Com mais de duas décadas de operação em Cabo Verde, onde construiu parte relevante da sua história na hotelaria, o grupo português Oásis Atlântico Hotels & Resorts prepara-se agora para reforçar uma nova frente de negócio: o imobiliário turístico. O ponto de partida chama-se Salinas Residence, um novo empreendimento a nascer em Santa Maria, na Ilha do Sal, e que marca uma nova etapa estratégica para o grupo liderado por Alexandre Abade.

Localizado junto ao mar, à entrada de Santa Maria — o principal centro turístico da Ilha do Sal —, o Salinas Residence foi concebido como um empreendimento multifuncional que alia turismo, investimento e lifestyle. O projeto integrará cerca de duas centenas de apartamentos T0, T1 e T2, distribuídos entre unidades para investimento turístico e apartamentos para usufruto direto, além de áreas comerciais, escritórios, restauração, piscinas, ginásio e campos de padel.
Para Alexandre Abade, CEO do grupo hoteleiro, o momento para avançar com este investimento surge de uma evolução natural do destino e da própria maturidade do grupo. “Ao longo destes 25 anos temos procurado desenvolver o turismo em Cabo Verde a partir dos nossos hotéis e resorts e em parceria com agências de viagem e tour operadores de todo o mundo. Agora, o alargamento dos voos para Cabo Verde tornou a acessibilidade mais fácil e, deste modo, projetos como o Salinas Residence mais atrativos para pessoas que querem combinar investimento (rentabilidade) e usufruto (lazer)”, explica o CEO.
A entrada mais estruturada na vertente imobiliário-turística não é, contudo, totalmente nova. Segundo o responsável, esta aposta já vinha a ser preparada antes da pandemia. “Esta área já estava a dar os primeiros passos antes da pandemia, em fase de teste. Com o lançamento do Salinas Residence contamos que a mesma possa vir a ser um segundo pilar no desenvolvimento do grupo, sempre de forma intimamente ligada à exploração hoteleira”, sublinha.
Modelo com rendimento garantido
Uma das principais apostas do Salinas Residence passa precisamente pelo modelo de investimento apresentado aos compradores. Os apartamentos turísticos serão comercializados com contrato de exploração obrigatória com a Oásis Atlântico durante 15 anos, incluindo uma rentabilidade anual progressiva e quatro semanas de utilização anual pelos proprietários.
Alexandre Abade reforça que esta simplicidade foi um dos princípios base do conceito. “O retorno para os investidores é garantido, através da aplicação de um percentual sobre o seu investimento, para além das quatro semanas de utilização permitidas por ano. Isto permite ter tranquilidade no investimento”, afirma.
Quanto à operação turística do empreendimento, o CEO reconhece que o crescimento será gradual, como acontece em qualquer ativo turístico em fase de lançamento. “Relativamente a vendas e ocupação turística, terá certamente um crescendo ao longo dos primeiros anos de atividade, como é comum em projetos turísticos, na medida em que sejamos capazes de promover o produto e torná-lo conhecido no mercado, gerando estadias que sejam do agrado dos nossos clientes e potenciando uma imagem positiva do empreendimento.”
A decisão de assumir um compromisso contratual de exploração de longo prazo assenta, segundo Alexandre Abade, na confiança do grupo no destino e na consistência do modelo. “Acreditamos no projeto e acreditamos no crescimento do turismo em Cabo Verde, e especificamente no Sal. Quisemos oferecer um produto que fosse muito simples e transparente para os investidores. Isso implica ter uma taxa de rendimento garantido, sem surpresas ao longo do período de vida útil do contrato.”
O lançamento do Salinas Residence acontece num momento em que Cabo Verde continua a ganhar notoriedade internacional enquanto destino turístico e de investimento. Para o CEO da Oásis Atlântico, o país reúne fatores diferenciadores face a outros mercados concorrentes. “Cabo Verde tem a vantagem de ser um destino estável e tranquilo, a relativamente curta distância da Europa. O aumento da oferta de ligações aéreas a nível internacional permite proporcionar um acesso mais fácil ao mesmo. É natural que nestas circunstâncias Cabo Verde siga as pisadas de outros destinos concorrentes, onde produtos equivalentes ao Salinas Residence são já habituais.”
Experiência acumulada aplicada ao novo projeto
O Salinas Residence surge depois de outros investimentos imobiliário-turísticos promovidos pelo grupo, como o Salinas Sea e o Tarrafal Alfândega Suites, ambos apontados pela empresa como casos de sucesso.
Segundo Alexandre Abade, essa experiência foi essencial para o desenho deste novo produto. “No Salinas Residence essencialmente procurámos simplificar aquilo que é a nossa oferta para os investidores. Algo que já estávamos a fazer também no Tarrafal Alfândega Suites”, refere.
Mas o conceito foi também pensado especificamente para Santa Maria. “Todo o projeto foi desenhado para o contexto de Santa Maria e do Sal, onde a motivação de estadia é clara — ter uma das melhores praias de Cabo Verde acessíveis e ter a possibilidade de disfrutar de Santa Maria, dos seus restaurantes e cafés com música ao vivo, permitindo uma experiência autêntica na Ilha do Sal.”
Primeira fase arranca em setembro — e metade já está vendida
O Salinas Residence será desenvolvido por fases. “A construção da primeira fase arranca em setembro e tem duração prevista de 18 meses”, adianta Alexandre Abade.
Segundo o responsável, o plano global é bastante mais ambicioso: “É nossa expectativa de que as fases seguintes, estão previstas mais 5 fases, possam ser aceleradas, permitindo uma conclusão rápida de todo o empreendimento.”
A procura inicial parece confirmar o interesse do mercado. “Temos cerca de 50% da primeira fase do empreendimento vendida”, revela.
Mais projetos já em preparação
O Salinas Residence não deverá ficar como um projeto isolado dentro da estratégia do grupo. Alexandre Abade confirma que esta aposta terá continuidade. “É uma área de negócio que constituímos antes da pandemia e onde estamos a apostar. Esta fase é apenas a primeira fase do Salinas Residence e haverão em breve outros produtos similares, na Boa Vista, Tarrafal e Praia. É uma área que já estava no plano estratégico do grupo e na qual vamos continuar a apostar.”
Por Inês Gromicho





















































