Mercer apresenta as Tendências de Remuneração do Setor Hoteleiro

Mercer apresenta as Tendências de Remuneração do Setor Hoteleiro

A Mercer apresentou hoje, no Pestana Palace, o seu Survey sobre Práticas e Tendências de Remuneração do Setor Hoteleiro, com o apoio da AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, da Stairs People Advisors e do Pestana Hotel Group. 

O Turismo é atualmente a maior atividade económica exportadora do país. Em 2018, foi responsável por 51,5% das exportações de serviços, 18,6% das exportações no total e 8,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Equivale a 19,1% da atividade económica e a sua contribuição para a economia equivale a sua contribuição para a economia equivale a 38,4 mil milhões de euros.

Adicionalmente, a atividade turística registou um crescimento na ordem dos 8,1% e empregou mais de um milhão de pessoas (21,8% do total). Este ano estima-se que o Turismo em Portugal abrande — para um crescimento de 5,3% — mas, ainda assim, cresça mais do dobro da média europeia (2,5%).

Tendências de Remuneração do Setor Hoteleiro

No estudo da Mercer, cujos dados recolhidos são referentes ao 2.º semestre de 2018, participaram cerca de 90 hotéis (77% nacionais) e foram analisadas 80 funções. 36% dos hotéis em análise têm menos de 100 colaboradores, outros 36% têm entre 100 e 500 colaboradores e 28% têm mais de 500. Da amostra, 54% dos colaboradores são masculinos e nas diversas funções — diretores, chefias intermédias, técnicos e assistentes — ganham mais do que as mulheres, sobretudo nas funções de Direção.

Concluiu-se também que 60% dos colaboradores do setor hoteleiro têm até 40 anos, ou seja, são “bastante mais jovens” do que nos restantes setores de atividade e que na mesma percentagem têm menos de três anos de trabalho nas respetivas organizações. Além disso, 40% deles têm o Ensino Secundário.

Outra questão é que em Lisboa os salários revelam-se superiores: no Porto a remuneração salarial é 11% mais baixa e no Algarve 8%. Os dois principais fatores para o aumento salarial, no setor, são os próprios resultados da organização (77%) e o desempenho individual (69%). A motivação dos colaboradores é, essencialmente, obter uma compensação justa e competitiva, a oportunidade de puderem ser promovidos e serem liderados com um propósito claro.

“As remunerações na hotelaria são muito superiores”

José Theotónio, CEO do Pestana Hotel Group, afirmou: “Há muita informação e muito ruído há volta daquilo que são as remunerações em termos do setor do Turismo e quando se fala em setor do Turismo fala-se de coisas muito diferentes. Fala-se do setor hoteleiro mas mistura-se a restauração e outros sub-setores da atividade, as agências de viagem, etc. E depois diz-se que uma percentagem muito elevada daquilo que são os profissionais do setor do Turismo ganham todos o salário mínimo e que é com o salário mínimo têm sido criados os novos postos de trabalho.”

“Com este estudo vê-se claramente que isso não é verdade e é importante para o setor hoteleiro poder desmistificar esta questão”, defendeu. Já Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP, acrescentou que, pelo contrário, “as remunerações na hotelaria são muito superiores aquelas praticadas na generalidade”.

Quanto à rotatividade do setor, José Theotónio frisa que irá sempre existir até porque “o setor vai continuar a ser sazonal. Há destinos turísticos que são sazonais. Mesmo quando se fala que o Algarve está a deixar de ser sazonal, é uma falácia. Pode deixar de ser sazonal na procura mas nunca é na receita. O quarto que se vende no verão a 200 ou 300 euros vende-se no inverno a 40 ou 50 euros”. Contudo, esta nem sempre é negativa, com profissionais que trazem novas ideias. O importante é captar o seu interesse e mantê-los nas organizações, pois os mais jovens procuram novas experiências e “não querem trabalhar sempre na mesma empresa”.

Rita Inácio