(Os filhos das vinhas) Família Marta: uma das mais antigas do Douro

(Os filhos das vinhas) Família Marta: uma das mais antigas do Douro

Categoria Business, Empresas

Vinhas Martha'sContar a história do vinho em Portugal poderia ser difícil, até porque é algo que vai para além da fundação da própria nacionalidade. O consenso diz que a primeira vinha terá sido plantada cerca de 2000 a.C., no vale do Tejo e no vale do Sado. E hoje é inegável que o vinho é um símbolo cultural no nosso país, que já anda ao lado do turismo. E são já muitas as gerações que nasceram e cresceram no meio das vindimas, a pisar uvas, a cheirar e provar vinhos. Ambitur falou com algumas das famílias mais emblemáticas da história do vinho em Portugal, nomes incontornáveis um pouco por todo o país, alguns dos quais vão já na sua 10ª geração. Faça connosco esta viagem no tempo e por entre vinhas, conheça os rostos por trás das garrafas, saiba de que forma vão acompanhando a evolução dos tempos e, no final, deixe-se tentar com as suas sugestões…

Marthas Landscape CollectionComecemos então pelo ano de 1727, data do primeiro regulamento da Feitoria Inglesa do Porto, e aqui encontramos a família Marta. É uma das famílias mais antigas do Douro mas hoje, quem dá a cara pelo “negócio”, são os irmãos Pedro e Rita, o primeiro responsável pela gestão e distribuição nacional, e a segunda pela exportação. O pai, Manuel Pedro Marta, está na vinificação e enologia. Conta-nos Rita Marta que apesar de a família ser proprietária das vinhas e quintas desde 1727, foi o seu bisavô, a segunda geração da família, a lançar-se na comercialização das uvas produzidas nas zonas de Cambres e São João de Lobrigos, estando pois envolvidos na produção de vinhos há seis gerações. O nome “Martha” mantém-se na marca dos vinhos pois era o apelido dos antepassados da família mas esta é uma empresa 100% portuguesa, que se dedica, por tradição, à produção de vinhos do Porto de elevada qualidade.
Mas desengane-se quem pensa que o “peso” do tempo tornou o Grupo Marta menos flexível. Até porque, frisa Rita, “nos tempos de hoje o mercado muda de ano para ano” e acrescenta que a empresa tenta antecipar as mudanças com novos produtos e parcerias fortes. “A satisfação do cliente é o nosso foco e a qualidade dos nossos produtos tem sido fator chave para dar resposta à evolução dos mercados”, sublinha.
Marthas PINK portReconhecendo que ainda não tem o posicionamento desejado no que ao turismo diz respeito, Rita Marta revela que a empresa tem vários investimentos nesta área já planeados, nomeadamente o Museu Martha’s e uma rota enológica relacionada com a história da família e do vinho no seio do Douro. Novidade para já é que, após uma pausa de 30 anos, o grupo voltou a apostar em vinhos tranquilos, tendo lançado um branco e um tinto com a marca Fogo do Chão. “São, descomplicados, fáceis de beber, muito elegantes e aromáticos”, admite Rita. Lançaram também este ano um Extra Dry White e um PINK, para se aproximarem do público mais jovem, e a empresária garante que o sucesso foi imediato.

Tawnie Colheita MarthaRita e Pedro Marta (Martha’s), aconselham…

“Os Tawnies envelhecidos são sem dúvida obrigatórios. Estamos a falar dos Tawnies 10 anos, 20 anos, 30 anos, 40 anos e os Colheitas. São vinhos que passam anos, às vezes uma vida inteira, dentro de uma barrica de madeira. Quando se engarrafam são puro néctar!”

 

 

 

 

Leia aqui a história da Família Blandy na Madeira.

 

(Este texto está integrado numa Reportagem publicada na Edição 283 da Revista Ambitur)

 

 

Inês Gromicho