Os 150 anos da EPAL: Uma viagem no tempo pelos túneis que formam o Museu da Água

Os 150 anos da EPAL: Uma viagem no tempo pelos túneis que formam o Museu da Água

Categoria Explore, Reportagem

Do Aqueduto das Águas Livres, passando pelo Reservatório da Mãe d´Água e pela Galeria subterrânea de Loreto, do Reservatório Patriarcal à Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, estes são alguns dos ex-libris que representam um importante capítulo da história do abastecimento de água à cidade de Lisboa. A Ambitur foi descobrir este roteiro patrimonial e tecnológico sobre a Água.

Museu da Água

Margarida Filipe, técnica do serviço educacional do Museu da Água, convida-o a viajar até ao ano de 1731, “numa altura em que a água potável escasseava na cidade”. Cerca de 150 mil habitantes “sobreviviam apenas com os chafarizes medievais, não conseguindo mais do que seis litros de água por dia por família”. Muitas vezes, “a água era motivo de conflito”, existindo relatos de poetas da época que não sabiam distinguir “água de sangue de tanto nariz partido junto dos chafarizes”.

É neste contexto que partilhamos uma viagem aos principais locais por onde a água passava até chegar aos lisboetas. Atualmente, a água chega através da rede domiciliária com infraestruturas seguras e de qualidade. No entanto, as antigas infraestruturas têm um legado para contar.

Aqueduto das Águas Livres

Numa tentativa de criar uma “cidade nova” e “dar água à população”, D. João V implementa o “real d´água”, um imposto para financiar o início à construção do Aqueduto das Águas Livres. Este imposto, segundo Margarida, “era uma espécie de IVA cobrado aos bens de primeira necessidade – a carne, a palha, o azeite, o sal e o vinho”. Mas, na verdade, este aqueduto “nunca conseguiu trazer à cidade mais do que quatro litros de água por dia e por pessoa.”

Classificado como Monumento Nacional, o aqueduto é hoje considerado um polo de atração para quem visita Lisboa, constituindo “um vasto sistema de captação e transporte de água por via gravítica num total de 58km de canalizações existentes entre as nascentes e os chafarizes da capital.” Uma obra demorada e complexa, mas bem pensada e “com uma estrutura de ferro que permitiu resistir ao terramoto de 1755”.

Estação Elevatória dos Barbadinhos

“Após o surgimento da segunda Companhia das Águas de Lisboa (CAL), à qual sucedeu a atual EPAL, é que entra em funcionamento a Estação Elevatória dos Barbadinhos”, explica a responsável pela expansão da distribuição domiciliária de água em Lisboa. Nas palavras de Margarida, estes blocos “foram um espaço de trabalho duro, onde havia apenas dois turnos com sete homens a trabalhar arduamente”, sendo que existiam cinco caldeiras alimentadas a carvão que faziam a elevação da água para abastecer vários reservatórios.

Depois de uma interessante explicação, queríamos perceber para onde a água era levada. “O Aqueduto dividia-se em cinco galerias subterrâneas, mas era ao Reservatório da Mãe d´Água que a água chegava”, explica a pedagoga. Dentro de uma clarabóia, fizemos um percurso de 410m até ao reservatório, um local emblemático onde o tanque com uma profundidade de 7,5 metros e o terraço panorâmico sobre a cidade de Lisboa se destacam. Foi aqui que fizemos uma “pausa” e nos deliciámos com um banquete digno de nobreza. Quem diria estarmos no mesmo local “do casamento de D. Luís I, rei de Portugal e D. Maria da Pia de Sabóia…”

Galeria Subterrânea do Loreto

Na Galeria Subterrânea de Loreto, com cerca de três quilómetros, terminou o nosso percurso. Destinada a “abastecer importantes chafarizes, entre os quais o de São Pedro de Alcântara e do Loreto”, inicia-se na Mãe d´Água das Amoreiras, desce em direção ao Largo do Rato e segue pelas ruas da Escola politécnica, D. Pedro V e Misericórdia até ao Largo de S. Carlos. “Longe da azáfama da cidade, esta galeria continua a ligar a cidade, mas por baixo da terra”, termina Margarida.

 

 

ROTEIRO
Em comemoração dos 150 anos da EPAL, até ao final do ano, aos fins-de-semana, visitar os núcleos do Museu da Água é gratuito.

Bilhetes Individuais:
– Aqueduto das Águas Livres – 3€
Horário – Terça-feira a sábado (10h-17h30) – encerra aos feriados

– Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras – 3€
Horário – Terça-feira a sábado (10h00 – 12h30 / 13h30 – 17h30) – encerra aos feriados

Reservatório da Patriarcal

– Reservatório da Patriarcal – 1€
Horário – Sábados (10h00 – 17h30) – encerra aos feriados

– Estação Elevatória a Vapor dos Barbabdinhos / Exposição Permanente – 4€
Horário – Terça-feira a sábado (10h00 – 17h30) – encerra aos feriados

– Aqueduto das Águas Livres + Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras – 5€
(validade 6 meses)

– Museu da Água (bilhete integrado 4 núcleos: Aqueduto das Águas Livres + Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras + Reservatório da Patriarcal + Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos) – 10€
(validade 1 ano após a compra)

Visitas Orientadas
– Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos – 5€
Horário – Terceiro Sábado de cada mês, às 10 horas

– Aqueduto das Águas Livres – 5€
Horário – Primeiro Sábado de cada mês às 11 horas

– Galeria Subterrânea do Loreto
Troço Casa do Registo – Miradouro São Pedro de Alcântara – 5€
Horário – Primeiro e último Sábado de cada mês às 11 horas e Sextas-feiras às 15 horas

– Troço Reservatório da Patriarcal – Miradouro São Pedro de Alcântara – 3€
Horário – Sábados às 11 e às 15 horas

Este artigo foi publicado na edição 312 da Ambitur.