“O turista não é low cost mas utiliza as ferramentas low cost””

by Pedro Chenrim | 21 Outubro 2014 09:47

A importância do mercado interno e do mercado interno alargado foi ontem discutida no painel “Revitalizar o mercado interno”, no âmbito de mais uma edição do Congresso Nacional de Hotelaria e Turismo, que decorre até hoje, em Braga.

 

Com base na realidade actual do sector do turismo e lembrando que o turismo interno cresceu em Portugal , este ano, cerca de 14%, a importância do turismo interno no combate à sazonalidade e a acção do Governo na desregulamentação do sector, Adolfo Mesquita Nunes,começou por colocar algumas questões em cima da mesa: “Como se explica o crescimento do turismo interno se não houve uma aposta especifica, forte e determinada do Governo neste segmento? Significa que os portugueses já têm um conhecimento aspiracional de Portugal? Qual é a avaliação que o sector faz da actuação do Governo no que diz respeito às iniciativas que têm visado desregulamentar a actividade turística? Devemos fazer uma aposta apenas no turismo de qualidade, deixando para trás turistas e empreendimentos de classificações intermédias? Há que olhar para o mercado espanhol como essencial para a nossa actividade turística?”.

Para o secretário de Estado do Turismo, e apesar &dos turistas portugueses tenderem a pagar menos que os estrangeiros e, consequentemente, as regiões que recebem um maior número de turismo interno terem por norma valores de RevPar mais baixos”, “o turista interno e espanhol, pela sua repetição, têm um papel importante que nenhuma estatística poderá dizer”.

 

Uma opinião também partilhada pelo ex-secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, que afirmou que o mercado espanhol tem um peso muito significativo& para Portugal. Referindo-se, especificamente, à promoção externa e ao trabalho que tem vindo a ser feito em conjunto entre Espanha e Portugal, Bernardo Trindade, administrador do grupo Porto Bay, explica que &quando falamos de mercados longínquos, era importante que o Turismo de Portugal e o Turismo de Espanha trabalhassem em conjunto.

 

Dando como exemplo o mercado chinês, onde não é significativo separar Espanha e Portugal&, o empresário lembrou que& Portugal não tem ligações aéreas à China, mas Espanha tem& e por isso, tem tudo a ganhar com uma promoção concertada para que &um turista chegando a Barcelona considere Portugal. Destinos ou ferramentas low cost? Na mesma ocasião, Pedro Alonso, director do El Corte Ingles, esclareceu que o problema não está no conceito de low cost em si, mas sim nos destinos low cost. Nós podemos ir a um destino como Paris ou Londres através de uma companhia aérea low cost &e não faz destas cidades destinos de baixo custo.

 

 

“O turista não é low cost mas utiliza as ferramentas low cost”, complementou Adolfo Mesquita Nunes, lembrando que “hoje onde se mede a dimensão económica do turista já não é no quarto de hotel, mas é naquilo que o turista deixa na economia, nos empregos que cria e nas outras áreas da economia que coloca e que põe a mexer&. em conta a realidade de Portugal, onde o turismo interno ainda é sinónimo de “baixo” RevPar, António Neto, Conselheiro de Turismo da Embaixada de Espanha, chamou a atenção para o facto de, para Espanha, &Portugal estará longe de ser um mercado emissor low cost”. &É o sétimo mercado emissor mais importante para Espanha, e gasta mais do que a média de turistas (cerca de 750 milhões de euros). É um turista importante como mercado emissor internacional&, afirmou.

No final do painel, Luís Veiga, presidente da AHP, alertou para 2o facto de o Sr. secretário de Estado do Turismo ter levado conversa para o low cost esquecendo-se de um ponto que é a questão da perfusão do alojamento local e do alojamento ilegal” que pode, segundo o responsável,  “transformar-nos num destino low cost”. Adolfo Mesquita Nunes afirmou que &o arrendamento de apartamentos a turistas é um fenómenos que veio para ficar. Não penso que seja função do Estado dizer ao turista para não ir para um apartamento porque tem que ir para a hotelaria, mas também estou certo que, certamente, futuros governos alterarão essa regra”.

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