Marrocos – À descoberta da herança portuguesa e da diversidade cultural

Marrocos – À descoberta da herança portuguesa e da diversidade cultural

Entre as realidades da Europa e de África, encontramos Marrocos, um destino marcado por cidades imperiais, montanhas, deserto e uma longa costa atlântica e mediterrânica.

Passar férias em Marrocos significa “viver uma outra realidade”. Através do testemunho de Abdellatif Achachi, representante oficial do Turismo de Marrocos em Portugal, a Ambitur viajou até cidades marroquinas e partilha a tour indispensável a qualquer viajante.

Abdellatif Achachi

Mas porquê Marrocos? Para Achachi, o país tem duas grandes riquezas que o turista pode escolher: por um lado, a “geografia” com os seus 3500 quilómetros de litoral, oferecendo uma “boa estadia balnear”; por outro, a “história” e a “riqueza cultural” que são “uma atração para qualquer turista do mundo inteiro”, podendo descobrir uma nova identidade cultural marcada pela “autenticidade” única e memorável.

É certo que o típico marroquino é muçulmano mas Abdellatif Achachi sublinha que há uma convivência de religiões e “uma diversidade cultural muito rica. O turista procura isso mesmo”, sustenta.

Achachi vai mais longe e cria um paralelismo com Portugal, um destino também ele “rico na sua história”, considerando que existe uma “semelhança enorme” entre o povo ibérico e o marroquino.

Uma história muito forte em comum
É verdade que Marrocos e Portugal partilham de um histórico memorável. Pelo menos uma vez na vida, o português deve conhecer as cidades marroquinas que já foram portuguesas noutros tempos.

Praça Jemaa el-Fnaa

Abdellatif Achachi diz que isso já acontece, havendo uma “vontade cada vez maior” do turista português na procura do destino. Para isso tem contribuído a “aposta fulcral do produto” marroquino, colocando na “mente portuguesa” que existe uma cultura para conhecer. Nos pacotes turísticos, existe uma variedade de roteiros que levam o turista a descobrir a “herança portuguesa” que começa em Tânger passando por Arzila, Casablanca, Mazagão (El Jadida), Safi, Mogador (Essaouira) e culmina em Agadir.

Port d’El Jadida

Marrocos e Portugal partilham outras características. Aliás, diz-se que, em Portugal, as ondas estão sempre  garantidas. Muito semelhante é Marrocos que tem apostado cada vez mais em “atrair surfistas portugueses” para as praias equipadas de Safi, fazendo desta cidade um spot internacional. Muito idêntica à onda de Nazaré, Safi tem também uma onda famosa: a “Garden”. “Existe um potencial para atrair três mil surfistas” dos 220 mil inscritos na Associação de Surf de Portugal, afirma Achachi.

Depois de visitar Marrocos, ninguém volta igual pois “descobrem um outro modo de viver”, diz Achachi. “Regressam sempre com um enriquecimento porque descobriram outro país muito diferente”, onde as experiências surgem em qualquer lado. Por exemplo, no oásis de Arfoud é possível “pernoitar a céu aberto e ver as estrelas no deserto”.

Mesquita Hassan II, Casablanca

Sabores exóticos e autênticos
“Canela, cominhos, gengibre, sésamo, açafrão e pimenta preta” são especiarias que tornam a gastronomia marroquina exótica e autêntica. Os legumes e os frutos secos não ficam de fora desta autenticidade e são muito utilizados na preparação dos pratos. Indispensável na descoberta dos sabores marroquinos está o cuscuz: bolinhas de sêmola de trigo cozinhadas a vapor que podem ser acompanhadas com legumes, carne ou peixe.

Saidia

Um prato mais requintado e muito rico é a Pastilla, um folhado de massa fina com recheio agridoce. Pode ter carne de frango ou carneiro, frutos secos, frutos do mar ou legumes. É só escolher. As Tajines são muito famosas pelas várias opções que oferecem a quem as cozinha. Podem ser de frango com limão e azeitona ou cordeiro com ameixas ou figos.

A típica sopa marroquina também faz parte deste menu. Designada por Harira é feita com lentilhas, grão-de-bico, cordeiro, tomate e vegetais variados.

Para os mais gulosos, e como o mel é muito utilizado em Marrocos, a oferta completa-se com o bolinho de mel, crepe, feqqas (biscoitos com amêndoas) e os ghoriba (bolinho de côco ou amêndoa e sésamo).

Turismo de Marrocos em Portugal
Com presença desde 1981 em Lisboa, com a abertura de uma representação, o Turismo de Marrocos tem apostado no mercado português. “Em termos de marketing, quando tomei posse em 2012, registámos 50 mil chegadas; em 2018, duplicámos: já ultrapassámos a fasquia das 100 mil”, refere Abdellatif Achachi, acrescentando não ter dúvidas de que o mercado português “vai ser estratégico para Marrocos. Vamos seguir todos os rumos que ajudem a promover o destino através de B2B ou B2C”, sustenta.

[ Um destino para famílias…
27% das chegadas são feitas por famílias
70% dos pacotes turísticos são para Saïdia e Agadir ]

[ Marrocos à distância de um “clique”
site oficial: www.visitmorocco.com
cada região tem o seu site com dicas/pormenores/contactos etc. ]

[ De janeiro a dezembro …
Alguns dos festivais, peregrinações, dias santos, festas e concertos…
Festival Gnaoua – Essaouira; Marathon des Sables – Deserto do Saara; Mawazine – Festival Internacional Ritmos do Mundo; Festival Internacional de Música Sacra – Fez; Festival Sahraoui – Agadir; Festa do Trono – por todo o país; Festival de Música – Tânger; Festival da Tâmara – Erfoud; Festival das Oliveiras – Fez ]

Cristiana Macedo. Este artigo foi publicado na edição 322 da Ambitur.