Jardins do Porto e Forrester Essence Douro: “Há uma procura crescente por alojamentos que demonstram práticas sustentáveis”
Os hotéis já integram a sustentabilidade na sua operação do dia-a-dia. A Ambitur publicou um trabalho extenso na sua edição 354, onde falou com várias cadeias hoteleiras para perceber como lidam com a questão da sustentabilidade na operação diária. Daniela Ribeiro, diretora de Operações da Região Norte da Unlock Boutique Hotels, fala-nos sobre duas das unidades que integram o portfólio desta rede – Jardins do Porto e Forrester Essence Douro Hotel. E aponta que a Unlock já designou um coordenador interno para a área da sustentabilidade para todos os hotéis, com funções que incluem a definição de metas, sensibilização de equipas, análise de consumos e recomendação de medidas corretivas ou preventivas.

Prova deste empenho num caminho mais sustentável é o facto de a generalidade das unidades hoteleiras que compõem a coleção da Unlock serem certificadas pela Biosphere e, algumas, pela Green Key. No caso destas duas unidades pelas quais Daniela Ribeiro dá a cara, ainda não possuem uma certificação formal na área da sustentabilidade, mas estão em processo de acreditação e certificação junto destes organismos.
A verdade é que o grupo Unlock Boutique Hotels tem vindo a implementar, de forma progressiva, uma estratégia interna focada na redução do impacto ambiental da atividade. E, conforme nos explica Daniela Ribeiro, esta estratégia assenta em três pilares. Por um lado, na eficiência energética, através da substituição gradual de equipamentos por versões mais eficientes e da otimização do consumo de energia. Além disso, há um foco na gestão de resíduos, ao nível da separação, reciclagem e redução do uso de plásticos de uso único. Por fim, o pilar da gestão sustentável da água diz respeito à instalação de redutores de caudal e de sistemas de controlo de consumos em áreas críticas.

A diretora de Operações da Região Norte da Unlock Boutique Hotels explica-nos que as unidades se encontram numa fase intermédia de implementação desta estratégia e já várias medidas foram colocadas em prática, estando outras ainda em fase de planeamento ou de avaliação de viabilidade. Mas garante haver já indicadores preliminares que demonstram melhorias, nomeadamente ao nível da redução do consumo energético em cerca de 8% no último ano, da diminuição do volume de resíduos indiferenciados em 12% e da poupança estimada de 15% no consumo de água nas unidades onde os redutores de caudal foram instalados. A gestora reconhece porém que “a monitorização sistemática e padronizada ainda carece de maior estruturação”.
Em termos práticos, ao nível da água já foram instalados redutores de caudal em várias unidades e iniciado um plano de manutenção preventiva para reduzir perdas invisíveis (fugas e desperdícios). No que toca aos resíduos, o grupo já implementou a separação de resíduos por tipologia e estabeleceu parcerias com entidades locais para recolha seletiva. E, por fim, ao nível energético, iniciou a substituição progressiva de iluminação por tecnologia LED e a revisão de horários de funcionamento de sistemas AVAC e demais equipamentos, recorrendo a sensor de movimento e relógios programáveis.

O empenho é total, até porque, indica Daniela Ribeiro, são hoje os próprios hóspedes a mostrarem uma maior sensibilidade ambiental, especialmente os segmentos mais jovens e os clientes internacionais. “Há uma procura crescente por alojamentos que demonstram práticas sustentáveis, sendo cada vez mais comum os clientes questionarem sobre as nossas políticas ambientais ou agradecerem pequenas ações, como a redução do plástico ou a reutilização de toalhas”, evidencia.
Porém, este caminho depara-se com alguns desafios e a responsável aponta como principais, desde logo, a sensibilização contínua dos colaboradores de todos os departamentos, as limitações orçamentais que condicionam a adoção imediata de soluções tecnológicas mais avançadas ou a dificuldade em obter dados fiáveis e regulares sobre consumos, algo que considera “essencial para uma gestão baseada em evidências”. Recorda ainda a complexidade da legislação ambiental que “nem sempre é clara ou adaptada à realidade do setor hoteleiro”.
Daniela Ribeiro admite que, neste momento, a área em que sente ser necessário um maior apoio técnico é a eficiência energética, sobretudo no que diz respeito à monitorização inteligente de consumos e à integração de fontes de energia renovável: “Uma partilha de experiências com outras unidades hoteleiras seria extremamente valiosa”, defende.
Por Inês Gromicho