INE: Mercados externos impulsionaram atividade turística em dezembro

INE: Mercados externos impulsionaram atividade turística em dezembro

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou esta manhã os dados referentes à atividade turística no mês de dezembro de 2019. Nesse mês, o setor do alojamento turístico registou 1,6 milhões de hóspedes e 3,5 milhões de dormidas, correspondendo a variações de +10,2% e +8,2%, respetivamente (+12,6% e +7,4% em novembro, pela mesma ordem). As dormidas de residentes cresceram 4,6% (+14,7% em novembro) e as de não residentes aumentaram 10,4% (+4,3% no mês anterior). Já as dormidas na hotelaria (82,1% do total) aumentaram 6,1%. Por seu turno, as dormidas nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 15,6% do total) cresceram 21,9% e as de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 2,3%) aumentaram 4,6%.

Os resultados preliminares de 2019 revelam que os hóspedes atingiram neste ano 27,0 milhões e as dormidas 69,9 milhões (+7,3% e +4,1%, respetivamente), apresentando variações superiores às registadas em 2018 (+5,3% e +3,2%, pela mesma ordem).

A hotelaria (82,9% do total das dormidas neste ano) apresentou um crescimento de 2,4% nas dormidas, evolução inferior às registadas pelo alojamento local (+14,9%) e pelo turismo no espaço rural e de habitação (+6,7%). As dormidas em hostels registaram um crescimento de 23,7%, representando 22,9% das dormidas em alojamento local e 3,3% do total de dormidas no setor do alojamento turístico neste ano.

Mercados externos em aceleração

Em dezembro, o mercado interno contribuiu com 1,3 milhões de dormidas, abrandando para um crescimento de 4,6% (+14,7% em novembro). As dormidas dos mercados externos (peso de 63,8% em dezembro) cresceram 10,4% (+4,3% em novembro) e atingiram 2,2 milhões.

No quarto trimestre do ano registou-se um crescimento de 5,0% no número de dormidas (+5,4% nos residentes e +4,8% nos não residentes). Esta evolução compara com um crescimento de 2,0% no primeiro trimestre (+3,8% nos residentes e +1,2% nos não residentes), de 6,4% no segundo trimestre (+12,5% nos residentes e +4,2% nos não residentes), resultados que foram influenciados pelo efeito do período de Páscoa, que este ano ocorreu no segundo trimestre e no ano anterior teve influência repartida entre dois trimestres, e de 2,9% no terceiro trimestre (+3,7% nos residentes e +2,6% nos não residentes).

As dormidas dos residentes abrandaram em 2019 para um crescimento de 6,2% (+6,9% em 2018), enquanto as dos não residentes aceleraram para um crescimento de 3,3% (+1,8% em 2018), representando 69,9% do total das dormidas (70,4% em 2018).

Considerando a evolução das dormidas nos últimos anos, constata-se que entre 2014 e 2019 as dormidas de residentes aumentaram 41,0% e as do não residentes aumentaram 44,7%. Neste período, a representatividade dos não residentes nas dormidas totais progrediu de 69,3% em 2014 para 69,9% em 2019, atingindo o seu maior peso em 2017 (71,4%).

Sazonalidade baixou ligeiramente em 2019

Em 2019, como habitualmente, os meses de verão (julho a setembro) foram os que registaram maior número de dormidas (36,3% das dormidas totais, após 36,7% em 2018), tendo concentrado 38,6% das dormidas de residentes (39,5% em 2018) e 35,3% das dormidas de não residentes (35,5% no ano anterior).

Avaliando a sazonalidade através do rácio entre os meses com maior e com menor procura, verifica-se que este rácio se situou em 3,2 em 2019 (3,3 em 2018), o que significa que a ocupação (medida em número de dormidas) no mês de maior procura foi 3,2 vezes superior à verificada no mês de menor procura. Nos residentes este rácio situou-se em 3,5 (3,7 em 2018) e nos não residentes em 3,0 (3,1 no ano anterior).

De entre os cinco principais mercados emissores, o espanhol foi o que apresentou maior taxa de sazonalidade em 2019 (43,8%), seguindo-se o mercado francês (37,8%). Os mercados brasileiro e alemão registaram taxas mais baixas (30,1% e 30,8%, respetivamente). Estes mercados foram também os que apresentaram menor rácio entre os meses com maior e com menor procura (2,4 e 2,9, pela mesma ordem), enquanto o mercado espanhol se destacou com um rácio de 6,8.

