O Turismo Industrial é uma das primeiras grandes respostas “ao desafio do crescimento e da diversificação”

O Turismo Industrial é uma das primeiras grandes respostas “ao desafio do crescimento e da diversificação”

Categoria Advisor, Associativismo

Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, lançou o mote para o debate no 3º Webinar “Turismo Industrial em Portugal”, que teve lugar ontem, dia 25 de fevereiro, afirmando que o Turismo Industrial, assim como outros segmentos como o enoturismo ou o ecoturismo, são “a primeira grande resposta ao desafio do crescimento e da diversificação”, um dos quatro eixos que identifica como essenciais nesta que é a quarta presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Enquanto indústria viva e património produtivo, o Turismo Industrial também será uma resposta a um segundo grande desafio que se prende com uma oferta competitiva e inovadora. Um terceiro desafio apontado é a possibilidade de criar e desenvolver novos modelos de negócio, sendo que o responsável acredita que em muitos casos deixaremos de ter uma ideia clássica de modelos de negócio ligados ao turismo, com outras variáveis a surgirem no horizonte e novos segmentos de procura.

“Vemos este webinar como um sinal muito forte desta coesão e rede colaborativa entre aquilo que é a política pública, o Turismo de Portugal, as entidades regionais, as agências de promoção externa, que terão aqui mais um conteúdo rico para podermos continuar o trabalho da internacionalização”, frisou Pedro Machado. E adianta: “Queremos dar um contributo para reforçar a ambição nacional de rapidamente sairmos deste estado de pandemia para voltarmos à esperança e àquela que é a indústria da paz e do sorriso”.

O webinar trouxe o exemplo da Rede Europeia de Património Industrial, representada por Christiana Baum, que está aberta à integração de projetos portugueses, tendo já em oferta mais de dois mil lugares em 50 países, e 21 rotas regionais.

Por cá, e mais concretamente na região Centro de Portugal, Cidália Ferreira, presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, trouxe um forte exemplo de uma região com uma história ligada à indústria do vidro desde o século 18, e à indústria dos moldes e plásticos a partir do século 20. O concelho juntou dois setores distintos, a indústria e o turismo, oferecendo uma descentralização da oferta turística ao longo do ano. O objetivo foi conjugar a preservação do espólio industrial do concelho com a divulgação de unidades fabris. Tudo isso com a meta de dinamizar a economia local e regional, e o potencial turístico da Marinha Grande. “A indústria pode ser visitada”, sublinha a responsável. E há várias instituições que são já visitáveis neste município, como o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), o CENCAL – Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica ou o Museu do Vidro, o único especificamente vocacionado para o estudo da arte, artesanato e indústria vidreira em Portugal.

Já no Fundão, Paulo Fernandes, presidente desta autarquia, veio apresentar o Projeto Rio, que resulta da reabilitação de um antigo couto mineiro das Minas da Panasqueira, encostado ao Rio Zêzere, e desativado em 1995, ficando assim ao abandono. O responsável esclarece que existe um projeto de desenvolvimento sustentado para a sua revitalização, que implica a cooperação entre os atores locais e os agentes institucionais e associativos, e uma intervenção sobre o património mineiro assente em componentes culturais, artísticas, sociais e científicas. Os objetivos deste projeto é pois revitalizar este couto mineiro enquanto “aldeia viva”, criar novos centros de competência e equipamentos que potenciem os recursos locais, e constituir um parque temático mineiro de forte potencial turístico, de relevo internacional. Dos armazéns gerais a ideia é criar o Restaurante Cantina do Mineiro, e da antiga messe da GNR, um albergue da Juventude. Já o Bairro Chinês dará origem a turismo de aldeia, e a Lavaria a um equipamento sócio-cultural, entre outros elementos previstos.

Francisco Afonso, do New Hand Lab, na Covilhã, fala-nos da Fábrica de Lanifícios António Estrela/ Júlio Afonso, um projeto invulgar ligado à histórica dos lanifícios deste concelho. O New Hand Lab propõe uma viagem que remonta ao século 17, onde podemos conhecer vestígios daquela que se julga ser a primeira manufatura de lãs do país. A participação em feiras e protocolos com várias entidades fizeram crescer o número de visitantes. E recentemente integrou o projeto Creatour, que tem como objetivo desenvolver destinos de turismo criativo em cidades de pequena dimensão, uma oportunidade para capacitar o projeto com novas ferramentas, pensando em atrair segmentos de públicos mais específicos. E mais recentemente abraçou também o projeto da criação de uma rede portuguesa de turismo industrial, a qual acredita poder ser a definição mais exata para esta proposta de valor.

Inês Gromicho