“Já não há amigos, nem inimigos”, constata Pedro Gordon

“Já não há amigos, nem inimigos”, constata Pedro Gordon

“Já não há amigos, nem inimigos. Já não há bons, nem maus. Cada um olha para o seu umbigo”, afirmou o diretor geral do grupo GEA para Portugal sobre os desafios que se impõem às agências de viagens com as alterações no mercado da aviação. Pedro Gordon falava aos jornalistas à margem da XII Convenção Anual Nacional do grupo GEA, em Viseu, que arrancou sob o mote “Preparados para o Futuro?” e reuniu 130 agências de viagens, cerca de 40% do total grupo.

Pedro Gordon considera que, hoje, já “não podemos esperar nada das companhias aéreas (que antigamente eram amigas)”. Perante este cenário, entende que as agências de viagens não devem depender de terceiros para a operacionalização dos seus respetivos serviços, embora sublinhe que a GEA continua a ver (ainda) nos GDS um “dos melhores parceiros”.

A rede de agências de viagens independentes passará também a ter ferramentas tecnológicas “cada vez mais evoluídas” na venda de pacotes dinâmicos, que “garantem tempo e que o agente vai oferecer o produto mais competitivo ao seu cliente”. “Num negócio em que as margens são modestas, o controlo de custos é brutal”, nota, frisando que “é preciso ser ágil, rápido e eficiente”.

Sobre o futuro, na renegociação dos contratos com os operadores, Pedro Gordon admite que irá “pressionar nas negociações, para tentar que todos os fornecedores adotem políticas que otimizem a margem nos pacotes turísticos”. Embora admita que, enquanto as “políticas de determinadas cadeias hoteleiras não mudarem” em destinos como São Tomé, exemplifica, é difícil trabalhar uma solução. “É um assunto que temos que trabalhar com os operadores e os operadores com os fornecedores para tentar resolver”, diz.

A finalizar, Pedro Gordon considera que a tecnologia não é um perigo desde que se conheça o cliente e comercializem produtos de qualidade. Recorda que a “agência de viagens GEA tem que se focar no cliente e a grande vantagem competitiva de uma pequena empresa é esta proximidade com o cliente, pois as grandes organizações têm uma alta rotação de funcionários, que não permite esta proximidade”. Outro dos focos é relativamente ao produto, que “tem de ser bem comprado e permitir um acesso ágil por parte do agente de viagens”.

Pedro Chenrim