A crescente influência da inteligência artificial no turismo está a levantar uma questão central para o setor: como competir num mercado dominado por grandes plataformas globais?

Foi este o ponto de partida da intervenção de Miguel Quintas, chairman da AIRMET e do Consolidador.com, durante a mesa-redonda da V Conferência Smart & Green Tourism, que contou com a participação de Luís Monteiro, responsável na Amazon Web Services (AWS) pelas áreas de Travel, Aerospace e Hospitality na região EMEA, e Rui Ribeiro, marketing manager da Booking.com em Portugal. “Como é que vamos conseguir competir com grandes empresas?”, questionou o alavancador deste painel, referindo-se a players como a Booking.com ou a Amazon, e outras grandes empresas tecnológicas.
Para muitos empresários do turismo, a inteligência artificial representa simultaneamente uma oportunidade e uma ameaça. “Há algum entusiasmo, mas também algum receio”, admitiu.
A principal preocupação prende-se com a capacidade de acompanhar a evolução tecnológica e de competir num ecossistema cada vez mais dominado por dados e plataformas digitais.
Uma nova cadeia de valor
Ao longo do debate, ficou claro que a inteligência artificial está a reconfigurar profundamente a cadeia de valor da distribuição turística.
Segundo Luís Monteiro, quem não acompanhar esta transformação arrisca-se a perder relevância. “A cadeia de valor vai reorganizar-se e quem não estiver no jogo vai tornar-se um player secundário”, alertou.
Mais personalização, mais diferenciação
Apesar do risco de “comoditização” trazido pela tecnologia, a personalização surge como um fator de diferenciação.
“Mais personalização é, por definição, mais diferenciação”, explicou Luís Monteiro.
A capacidade de adaptar produtos e experiências às preferências individuais dos clientes poderá tornar-se um dos principais fatores competitivos.
O verdadeiro negócio: ajudar a decidir
Um dos momentos mais marcantes do debate foi a referência a uma ideia de Jeff Bezos sobre o papel das plataformas digitais. “Não estamos no negócio de vender coisas às pessoas, estamos no negócio de ajudar as pessoas a tomar decisões de compra”, recordou.
No turismo, esta lógica ganha ainda mais relevância numa indústria onde a escolha do cliente é determinante para a experiência final.
Por Inês Gromicho e Pedro Chenrim. Fotos @Raquel Wise/Ambitur




















































