Liderar um hotel é hoje muito mais do que garantir a excelência operacional. Entre equipas, hóspedes, estratégia, inovação e resultados, os diretores hoteleiros assumem um papel cada vez mais determinante na evolução do setor. Em “Na Direção de um Hotel com…”, a Ambitur conversa com alguns dos profissionais que estão na linha da frente da hotelaria nacional. Desta vez conversamos com Rui Freitas, diretor do The Log Porto Hotel.

Antes de mais, fale-nos do hotel que lidera atualmente e do seu posicionamento no mercado.
Atualmente lidero o The Log Porto Hotel, uma unidade de 4 estrelas com 162 quartos, integrada no grupo Piamonte Hotels e situada numa zona estratégica da cidade do Porto. O Hotel nasceu com uma proposta contemporânea, assente numa experiência confortável, diferenciadora e próxima do cliente, procurando equilibrar qualidade de serviço, autenticidade e eficiência operacional. Sendo uma unidade recente, tivemos também o desafio de construir posicionamento e reputação praticamente de raiz, num mercado altamente competitivo e em constante evolução.
Paralelamente, desenvolvemos também o restaurante Nó & Veio, um conceito criado de forma integrada com a identidade do Hotel, reforçando a importância crescente da componente gastronómica enquanto elemento diferenciador da experiência hoteleira.
O que significa hoje estar na direção de um hotel?
Hoje, estar na direção de um Hotel significa muito mais do que garantir o bom funcionamento da operação.
O diretor de hotel tornou-se um gestor transversal, que precisa de conciliar gestão financeira, liderança de equipas, experiência do cliente, estratégia comercial e marketing, reputação online e adaptação constante à evolução do mercado.
Ao mesmo tempo, acredito que continua a existir uma dimensão profundamente humana na hotelaria. Liderar um hotel é liderar pessoas — tanto equipas como clientes — e isso exige presença, empatia, capacidade de decisão e consistência.
Quais são atualmente os maiores desafios de gerir uma unidade hoteleira?
Um dos maiores desafios passa, sem dúvida, pela gestão e retenção de talento. Hoje, as equipas procuram mais do que estabilidade: procuram propósito, reconhecimento, equilíbrio e oportunidades de crescimento.
Outro desafio importante é acompanhar a velocidade da transformação do setor. O mercado mudou muito nos últimos anos e o hóspede tornou-se mais informado, mais exigente e mais atento ao detalhe.
Existe também uma pressão constante para equilibrar rentabilidade com qualidade de serviço, mantendo simultaneamente identidade, diferenciação e consistência operacional.
Como define a sua filosofia de liderança e gestão de equipas?
A minha liderança baseia-se muito na proximidade, na empatia e no respeito pelas pessoas. Não acredito em modelos de liderança excessivamente rígidos ou distantes da operação. Gosto de estar presente no dia a dia, acompanhar as equipas de perto e criar um ambiente onde exista confiança, entreajuda e boa comunicação entre todos os departamentos.
Acredito que as melhores operações são construídas através de relações saudáveis, espírito de equipa e sentido de responsabilidade partilhada. Procuro incentivar uma cultura onde todos se sintam valorizados, respeitados e envolvidos no projeto, independentemente da função que desempenham.
Ao mesmo tempo, considero fundamental liderar pelo exemplo, mantendo exigência, consistência e foco nos objetivos, mas sem perder a componente humana que considero essencial na hotelaria.
Que tendências estão a transformar a forma de gerir hotéis — da tecnologia ao talento?
A tecnologia está a transformar profundamente a hotelaria, sobretudo ao nível da personalização da experiência, automação de processos, Revenue Management e análise de dados. No entanto, acredito que o verdadeiro desafio será encontrar equilíbrio entre
eficiência tecnológica e autenticidade humana. O hóspede valoriza rapidez e conveniência, mas continua a procurar ligação emocional e experiências genuínas.
Ao nível do talento, acredito que as novas gerações valorizam cada vez mais ambientes de trabalho saudáveis, relações transparentes e líderes próximos das equipas. A hotelaria sempre foi um setor exigente, mas hoje tornou-se ainda mais importante criar culturas baseadas em respeito, comunicação, entreajuda e equilíbrio humano.
No futuro, acredito que os hotéis que conseguirem cuidar verdadeiramente das suas pessoas serão também aqueles que conseguirão entregar as melhores experiências aos clientes.
Que conselho daria a quem ambiciona um dia chegar à direção de um hotel?
Diria que é fundamental construir um percurso sólido, com vontade de aprender e disponibilidade para conhecer diferentes áreas da operação. A hotelaria exige dedicação, capacidade de adaptação e muita resiliência, mas oferece também oportunidades muito gratificantes para quem realmente gosta do setor.
Acredito igualmente que é importante saber aproveitar oportunidades quando elas surgem. O meu percurso até à direção aconteceu relativamente cedo, mas isso só foi possível através de muito trabalho, disponibilidade para assumir responsabilidades e vontade constante de evoluir.
Considero também essencial aprender com as pessoas que nos acompanham ao longo do caminho — colegas, líderes e equipas — procurando absorver o máximo de conhecimento, experiências e diferentes formas de trabalhar. A hotelaria é uma escola permanente e acredito que crescemos muito através da partilha e da observação diária.
Mais do que procurar um cargo, considero essencial desenvolver competências humanas e perceber que os melhores resultados surgem quando existe consistência, espírito de equipa e paixão genuína pela hotelaria.
Em poucas palavras…
Uma decisão difícil: Assumir a direção de um hotel em fase de abertura aos 29 anos, num contexto de elevada exigência operacional e estrutural.
Uma aprendizagem: Perceber que liderança não se impõe através da função, mas conquista-se diariamente através da confiança, do exemplo e da forma como tratamos as pessoas.
Uma visão para o futuro: Acredito numa hotelaria cada vez mais tecnológica e eficiente, mas onde a verdadeira diferenciação continuará a estar nas pessoas, na autenticidade e na capacidade de criar relações humanas genuínas.




















