As regiões que apresentaram maiores taxas de sazonalidade e maior peso relativo dos 3 meses de maior procura (julho, agosto e setembro) relativamente ao total anual, foram o Algarve (42,9%), RA Açores (39,8%) e Alentejo (39,5%), enquanto na RA Madeira e AM Lisboa este indicador situou-se em 30,7% e 30,9%, respetivamente.
O rácio entre os meses com maior e com menor procura foi menor na RA Madeira (1,9), AM Lisboa (2,1) e Norte (2,8). Em sentido contrário, o Algarve (6,2), RA Açores e Alentejo (4,2 em ambas) apresentaram o valor mais elevado neste rácio

Mercados norte-americano, canadiano, irlandês e espanhol com crescimentos expressivos

Os dezasseis principais mercados emissores representaram 83,6% das dormidas de não residentes nos estabelecimentos de alojamento turístico em dezembro. No conjunto do ano de 2019, estes mercados detiveram uma quota de 86,6% e apresentaram um crescimento de 2,4%.

O mercado britânico (14,8% do total das dormidas de não residentes em dezembro) registou um aumento de 8,4% em dezembro. Em termos anuais, este mercado cresceu 1,5% e deteve uma quota de 19,2%. O mercado alemão (10,9% do total) recuou 3,6% em dezembro. Em 2019, este mercado apresentou um decréscimo de 6,7% e apresentou um peso relativo de 12,0%. As dormidas de hóspedes espanhóis (16,3% do total) evidenciaram-se, com um crescimento de 22,2% em dezembro.

Em 2019, este mercado representou 10,7% das dormidas e cresceu 7,4%. O mercado brasileiro (8,4% do total) apresentou um crescimento de 10,6% em dezembro e de 13,5% no ano 2019. O mercado francês (7,2% do total) apresentou um crescimento de 5,7% em dezembro. No conjunto do ano 2019, este mercado recuou 1,3%.
Em dezembro, destacaram-se também os mercados norte-americano (+29,2%), canadiano (+27,6%) e irlandês (+26,0%). Desde o início do ano, o realce vai para os mercados norte-americano (+20,2%) e chinês (+16,0%).

Norte destacou-se em 2019

Em dezembro, registaram-se aumentos das dormidas em todas as regiões com exceção da RA Madeira (-1,9%). A RA Açores e o Norte destacaram-se com crescimentos de 28,7% e 12,3%, respetivamente. A AM Lisboa concentrou 32,9% das dormidas, seguindo-se o Norte (18,9%) e o Algarve (17,2%).

Em termos de dormidas de residentes, em dezembro, realçaram-se os crescimentos na RA Açores (+44,5%) e na RA Madeira (+10,1%) e, em sentido contrário, o decréscimo registado no Alentejo (-1,5%). Em dezembro, as dormidas de não residentes apresentaram aumentos em todas as regiões exceto na RA Madeira (-3,4%), destacando-se os crescimentos registados no Norte (+22,9%), Alentejo (+16,0%) e Centro (+14,6%).

No conjunto do ano de 2019, todas as regiões apresentaram aumentos nas dormidas, com exceção da RA Madeira (-3,7%). Sobressaiu o Norte (+9,7%), seguindo-se o Alentejo (+7,6%) e a RA Açores (+7,5%). O Algarve concentrou 30,0% das dormidas em 2019, seguindo-se a AM Lisboa (26,4%).

Em 2019, as maiores variações relativas das dormidas de residentes registaram-se na RA Açores (+12,3%) e Alentejo (+10,8%), enquanto as de não residentes sobressaíram no Norte (+12,3%), AM Lisboa (+5,5%) e RA Açores (+4,0%).

Lisboa representou cerca de 20% das dormidas nacionais em 2019

No conjunto do ano de 2019, Lisboa registou 13,8 milhões de dormidas (19,8% do total das dormidas registadas no país), que se traduziram num crescimento de 4,8%. As dormidas dos residentes apresentaram um ligeiro aumento (+0,1%). As dormidas de não residentes predominaram (peso de 84,0% no total das dormidas no município) e aumentaram 5,8%, representando 23,8% do total das dormidas no país por parte de não residentes.

Em Albufeira foram registadas 8,5 milhões de dormidas em 2019 (12,2% do total), que se refletiram num aumento de 2,5%. Neste município, as dormidas dos residentes aumentaram 5,4%, evolução superior à registada pelos não residentes (+1,7%; peso de 78,0% no total das dormidas no município), tendo estas representado 13,6% do total nacional de dormidas de não residentes. As dormidas no município do Funchal (7,2% do total) diminuíram 4,1% em 2019, com o contributo dos mercados externos (-5,1%), dado que o mercado interno aumentou 5,6%. Neste município, 89,2% das dormidas em 2019 foram de não residentes. O município do Porto (6,5% do total) apresentou um crescimento de 10,9% em 2019. O mercado interno cresceu 1,7% e os mercados externos aumentaram 13,0%.

