Miguel Júdice: “Portugal tem de se assumir um destino de turismo de qualidade e de compra”

by Cristiana Macedo | 10 Dezembro 2019 15:30

O Pestana Palace Lisboa é hoje palco da 2.ª edição da Summit Shopping Tourism & Economy Lisboa, que reúne oradores nacionais e estrangeiros de diferentes setores para debater o tema “Chaves para um Turismo Sustentável em Portugal”.

O país “tem assistido, nos últimos anos, a um enorme crescimento no número de visitantes”, começa por afirmar o presidente do Comité Organizador da Summit Lisboa 2019, Miguel Júdice, realçando o “esforço coordenado dos devidos agentes do setor e uma conjuntura internacional que em muito tem favorecido”. Face ao crescimento de qualidade da oferta registado, o responsável declara que “chegou a hora de Portugal se assumir um destino de turismo de qualidade e de compras”, adicionando este segmento aos “outros que já fazem parte da linha estratégica”. Com uma maior atenção dada ao segmento, Miguel Júdice não tem dúvidas de que “temos condições para atrair países de longa distância” e que “gastam, em média, cinco vezes mais do que os turistas dos nossos mercados tradicionais”. Para o responsável, esta é uma “nova aposta”, reiterando “não ser conflituante com as apostas atuais”, podendo assim “impulsionar a qualidade e não apenas a quantidade”.

Turismo de compras a crescer 36% em 2019

O facto deste segmento “já estar a crescer a níveis muito superiores aos segmentos tradicionais” leva o responsável a sublinhar que, “se existissem mais esforços, os resultados poderiam ser melhores” e com “benefícios óbvios para a nossa economia”. O facto de, no primeiro semestre de 2019, se registar um aumento de turistas não europeus, nomeadamente vindos dos Estados Unidos da América (EUA), Brasil e China, significa que o “turismo de longa distância tem compensado o decréscimo de mercados emissores tradicionais para Portugal”, como o caso da “Alemanha, que quebrou 6,7% desde janeiro, da França com -3,3% ou a Holanda com -7,4%”, exemplifica. As estimativas afirmam que, em 2018, o Turismo de Compras dos turistas residentes fora da União Europeia “tenha movimentado em Portugal entre 400 a 500 milhões de euros”, estando este “segmento a crescer 36% em 2019”, destaca Miguel Júdice, e que se deve ao “aumento da rotas da companhias aéreas, do Turismo de Portugal e da ANA Aeroportos”, acrescenta. “A concorrência para captar estes turistas é elevada”, destaca o responsável, realçando a “promoção” como um “fator determinante”, mas a “rapidez de emissão de vistos” também  é fundamental, sendo um “fator referido por vários players do setor”.

Uma questão relevante para o presidente do Comité Organizador da Summit Lisboa 2019 é que o “crescimento contínuo do número de visitantes não deve ser o único objetivo”, pelo que os efeitos de excesso de turismo que outras cidades têm vindo a sentir “deve servir de lição para que Portugal consiga obter um equilíbrio mais adequado”. Miguel Júdice acredita que o caminho passa por uma “visão transversal” e “colaborativa” entre as diversos atividades do setor.

Em jeito de conclusão, o responsável deseja que, com esta Summit, “consigamos explorar mais e melhor as oportunidades deste segmento” e que sirva para que “públicos e privados assumam presença deste segmento de turismo nos vetores e planos estratégicos futuros”.

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