Na abertura da Airmet Portugal Summit 2026, no México, o CEO da rede apelou à coragem, à adaptação e à valorização da expertise como resposta aos desafios que hoje pressionam as agências de viagens.
Num momento em que o setor discute especialização, rentabilidade e o novo valor da consultoria, Miguel Quintas deixou uma mensagem clara aos agentes de viagens reunidos esta semana no México: o conhecimento continuará a ser a principal vantagem competitiva das agências.
Na abertura oficial da Airmet Portugal Summit 2026, subordinada ao mote “Expertise is Power”, o responsável recorreu a uma narrativa histórica ligada à conquista do México para ilustrar o papel transformador do conhecimento — independentemente da posição de partida de cada profissional.
A partir da história de Malintzin — figura histórica que, pelo domínio de línguas, cultura e território, se tornou peça determinante na conquista espanhola do México — Miguel Quintas traçou um paralelismo direto com o momento atual das agências. “Quem tiver conhecimento, quem souber mais do que os demais”, terá sempre mais oportunidades, afirmou perante os agentes presentes.
Numa intervenção claramente orientada para a mudança de mentalidade, o CEO da Airmet defendeu que os principais desafios que hoje pressionam a distribuição — desde a concorrência do online à guerra de preços, passando pela legislação, margens ou alterações nos custos operacionais — não se resolvem com resignação, mas com diferenciação.
Não é porque “alguém vende mais barato ou porque alguém vende online ou porque o cliente procura preço (…) é por haver capacidade de conhecimento que seja resiliente o suficiente (…) para sermos melhores que os demais”, sublinhou.
A mensagem surge num momento particularmente relevante para o setor, em que muitas agências procuram redefinir o seu posicionamento, reforçar nichos e valorizar a componente consultiva do negócio — temas que, de resto, marcam o programa do Airmet Summit, que inclui sessões sobre especialização, gestão e nichos de mercado.
Mas talvez a frase mais forte da intervenção tenha sido o apelo à liderança e à adaptação. “Liderar com coragem”, resumiu Miguel Quintas, defendendo que o futuro não será de quem mantém os mesmos modelos, mas de quem consegue interpretar o mercado antes dos outros.
Na reta final da intervenção, o responsável citou ainda Darwin para reforçar a ideia de adaptação contínua: “Não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se adaptam mais depressa.” A mensagem deixa um sinal claro para as agências portuguesas: num mercado em que reservar viagens está cada vez mais acessível, o verdadeiro diferencial poderá estar menos no produto… e cada vez mais na capacidade de transformar conhecimento em valor.
Por Pedro Chenrim, na Airmet Summit, no México.
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