Opinião: Wabi Sabi e Ubuntu para ti também!

Opinião: Wabi Sabi e Ubuntu para ti também!

Categoria Advisor, Opinião

Antes de iniciar esta crónica é necessário colocar já um alerta como nos filmes de bolinha vermelha: Esta crónica é só para “maiores de idade”, não aconselhável a pessoas muito sensíveis nem aos que sofrem de tensão alta, não deve ser lida em dia de mau humor. Dirige-se a entidades com capacidade de encaixe e molde B+. Porém, não contém ainda a pornografia de pagamentos semanais ao BSP, que não tarda são feitos à hora, não aborda o NDC IATA, por ser sentido como terrorismo refinado, não contém termos obscenos como taxas ou impostos verdes ou amarelos. Também, não tem qualquer menção às voltas e reviravoltas mirabolantes e estrambólicas para a ocupação de “camas” em eleições várias do setor em 2014/2015. A falha de interpretação ou do manuseio destas regras cheias de entrelinhas contidas na crónica, é da total responsabilidade do receptor e não carece de qualquer registo em plataforma alguma de controlo com tons quase ameaçadores.

O Emissor está consciente dos riscos que só podem ser 2: se a crónica for um sucesso todos (mesmo os que quase nunca vi) dirão que me conhecem e são os meus melhores amigos desde o tempo em que eu ainda nem sequer tinha nascido. Se não for do interesse para coisa alguma que alguns necessitem, nem a crónica e nem eu, não me conhecem de lado nenhum, acham que devo ser de outro país, e se registos existirem ainda por aí, apagam-se o quanto antes para erradicar o mal antes que seja viral e contagioso, afirmando aos 7 ventos que eu me portei muito mal. Não existe novidade nestas posições assumidas de forma alargada e historicamente registadas. Contudo, pouco importa, desde que a intenção e os efeitos sejam positivos. Às vezes, muitas vezes no turismo, para passar e criar uma mensagem com efeitos positivos multiplicadores, é necessário abrir uma “ferida” para obrigar o corpo a relembrar a gigante capacidade e competências que tem e voltar a reactivar os seus registos de processo de cura. Muitas vezes, cura-se a infecção aumentando a temperatura e o corpo criando um batalhão de anticorpos. Para quem está vacinado, do mal o menos.

Começa a crónica e já vai para o torto… que linguagem é esta? É aquela que está em consonância com a fama que é atribuída ao trade, cheia de estrangeirismos, de gente que passa a vida a “emigrar” e a voltar, onde só o que é estrangeiro é que é bom, bem, in, com termos à tia, ou de gente excêntrica, que fala estranho através de códigos e letras, que parece ainda viver muito tradicional com valor quase obsoleto (só nos safam desta fama aqueles que já entenderam que sob a designação de operação e distribuição existe de tudo, com várias actividades, em vários subsetores, agindo offline, online, “frontline”). Transpira ainda que nesta área mal começa a faltar o ar num, logo se aproveita para abafar mais o ar ou o retirar de vez, por portas e travessas para ninguém falar, ver, ouvir, … Algo que os portugueses são excelentes em fazer, fingir que são distraídos ou então desfasados do sentido de momento e/ou de lugar certo para agir. A variável da “altitude” a que se está, cria ainda efeitos díspares na falta de ar à medida que se sobe ou desce demasiado rápido na montanha do prestígio, do poder, do status. Ou seja, se se está na mó de cima existem pajens demais prontos para abanar o leque por todo o lado e a troco de nada… ou … ou de uma simples foto para o facebook, ou de um autografo que sirva só para comprovar à família que lá esteve, foi visto, fingiu que fez ou prometeu que vai fazer o que nem sequer vai pensar. Se a altitude é ao nível da mó de baixo ou quando se testam posições encenando este cenário… Não se livram de descobrir os piores resultados, do fugir ao vestir de imediato fatos protectores como se um doente com ébola se tratasse.

União? Compaixão? Ajuda? Respeito? Ética? Valores? Empenho? Será que deixaram de fazer parte da equação na tomada de decisões e acções? Teremos voltado à era tribal, do tempo da Zulu ou Xhosa, tribos afinal que eram já bem mais evoluídas do que as tribos de hoje, porque usavam a ideologia Ubuntu? Creio que estamos é mesmo na era tribal dos canibais. Vejamos porquê. Ao investigar liderança estratégica no turismo não posso estar mais elucidada sobre o assunto. Na pirâmide de Maslow passaram a estar as necessidades primárias/fisiológicas em quase todos os patamares. Sendo que passaram a ser deste tipo de necessidades, o poder a todo custo, a vaidade, o protagonismo, a apatia, as fam-trips mais do que trabalhar, a caça da melhor presa, a pesca do tacho, o acesso a rede sociais, ao wifi e mobile. O resto pouco se conhece. Felizmente que ainda existem tribos de profissionais que conseguem equilibrar a pirâmide nesta área maravilhosa e que usam o Ubuntu. Por exemplo, conheço uma tribo, uma turma de Turismo dos bons tempos do INP (este devia era dar-nos uma distinção), que há 24 anos celebra os laços de amizade, respeito, interajuda, partilha, com sentido de pertença que tem acções em prol do todo no turismo. Por ser fruto de algo assim, replico o efeito suave e subtilmente e assim vejo o ubuntu entrar em vós também. Afinal, ainda há vários players e profissionais que criam laços fortes de interajuda, de ação em equipa cujo objetivo é o benefício do todo. Regista-se que era assim há 40 anos, era assim há 25, ainda o era há 10 e espero que agora se recupere para que assim seja por mais 20 anos.

É vital para o turismo, e para o ser humano, interiorizar e agir coerentemente com ubuntu, onde “sou o que sou graças ao que somos todos” (Desdmond Tuto, 2007) é a máxima que só poderá trazer efeitos positivos para todos. Sinceramente, necessitam-se de mais voluntários para causas comuns, de mais solidariedade, que se aceite a interdependência, que haja mais confiança entre parceiros e nos líderes (não são todos iguais), que vejam que a imperfeição também pode trazer equilíbrio, que se aceitem diferenças de atuar, pensar e criar, com flexibilidade, mais originalidade e mais motivação. Sejamos mais UNIDOS, por favor.

Ubuntu é o segredo da sobrevivência em ambientes altamente selvagens, ferozes, VUCA (Google it) como os que vivemos hoje. Mas se ubuntu vos parece estranho, mudemos de coordenadas e vejam o mesmo princípio no Wabi Sabi (Google it, help yourself. Caso não tenham energia, nem Google, nem colega do lado a quem questionar, nem telefone, nem manual, podem sempre recorrer ao grupo dos agentes de viagens no facebook. Qual Google, qual manual, qual quê melhor que este local para não ter que mexer um dedo nem esforçar neurónios. Upppssss e com esta arruíno (ou não) qualquer ideia, presságio ou voto para um dia me tornar presidente da APAVT. Mas existem sempre outros locais e funções muito menos trabalhosos, remunerados, mais respeitados e reconhecidos pelos agentes de viagens – mesmo que façam 1000 vezes menos e com menos história que esta casa – e em que podem pensar em colocar-me brevemente.) Bom, aqui me despeço – Wabi Sabi e Ubuntu para ti também!

Maria José Silva, CEO da RAVT