Opinião: “A promoção de Portugal”

Categoria Advisor, Opinião

Um dos três colunistas (Frederico Costa e Luís Araújo, são os outros elementos) residentes da edição impressa de Ambitur, aborda na edição de Fevereiro a promoção turística do país fora de portas. Para Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé, na “eventual criação de uma nova agência nacional de promoção… tem que haver uma definição clara do âmbito de atuação da nova entidade para evitar duplicações e sobreposições de funções com o Turismo de Portugal, com as entidades regionais e com associações de promoção regional”.
Conheça na óptica do responsável quais as vantagens e riscos da criação deste novo organismo.

“A promoção de Portugal”
Começo estas linhas por reafirmar a minha convicção plena de que o grande esforço de promoção deve continuar a assentar numa marca e imagem chamada “Portugal”, pois é a única forma de conseguirmos competir nos mercados emissores com centenas de outros destinos.

Entre muitos outros argumentos, deixo aqui 3 observações simples que reforçam a necessidade de apostar na marca Portugal:
– A Turquia, que está hoje no Top Ten dos destinos turísticos a nível mundial, com uma população e área territorial significativamente superior à nossa, continua a assentar todo o seu esforço promocional na marca Turquia.
– A grande maioria dos turistas quando viajam para o exterior utilizam genericamente como referência o nome do país e este é a marca que fica presente na sua cabeça e na da sua rede de contactos.
– Grandes marcas globais com a Coca-Cola, ou, agora no caso português, a MEO, optam claramente por uma estratégia de comunicação que passa por uma única marca e imagem, na qual assentam todos os seus produtos e sub-produtos.

Por esta razão, a eventual criação de uma nova agência nacional de promoção pode garantir maior articulação na promoção da marca Portugal, obter economias de escalas, ser um facilitador na articulação entre públicos e privados e ser uma entidade ágil e eficaz, capaz de se adaptar e reagir rapidamente às constantes mudanças do mercado.

No entanto, também pode acarretar alguns riscos que serão necessários acautelar.

Tem que haver uma definição clara do âmbito de atuação da nova entidade para evitar duplicações e sobreposições de funções com o Turismo de Portugal, com as entidades regionais e com associações de promoção regional.

Deve atuar exclusivamente no âmbito da promoção externa coordenando e concertando as ações levadas a cabo pelas entidades regionais e associações de promoção de modo a que algumas ações que hoje são levadas a cabo a nível regional possam ter uma expressão nacional.

Deverá trabalhar essencialmente em áreas onde haja vantagens e economias de escala a nível nacional, nomeadamente:
· Presença de Portugal enquanto destino em feiras
· Organização de workshops nacionais nos mercados emissores
· Organização de press tripse fam trips multi-regiões
· Contratação de espaço publicitário online ou offline
· Contratação de agências de meios, de comunicação ou de assessoria de imprensa
· Organização de eventos de promoção de Portugal enquanto destino
· Organizar campanhas de comunicação junto de agências de viagens para aumentar a notoriedade e informação do destino (exemplos: apresentações de produto, sales Blitz de destino, distribuição de material, colocação de posters e distribuição de brindes).

Em resumo, a grande vantagem poderá ser realizar ações onde cada região individualmente não tem capacidade humana e financeira para atuar e o turismo de Portugal não tem a agilidade e rapidez necessária de adaptação ao mercado.

Em termos de produto, penso que a definição deverá continuar a ser maioritariamente local, tendo em conta as particularidades de cada região.

Concluo, acrescentando que deve ser uma entidade que possa juntar à mesma mesa as 7 regiões, as associações de promoção, o Turismo de Portugal e os privados representados pela CTP de modo a que o país possa ter uma estratégia concertada onde todos os envolvidos tem atuações complementares com o desígnio de aumentar o número de turistas e receitas para Portugal.

Gonçalo Rebelo de Almeida