#Realidadedasempresas: “O mercado interno não é suficiente para garantir a sobrevivência de uma agência de viagens”

#Realidadedasempresas: “O mercado interno não é suficiente para garantir a sobrevivência de uma agência de viagens”

Categoria Business, Ot's Av's

Numa altura em que muitas empresas, hotéis e restaurantes começam a preparar a reabertura e a retoma da atividade, Ambitur.pt quis saber quais os planos que têm para esta “nova normalidade” e quais as maiores dificuldades que terão de enfrentar.

Júlio Mateus, um dos fundadores da Bestravel e gerente da Bestravel Carregado, admite que o setor das agências de viagens de incoming foi especialmente afetado pelo atual surto epidémico. “O incoming está dependente de inúmeras variáveis que não conseguimos dominar, nomeadamente a abertura de fronteiras, as condições sanitárias dos países de destino, as condições das companhias aéreas e, acima de tudo, a confiança dos consumidores”, sublinha o responsável.

Perante todas estas contingências, o gestor não acredita que 2020 seja um ano de retoma, muito pelo contrário: “face ao elevado número de pedidos de cancelamento das reservas que tínhamos em carteira, nomeadamente já para os meses de julho e agosto, considero o corrente ano totalmente perdido”.

Para Júlio Mateus, “a retoma poderá iniciar-se no próximo ano”, mas assume estar completamente dependente da eventual descoberta de uma vacina contra o vírus. Caso tal não suceda, “os clientes não terão coragem de reservar as suas férias antecipadamente para o ano 2022, e poderá ser um ano ainda perdido”, assume. Até porque, explica, “o mercado interno (mesmo com um peso muito significativo das nossas vendas) não é suficiente para garantir a sobrevivência de uma agência de viagens”, e o mercado corporate dificilmente iniciará a retoma enquanto o vírus não estiver controlado. Também o mercado de cruzeiros se encontra num “impasse total e, infelizmente, não conseguimos antever qualquer normalização num curto/ médio prazo”.

O responsável da Bestravel Carregado defende que é “extremamente urgente a concretização de outro tipo de ajudas, nomeadamente, a fundo perdido”. Caso contrário, face às perspetivas negras que se afiguram no horizonte, “muitos de nós seremos forçados a «morrer na praia»”.

Júlio Mateus dá conta de que, atualmente, as relações com os clientes encontram-se “fortemente penalizadas”, havendo mesmo alguns conflitos. Indicando que houve alguma confusão gerada pela comunicação social, o empresário rápida “campanha de claro esclarecimento da opinião pública” no sentido de esclarecer que “as agências de viagens não são as depositárias do dinheiro, mas que também elas depositam os valores a montante”. E acrescenta: “É obrigatório informar que os reembolsos em valor só terão lugar a partir de 31 de dezembro de 2021; até lá poderão os clientes optar por utilizar os valores remarcando as suas viagens”.