Operadores turísticos querem saber como Fátima se vai organizar para receber o Papa

Operadores turísticos querem saber como Fátima se vai organizar para receber o Papa

Os operadores turísticos que vão levar milhares de visitantes, sobretudo estrangeiros, a Fátima, a 12 e 13 de maio, querem saber como a cidade se vai organizar na visita do papa, disse fonte do setor. Cerca de 300 operadores turísticos, nacionais e estrangeiros, reúnem-se em Fátima, na quinta-feira, num seminário integrado num ‘workshop’ de turismo religioso, que conta com a participação de responsáveis do Santuário, GNR e Proteção Civil, e esperam obter respostas destas entidades sobre a logística relacionada com a visita papal.

“O seminário é exatamente para começar a perceber o que vai acontecer [na visita do papa] e para preparar muitos destes operadores, não apenas os estrangeiros e são muitos, mas também os nacionais”, disse à agência Lusa Alexandre Marto Pereira, vice-presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima [ACISO].

Os promotores do seminário, que vai reunir cerca de 700 participantes, dizem ter pedido à GNR que dê informações sobre a organização da cidade em termos logísticos, nomeadamente nos esperados constrangimentos muito fortes de trânsito ou como se vai fazer a circulação das centenas ou milhares de autocarros de turismo, criação de bolsas de estacionamento e transferência de visitantes destas para a zona do Santuário, “para essas pessoas não terem de vir a pé”, frisou Alexandre Marto Pereira.

“A organização das pessoas é incontornável, não há outra forma numa cidade tão pequena [15 mil habitantes] e com uma massa tão grande de gente [na visita do papa]”, acrescentou.

O responsável da ACISO não espera, porém, que sejam adiantadas informações sobre questões de segurança: “Não nos vão dizer certamente por onde vai passar o papa. Mas vai haver milhares de turistas estrangeiros que vão ficar a dormir em Lisboa, em Coimbra, na Nazaré, em Alcobaça, na Batalha, e que precisam de se deslocar para Fátima e para fazerem isso [os operadores] precisam de informação”, reafirmou.

“Se um grupo de americanos vem de Lisboa de autocarro, sai a que horas, chega a que horas, vão pará-lo? A polícia vai permitir que o autocarro entre em Fátima? E até onde? As pessoas são deixadas em que sítio e retornam como? Isto tem de ser muito bem organizado, muito bem pensado e os operadores estão extremamente preocupados em ter essa informação e isso é uma informação só logística”, argumentou.

Para Alexandre Marto Pereira, que é empresário de hotelaria e administrador de um grupo hoteleiro de Fátima, mesmo que o número de um milhão de visitantes [estimado pela autarquia de Ourém] não seja alcançado, a afluência de pessoas a Fátima a 12 e 13 de maio será extraordinária.

“Um grande jogo de futebol tem 50 mil pessoas, uma manifestação 100 mil. Mesmo que em Fátima não seja um milhão, mas sejam 500 ou 600 mil pessoas, são números absolutamente extraordinários e que merecem toda a atenção das autoridades”, defendeu.

O vice-presidente da associação empresarial local deu ainda o exemplo dos aeroportos da Polónia que estão a organizar-se para acolher os turistas que vão deslocar-se daquele país do leste europeu até Fátima.

“A embaixada de Portugal foi contactada pelo capelão do aeroporto de Varsóvia que a 15 de março [quarta-feira] organiza um encontro de capelães de todos os aeroportos polacos e de agências de turismo religioso polacas, para falar dos preparativos do serviço nos aeroportos aos peregrinos que vêm este ano a Fátima. Estão a preparar-se, lá, para enviarem as pessoas para cá. A questão é saber o que é que os nossos aeroportos estão a fazer?”, questionou Alexandre Marto Pereira.

“Achei muito curioso este ângulo, mostra como é que alguns países dão importância a um evento, às vezes mais do que os próprios que o recebem”, alegou.