Investimento no turismo residencial vai manter-se ativo

Investimento no turismo residencial vai manter-se ativo

Esta é uma das conclusões do Marketbeat Portugal Outono 2015 da consultora Cushman & Wakefield. No relatório pode ler-se que o setor do turismo nacional, à semelhança dos últimos anos, manteve em 2015 o ritmo de crescimento do passado, com os principais indicadores a registarem novas subidas face ao período homólogo dos anos anteriores. No que se refere à atividade imobiliária, foi no setor hoteleiro que se registaram algumas das transações de investimento de maior relevo em 2015: a aquisição pelo grupo tailandês Minor International de quatro hotéis explorados pelo Tivoli, e a venda da espanhola Lusort,dona de Vilamoura, aos norte-americanos Lone Star por 200 milhões de euros. A consultora recorda que estes últimos demonstraram recentemente a intenção de investir 600 milhões de euros na nova fase de desenvolvimento do resort. E prevê que ao longo dos próximos anos o investimento em turismo residencial se mantenha ativo, tendo em conta os grandes empreendimentos atualmente em oferta no mercado como são a Quinta do Lago, Vale do Lobo e Herdade da Comporta.

 

Reconhecimento internacional

Esta melhoria é também comprovada pelo reconhecimento internacional de que o turismo português tem sido alvo, tanto ao nível da atribuição de prémios no setor como através do destaque que tem tido na imprensa internacional; sendo ambos fatores um sintoma do reconhecimento de Portugal como um excelente destino turístico, explica o Marketbeat da C&W. Entre os variados galardões recebidos por Portugal, destaque para os recentemente anunciados World Travel Awards Europa, nos quais o país assegurou um total de 14 galardões, que incluem o Turismo de Portugal enquanto melhor organismo oficial de turismo da Europa, Algarve como melhor destino de praia europeu e a TAP como melhor companhia aérea para África e para a América do Sul.

 

Crescimento na procura e nas receitas

Em relação à evolução da procura, o número de hóspedes situou-se nos 7,7 milhões durante a primeira metade do ano, registando um crescimento de 8,3% face ao mesmo período de 2014. Evolução semelhante teve o número de dormidas, com os estabelecimentos turísticos nacionais a registarem um total de 20,7 milhões, com uma manutenção da estada média nas 2,7 noites.
No que diz respeito aos proveitos de hotelaria, estes ascenderam aos 994,3 milhões de euros, que traduzem um impressionante aumento de 12% face ao ano anterior. Os proveitos médios por dormida subiram 4,4% fixando-se nos 48€.

 

Açores em destaque
A região dos Açores é sem dúvida a que merece maior destaque em 2015, ao ter registado na primeira metade do ano uma evolução positiva das dormidas de 23%, tornando-se assim na região de Portugal com maior crescimento da procura turística. Este aumento decorre da liberalização do espaço aéreo dos Açores, efetiva a partir de Março de 2015 e que resultou neste mesmo mês na inauguração do primeiro voo em low-cost para os Açores, operado pela easyJet com destino a São Miguel.
A Ryanair inaugurou também no mês seguinte três novas rotas para Ponta Delgada, desde Lisboa, Porto e Londres.

As regiões Norte e Centro seguiram-se em termos de crescimento da procura, respetivamente com 14% e 13% de evolução. A cidade de Lisboa registou um crescimento de 10% e o Algarve, apenas 1%. No entanto, sendo esta última região um destino maioritariamente de meses de Verão e sobejamente consolidado, os dados de fecho de ano deverão demonstrar uma evolução mais positiva para o sul do país, indica a consultora.

 

Principais mercados

À semelhança do ano anterior, também em 2015 se notou uma maior propensão dos portugueses para as despesas em turismo, com um crescimento da procura nacional na ordem dos 7%, ainda assim inferior à procura externa que teve um crescimento de 7,5%.

Em termos de procura estrangeira por país de origem, o Reino Unido manteve a sua primazia, seguido da Alemanha; em terceiro lugar, e suplantando Espanha, surgem os turistas franceses, um mercado que há muito registava uma tendência crescente de visitas a Portugal, e que até Junho de 2015 foi responsável por 10% da procura estrangeira.

A recuperação do turismo nacional deverá continuar ao longo dos restantes meses do ano, um sinal também positivo para a economia nacional dado o peso que o setor tem na mesma. No entanto, e apesar da melhoria dos indicadores, o desafio de aumento da rentabilidade da operação hoteleira ainda se mantém, tendo em conta que não obstante os aumentos sucessivos nos proveitos de hotelaria, a quebra nos volumes globais que se registou entre 2009 e 2013 não foi ainda recuperada.