“O novo aeroporto de Lisboa tem uma elevadíssima importância estratégica para o país e a crise Covid-19 não pode ser desculpa para tudo”

“O novo aeroporto de Lisboa tem uma elevadíssima importância estratégica para o país e a crise Covid-19 não pode ser desculpa para tudo”

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), esteve ontem presente na sessão de abertura do XVII Congresso da ADHP, em Fátima, e reconheceu que desde 1993 que não tínhamos um ano turístico tão mau como o de 2020. E, por isso mesmo, pelo facto de representar mais de 10% do PIB nacional, de gerar milhões de euros de receita e de empregar centenas de milhares de portugueses, o responsável alerta que “tem de estar entre as prioridades do Governo para relançar a economia nacional”.

Motivo pelo qual, adianta, “é preciso não deixar cair uma obra estruturante para o país, e absolutamente essencial para a nossa atividade, como o novo aeroporto de Lisboa”. Francisco Calheiros admite que a pandemia possa ter apagado da memória os congestionamentos do atual aeroporto e as “graves limitações” que a infraestrutura apresentava em 2019. Mas, frisa, “o novo aeroporto de Lisboa tem uma elevadíssima importância estratégica para o país e a crise Covid-19 não pode ser desculpa para tudo”. Pelo que a CTP exige que esta situação seja clarificada de uma vez por todas: “Chega de adiamentos e recuos”.

O presidente da CTP acredita que o pior da pandemia já passou e que, “lentamente”, estamos a recuperar. “Parecem agora muito longínquos os 27 milhões de turistas que recebemos em 2019 mas temos a expectativa não só de recuperá-los mas de a estes ainda acrescentar-lhes alguns milhões”, aponta. Para isso, explica, “é preciso trabalhar ainda mais” e investir em áreas chave para o sucesso da atividade turística, nomeadamente, a educação e o emprego no setor, as noas formas de trabalho e relações laborais, a inovação, a sustentabilidade, as ligações aéreas, a segurança sanitária e a promoção turística.

Além disso, Francisco Calheiros acrescenta uma vertente “importantíssima” e que tem sido um “grande cavalo de batalha” da CTP: as empresas. “Tratando-se das empresas que atuam no setor mais exportador, empregador e gerador de riqueza, e simultaneamente aquele que mais sofreu com a pandemia, as atenções deviam ser redobradas”, defende.

O dirigente não deixa ainda de abordar o PRR e a “grande desilusão” de não ter aí incluído o setor do turismo. Quanto ao Plano Reativar Turismo – Construir Futuro, apresentada na passada semana, considera positivo mas lembra que tem de ser concretizado no curto e médio prazo, pois as empresas de turismo ainda estão a sofrer na pele os efeitos de meses consecutivos de inexistência absoluta de receitas. “De nada valerá conseguirmos captar mais turistas se tivermos uma oferta debilitada, com menos ou pior serviço, com equipas exaustas e reduzidas”, atenta. E por isso mesmo Francisco Calheiros apelou à secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, também presente nesta sessão, “a mais um esforço da sua parte para que este plano seja operacionalizado com a maior brevidade possível”.

A CTP aguarda agora que arranquem rapidamente os instrumentos de apoio à capitalização das empresas, bem como o fundo para a capitalização das empresas, a linha de crédito com garantia para refinanciamento e reescalonamento da dívida pré-Covid, e a linha de crédito com garantia para financiamento de necessidades de tesouraria. “Do nosso lado fica o compromisso de desenvolvermos todos os esforços para que o próximo ciclo de fundos comunitários inclua programas específicos para o turismo com orçamentos, concursos, avisos e domínios temáticos próprios”, avançou o responsável.

Inês Gromicho