Em 2019, entre os municípios mais representativos no total nacional, Matosinhos sobressaiu com a maior quota de residentes (60,2%), seguindo-se Braga (51,8%). Neste período, os não residentes foram especialmente predominantes (92,9%) no município de Santa Cruz (RA Madeira).

Estada média reduziu-se

Em dezembro, a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico (2,23 noites) reduziu-se 1,8%. A estada média dos residentes recuou 0,4% e a dos não residentes reduziu-se 4,5%. Neste mês, apenas o Algarve e o Norte registaram aumentos na estada média (+2,8% e +0,2%, respetivamente). Na RA Madeira e Algarve as estadas médias atingiram 4,83 noites e 3,56 noites, respetivamente.

Em 2019, a estada média reduziu-se 2,9% para 2,59 noites (-2,0% em 2018). As estadas médias de residentes registaram uma diminuição de 1,2% e a dos não residentes uma redução de 3,6%.

Taxa de ocupação com aumento em dezembro

A taxa líquida de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico (31,2%) aumentou 0,9 p.p. em dezembro (+0,2 p.p. em novembro). As taxas de ocupação mais elevadas registaram-se na AM Lisboa (43,2%) e RA Madeira (41,8%).

Em 2019, a taxa líquida de ocupação-cama fixou-se em 47,4%, o que representou uma redução de 0,6 p.p. (-1,0 p.p. em 2018)

Proveitos desaceleraram em 2019

Em dezembro, os proveitos registados nos estabelecimentos de alojamento turístico atingiram 205,8 milhões de euros no total e 141,1 milhões de euros relativamente a aposento, correspondendo a crescimentos de 9,6% e 9,9%, respetivamente (+10,3% e +9,5% em novembro, pela mesma ordem).

Em 2019, os proveitos totais aumentaram 7,3% e os de aposento 7,1%, resultados que refletem uma desaceleração face a 2018 (+8,3% e +9,3%, respetivamente). Em termos de evolução dos proveitos nas várias regiões, em dezembro, destacaram-se as evoluções registadas na RA Açores (+22,0% nos proveitos totais e +25,4% nos de aposento), Alentejo (+12,4% e +12,7%, pela mesma ordem) e Algarve (+12,8% e +11,5%).

Em dezembro, a evolução dos proveitos foi positiva nos três segmentos de alojamento. Na hotelaria, os proveitos totais e de aposento aumentaram 8,5% e 8,1%, respetivamente (peso de 88,4% e 85,9% no total do alojamento turístico, pela mesma ordem). Considerando as mesmas variáveis, os estabelecimentos de alojamento local (quotas de 9,0% e 11,4%) destacaram-se com aumentos de 20,4% e 24,4%, respetivamente, enquanto no turismo no espaço rural e de habitação (representatividade de 2,6% e 2,7%) se observaram subidas de 16,4% e 14,5%, pela mesma ordem. No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 27,9 euros em dezembro, o que correspondeu a um aumento de 5,0% (+3,0% em novembro). Na AM Lisboa, este indicador ascendeu a 47,2 euros, seguindo-se a RA Madeira (34,3 euros) e o Norte (27,2 euros). Destaque ainda para os crescimentos registados na RA Açores (+17,4%) e no Algarve (+11,9%).

A variação do RevPAR em dezembro situou-se em +6,6% na hotelaria, +4,0% no alojamento local e +3,3% no turismo no espaço rural e de habitação.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 73,3 euros em dezembro, o que se traduziu num aumento de 1,6% (+0,9% em novembro). Na AM Lisboa o ADR ascendeu a 88,4 euros, seguindo-se a RA Madeira (72,6 euros) e o Norte (71,9 euros).

Parques de campismo e colónias de férias

Em dezembro de 2019, os parques de campismo receberam 57,4 mil campistas (+1,8%), que proporcionaram 228,4 mil dormidas (+5,0%). Para o aumento das dormidas contribuíram quer o mercado interno (+6,7%), quer os mercados externos (+3,5%). As dormidas de não residentes ultrapassaram as dos residentes representando 51,8% do total. A estada média (3,98 noites) aumentou 3,2%.

As colónias de férias e pousadas da juventude registaram 16,8 mil hóspedes (+10,2%) e 31,4 mil dormidas (+1,3%) em dezembro. As dormidas de residentes (quota de 74,4%) diminuíram 1,6% e as dos não residentes aumentaram 10,6%. A estada média (1,87 noites) recuou 8,1%.