A entrada do pagamento faseado no setor das viagens está a ser feita com cautela. Ontem, na sede da UNICRE, a apresentação da parceria entre Consolidador.com, Parcela Já, UNICRE e Lufthansa deixou claro que o projeto assenta numa lógica de teste antes de escala.

A solução permite aos clientes pagar voos até seis prestações sem juros, mas a sua aplicação ao turismo levanta desafios específicos, sobretudo ao nível do risco de incumprimento. “É preciso conhecer bem o negócio do parcelamento para ter bem a noção de que isto tem algum risco”, afirmou Fernando Carvalho, administrador da UNICRE.
Ao contrário de outros setores, no turismo o consumo é imediato — o cliente viaja — enquanto o pagamento se prolonga no tempo. Esse desfasamento exige uma gestão de risco particularmente rigorosa, suportada por modelos de avaliação e análise de comportamento.
É nesse contexto que surge o piloto agora anunciado. “É um piloto […] testar para depois alargar, para depois escalar”, explicou Fernando Carvalho, destacando a importância de recolher dados reais antes de expandir a solução.
O arranque será feito com nove agências de viagens e com a Lufthansa como parceira exclusiva nesta fase. Para Miguel Quintas, Fundador e Managing Director da Parcela Já, esta abordagem permite garantir uma implementação controlada, ajustando o modelo à medida que surgem resultados. “Temos de ser muito cautelosos nesta avaliação”, afirmou.
A escolha da Lufthansa não é casual. Para Thomas Ahlers, General Manager Sales Portugal Lufthansa Group, a participação no projeto reflete uma aposta em soluções inovadoras que aumentem a acessibilidade e flexibilidade da viagem, ao mesmo tempo que reforçam a colaboração com parceiros do canal B2B.
A parceria assenta numa lógica de complementaridade entre as várias entidades envolvidas — tecnologia, distribuição, financiamento e oferta aérea — numa abordagem que foi descrita como um modelo “win-win” alargado a todos os participantes.
Se os indicadores de risco e comportamento do consumidor forem positivos, o objetivo passa por alargar a solução a mais agências e, potencialmente, a outras companhias aéreas. O interesse do mercado já existe, mas a prioridade, nesta fase, é validar o modelo.
Por Pedro Chenrim




















































