O desafio de Adolfo Mesquita para o turismo tem três faces

O desafio de Adolfo Mesquita para o turismo tem três faces

Categoria Advisor, Política

A falta de conhecimento empírico dos mercados emissores turísticos para o país e a não definição de um indicador que se pretenda atingir, o resgaste das decisões estratégias no turismo por parte de quadrantes políticos e o impacto das transformações digitais no setor são as três grandes faces/ estrangulamentos do grande desafio que Adolfo Mesquita Nunes, ex-secretário de Estado do Turismo, aponta para o futuro do turismo nacional. O responsável foi o key note speaker do painel “Turismo em Portugal: Os desafios do Crescimento”, que teve lugar hoje, em Ponta Delgada, nos Açores, no âmbito do 44º Congresso da Associação Portuguesa Nacional das Agências de Viagens e Turismo.

Para Adolfo Mesquita Nunes o primeiro desafio/ estrangulamento que deteta para o crescimento do turismo em Portugal é o do «conhecimento». Defende o responsável que não há dados e/ou dados compostos que permitam dizer que, por exemplo, estamos em fim-de-ciclo ou, mesmo, que estamos a registar um abrandamento do número de turistas, pois os dados existentes são insuficientes. Para o responsável “o conhecimento dos dados é o petróleo do turismo”.

Por outro lado, o responsável indica que outro dos elementos que falta para o crescimento do turismo nacional é um indicador matriz que norteie as decisões e estratégias a serem tomadas. Adolfo Mesquita Nunes defende que aquele que deveria imperar é o do crescimento de receitas, pois é “quantitativo, sendo ao mesmo tempo qualitativo”. Faz reparar o ex-secretário de Estado do Turismo que “se olharmos para este indicador isso significa que não há qualquer fim de ciclo do crescimento do turismo em Portugal.” Concluindo, o responsável indica que “não há consensualização do indicador que queremos seguir”.

O segundo desafio/ estrangulamento identificado por Adolfo Mesquita Nunes relativamente aos desafios do crescimento do turismo português está relacionado com as decisões públicas/ políticas. “Apesar de ter havido uma política constante para o setor, nos últimos anos, independentemente da força partidária que lidera o Governo, isso está a mudar, porque na Europa o quadrante político dominante considerou o turismo como símbolo do capitalismo da globalização”. Para o responsável “o turismo vai passar a estar nas mãos das forças políticas, é o caso do alojamento local em Portugal, em que não houve critério técnico na decisão da recente legislação, mas sim pessoas que tiveram que salvar a face a declarações feitas. Assim será no futuro com outras questões/ decisões estratégicas do turismo, como ao nível de orçamento, legislação, entre outros”.

O terceiro desafio/ estrangulamento referido pelo ex-secretário de Estado do Turismo diz respeito à transformação digital do setor. “Investimentos são necessários como foram há alguns anos; atenção à velocidade a que se está a transformar a organização dos gestores de destinos e empresas. É também necessário estar atento ao fator criatividade”, indica o interlocutor.

Resumindo, para Adolfo Mesquita Nunes, “temos que transformar Portugal num país inteligente, num país onde as novas realidades são implementadas. Temos de vencer o desafio de transformar o país onde se testam as novas realidades, pois isso traz mais investimentos, mais ideias e mais pessoas”.

Pedro Chenrim, em Ponta Delgada, no 44º Congresso Nacional da APAVT