Luís Araújo: O turismo em Portugal precisa de “mudanças estruturais que nos permitam ser muito mais competitivos”

by Inês Gromicho | 26 Novembro 2020 15:00

O presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, participou ontem no debate sobre “Oportunidades de Negócio e Principais Tendências no Turismo em 2021“, a convite da Portugal Ventures.

Para Luís Araújo, é fundamental “pensar nas oportunidades que vêm aí e prepararmo-nos o mais possível para uma concorrência feroz quando retomarmos a normalidade”. Estima-se que serão cerca de 13 milhões os postos de trabalho perdidos no setor do turismo na Europa, à custa da pandemia, e o responsável do Turismo de Portugal defende que é preciso equacionar o “emprego em conjugação com a formação, a inovação e o empreendorismo”.

Segundo o mesmo, “as empresas e os colaboradores continuam a apostar no setor” do turismo e prova disso é que a oferta formativa online das Escolas do Turismo de Portugal, ao longo dos últimos cinco anos, recebeu mais de 64 mil alunos nas mais diversas áreas. Mas as que tiveram maior procura foram, essencialmente, a sustentabilidade e o digital “na ligação com o cliente”, afirma o presidente, o que pode efetivamente trazer “vantagens competitivas acrescidas para o destino Portugal no futuro”.

Portugal é o “laboratório perfeito para testar novas ideias e lançar novas empresas”

“O mundo não mudou, o que mudou foram as pessoas”, considera o presidente do Turismo de Portugal, questionando se as tendências em debate serão “de curto, médio ou longo prazo”. Na sua opinião, as mesmas são e devem ser “mais estruturais” para permitir “sermos muito mais competitivos” e “transparentes na oferta que temos, junto do consumidor”. Por exemplo, as questões sanitárias, de saúde e higiene, estarão “cada vez mais presentes” e será necessária muito “mais flexibilidade na hora da procura de um destino e na reserva” e o “saber pequenos detalhes”, nomeadamente, relacionados a sustentabilidade.

Luís Araújo adianta que o turismo deve “sair da sua bolha e começar a dialogar mais” com outros setores, algo que já acontece com as autoridades de saúde, e que “há aqui um grande potencial e muita capacidade de focar no que é preciso para o futuro”. Em adição, para si, “com a base estrutural que temos, e vamos continuar a ter, e com esta adesão à aceleração digital e utilização da tecnologia com foco no cliente acho que conseguimos sair em primeiro lugar” no pós-crise.

Contudo, apesar de todas as potencialidades, o presidente do Turismo de Portugal admite que: “O turismo é um dos setores mais frágeis à face da Terra. Qualquer decisão, iniciativa ou medida que se tome, seja pública ou privada, que altere este equilíbrio frágil e que nos faça perder competitividade, ou que não seja programada a futuro, é claramente um tiro no pé.” Assim, esta é a “fase de repensar, fazer reset em muitas situações, de programar o futuro e apostar na formação”, argumenta.

O responsável termina refletindo que “somos um dos melhores destinos do Mundo” e que “este é o laboratório perfeito para testar novas ideias e lançar novas empresas”, com cada vez mais foco nas novas necessidades do cliente, “aproveitando o potencial que Portugal tem e apostar em projetar este destino como um dos mais competitivos de sempre”.

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