,0% do total) recuaram 8,1% em setembro. No conjunto dos nove primeiros meses do ano, este mercado recuou 6,8%.

O mercado espanhol (9,3% do total) registou um crescimento de 9,5% em setembro. Desde o início do ano, este mercado aumentou 8,2%.

As dormidas de hóspedes franceses (8,9% do total) diminuíram 1,9% em setembro e 1,2% quando considerados os nove primeiros meses do ano.

O mercado norte-americano foi o quinto principal mercado em setembro (peso de 6,0% do total de dormidas de não residentes), tendo registado um aumento expressivo de 21,1% neste mês. Desde o início no ano, este mercado cresceu 19,4%.

Em setembro, destacaram-se também os mercados chinês (+23,8%), brasileiro (+14,2%), irlandês (+13,3%) e canadiano (+11,2%). Desde o início do ano, são de realçar os crescimentos observados nos mercados chinês e brasileiro (+16,2% e +13,8%, respetivamente).

Evolução das dormidas: Norte apresentou o maior crescimento
Em setembro, registaram-se aumentos das dormidas em todas as regiões com exceção da RA Madeira (-4,1%). O Norte e a AM Lisboa destacaram-se com crescimentos de 8,0% e 5,1%, respetivamente. O Algarve concentrou 33,8% das dormidas, seguindo-se a AM Lisboa (23,9%) e o Norte (14,9%). Desde o início do ano, são de realçar os acréscimos no Norte (+9,6%), Alentejo (+7,9%) e RA Açores (+6,5%).

As dormidas de residentes apresentaram, em setembro, aumentos em todas as regiões exceto na AM Lisboa (-0,3%), destacando-se a RA Açores (+13,1%), RA Madeira (+8,7%) e Algarve (+7,0%). No conjunto dos nove primeiros meses do ano, salientaram-se o Alentejo (+11,8%) e a RA Açores (+11,0%).

Em setembro, em termos de dormidas de não residentes, realçaram-se os crescimentos no Norte (+10,5%) e AM Lisboa (+6,5%). Desde o início do ano, destacaram-se as evoluções registadas no Norte (+11,4%), AM Lisboa (+5,0%) e, em sentido contrário, a RA Madeira (-4,7%).

Lisboa e Albufeira concentraram 1/3 das dormidas de não residentes nos primeiros nove meses
A Lisboa corresponderam 17,4% do total das dormidas em setembro, quota que sobe para 18,9% no período de janeiro a setembro. Neste período acumulado, as dormidas em Lisboa registaram um crescimento de 4,2%. Nos primeiros nove meses do ano, as dormidas de não residentes representaram 84,3% do total de dormidas no município, tendo concentrado 22,9% do total das dormidas no país por parte de não residentes.

Albufeira apresentou pesos de 13,6% nas dormidas em setembro e de 12,8% no conjunto dos primeiros nove meses do ano, verificando-se que, neste período, as dormidas aumentaram 2,1%. As dormidas de não residentes representaram 76,7% do total neste município e corresponderam a 14,1% do total nacional de dormidas de não residentes, no conjunto dos primeiros nove meses do ano.

O Funchal representou 6,2% das dormidas totais em setembro e 7,0% desde o início do ano, período em que 89,2% das dormidas foram de não residentes. Desde o início do ano, este município registou uma redução de 3,9%.

No Porto registaram-se 6,1% das dormidas totais em setembro e 6,2% do total desde o início do ano. Os não residentes representaram 83,3% das dormidas registadas no conjunto dos primeiros nove meses do ano. Desde o início do ano, as dormidas neste município aumentaram 9,6%.

De janeiro a setembro, entre os municípios mais representativos no total nacional, Matosinhos sobressaiu com a maior quota de residentes (58,9%), seguindo-se Braga (51,4%). Neste período, os não residentes foram especialmente predominantes (93,0%) no município de Santa Cruz (RA Madeira).

Lisboa e Porto concentraram 40% das dormidas em alojamento local desde o início do ano
Nos primeiros nove meses de 2019, as dormidas na hotelaria (82,9% do total) registaram um aumento de 2,2%, inferior aos demais segmentos que atingiram aumentos de +14,8% no alojamento local (14,3% do total) e de +6,8% no turismo no espaço rural e de habitação (2,9% do total).

