Relativamente ao setor da distribuição de viagens em Portugal, Miguel Quintas, CEO da Airmet, considera que este tem de facto desafios muito grandes e a evolução tem sido muito rápida nos últimos anos. Acima de tudo, indica o entrevistado que está a sentir-se uma concentração muito grande com o respectivo impacto. No entanto, considera, à margem do Airmet Summit que decorre no México, com 40 das suas agências associadas, que no caso da distribuição específica de Portugal existe um distanciamento grande entre empresas “e muitas vezes as pessoas esquecem-se que os problemas são comuns”, mas “tem se sentido justamente o inverso”.
No que diz trespeito às agências de viagens e ao seu modelo de negócio, Miguel Quintas relembra que estas têm uma noção muito clara que o mundo está a mudar e que a tecnologia, o acesso à informação, às necessidades dos consumidores é extremamente volátil e sabem que é fundamental ter isso no seu próprio dia-a-dia. Mas, “muitas vezes a dificuldade está na sua capacidade de investimento”. Se por um lado se assiste a uma concentração em termos de grupos de gestão, por outro lado ainda é bastante atomizado (aparecimento e multiplicação de consultores de viagens, por exemplo). Logo, “a capacidade de aceder a ferramentas, a tecnologia, a informação, ao mercado, ao cliente, à promoção, é difícil para entidades que têm pouca capacidade financeira e, portanto, acredito que fruto disso vai existir ainda mais concentração da distribuição”, refere o responsável.
“Acreditamos que os clientes estão a segurar as reservas”
2026 prometia ser um ano muito bom para o setor das viagens, mas os últimos indicadores deixam outras tendências. Contudo, o responsável desdramatiza. “Infelizmente, este ano, a partir de 28 de fevereiro, surgiu uma guerra, o mercado demorou duas ou três semanas a reagir a essa guerra porque pensava que era uma guerra relativamente curta, não tem sido infelizmente para o setor e, portanto, o que existiu foi uma desaceleração das reservas”. Indica Miguel Quintas que registaram um crescimento até essa altura de 5%, mas atualmente há uma estagnação. “Isto não significa que as reservas não venham a acontecer, o que acontece é que uma proteção daquilo que é a decisão de segurança futura. Portanto, acreditamos que os clientes estão a segurar as reservas, por um lado, e vão realizá-las lá mais na frente porque a pesquisa continua a existir”, acrescenta.
“Coragem e adaptabilidade”
Relativamente à Airmet Summit e ao que se pretende passar aos associados, refere o entrevistado que a primeira mensagem é que no mercado, pese embora as contingências do mundo se alterem com muita velocidade e com muita frequência, as agências têm demonstrado a sua capacidade de adaptar, de se flexibilizar e de se adaptar à tradução dessas necessidades.
Sendo assim, quer a Airmet que os agentes de viagens continuem a apostar no conhecimento, na capacidade de entender a realidade do mercado, em entender o cliente, em tecnologia, “porque é a única forma de garantir que somos entidades adaptativas em função do mercado das viagens e das distribuição”. O segundo grande pilar, destaca Miguel Quintas, é na mensagem: “É preciso ter coragem, de aprender, de sair do sítio onde estamos, de nos tornarmos diferentes, de sair do nosso sofá, do nosso conforto e ir à procura deste tal conhecimento”. Concluindo, “a mensagem que nós queremos deixar é exatamente a coragem e adaptabilidade”.
Por Pedro Chenrim, na Airmet Summit, no México.
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