As dormidas em estabelecimentos designados como hostel aumentaram 24,1% nos primeiros nove meses do ano, tendo representado 22,9% das dormidas em alojamento local e 3,3% das dormidas totais neste período.

Relativamente ao segmento da hotelaria, o Algarve representou 34,8% das dormidas desde o início do ano, secundado pela AM Lisboa, com uma quota de 24,2%.

No segmento do alojamento local, desde o início do ano, a AM Lisboa concentrou 37,3% das dormidas, seguindo-se o Norte (quota de 20,9%).

No que respeita ao turismo no espaço rural e de habitação, o Norte concentrou 30,5% das dormidas totais nos primeiros nove meses do ano, seguindo-se o Alentejo (24,8%) e o Centro (20,2%).

Ao nível do município, na hotelaria, Lisboa, Albufeira e Funchal destacaram-se com quotas de 17,8%, 15,0% e 7,8%, respetivamente, no período de janeiro a setembro. No caso do alojamento local, Lisboa e Porto representaram 29,2% e 11,4% do total de dormidas, respetivamente.

Relativamente a dormidas em hostel, verifica-se que desde janeiro a AM Lisboa concentrou 49,5% do total do país, com destaque para o município de Lisboa (40,1% do total nacional), sendo ainda de referir o Norte (23,7%) e, em particular, o município do Porto (16,2% do total nacional).

Estada média reduziu-se
Em setembro, a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico (2,64 noites) reduziu-se 1,8%. A estada média dos residentes aumentou 0,7% enquanto a dos não residentes decresceu 3,0%. Neste mês, apenas o Alentejo e o Centro registaram crescimentos desta variável (+3,0% e +0,2%, respetivamente). A maior redução verificou-se na RA Madeira (-4,2%). Na RA Madeira e Algarve as estadas médias atingiram 5,18 noites e 4,11 noites, respetivamente.

Taxa de ocupação manteve diminuição
A taxa líquida de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico (57,1%) recuou 1,9 p.p. em setembro (-2,2 p.p. em agosto). As taxas de ocupação mais elevadas registaram-se na RA Madeira (66,7%), AM Lisboa (66,0%) e Algarve (62,2%).

Proveitos com ligeira desaceleração
Em setembro, os proveitos registados nos estabelecimentos de alojamento turístico atingiram 498,7 milhões de euros no total e 378,5 milhões de euros relativamente a aposento, correspondentes a crescimentos de 6,7% e 6,4%, respetivamente, inferiores aos acréscimos observados em agosto (+7,3% e +7,1%, pela mesma ordem).

Em termos de evolução dos proveitos nas várias regiões, em setembro, destacaram-se os acréscimos na RA Açores (+11,4% nos proveitos totais e +12,4% nos de aposento), Alentejo (+10,6% e +13,1%, pela mesma ordem) e Norte (+12,4% e 11,0%).

Em setembro, a evolução dos proveitos foi positiva nos três segmentos de alojamento. Na hotelaria, os proveitos totais e de aposento (peso de 87,9% e 86,5% no total do alojamento turístico, respetivamente) aumentaram 4,9% e 4,7%, pela mesma ordem. Considerando as mesmas variáveis, os estabelecimentos de alojamento local (quotas de 9,2% e 10,6%) destacaram-se com aumentos de 24,9% e 21,7%, respetivamente, enquanto no turismo no espaço rural e de habitação (representatividade de 2,9% e 3,0%) se observaram subidas de 12,3% e 9,7%, pela mesma ordem.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 66,0 euros em setembro, o que correspondeu a um aumento de 1,2% (+1,7% em agosto). Na AM Lisboa,este indicador ascendeu a 96,7 euros, seguindo-se o Algarve (78,5 euros). Destaque ainda para os crescimentos registados no Alentejo (+6,9%) e RA Açores (+6,0%).

A variação do RevPAR em setembro situou-se em +2,3% na hotelaria, +2,8% no alojamento local e +1,8% no turismo no espaço rural e de habitação.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 97,5 euros em setembro, o que se traduziu num aumento de 3,0%, a mesmo evolução registada no mês anterior. Na AM Lisboa o ADR foi 121,3 euros, seguindo-se o Algarve (104,7 euros) e o Alentejo (90,8 euros). Os maiores crescimentos verificaram-se na RA Açores (+9,4%) e no Alentejo (+6,1%).