#Realidadedasempresas: “Prevejo dois grandes problemas: qualidade e quantidade do produto e a imensa desconfiança dos clientes”

A Ambitur.pt continua a auscultar os empresários do setor do turismo, no âmbito da atual pandemia da Covid-19, procurando saber como as empresas estão agir neste momento e como pensam o futuro.

Marco Velez, administrador da Leiriviagem, garante à Ambitur.pt que os impactos “enormíssimos” da atual crise “estão a ser remediados internamente” tentando reduzir os custos ao máximo, suprimir todas as despesas consideradas desnecessárias e renegociando custos fixos com fornecedores. A agência também optou por, suspender temporaramente o seu site e toda a equipa comercial está, neste momento, em lay-off simplificado, restando apenas a parte administrativa para “resolver os casos que estão a aparecer no dia-a-dia”.

Já externamente, a Leiriviagem tentou “criar nos clientes alguma confiança que está a ser destruída pela histeria mediática dos mass media e quase todos os players interessados em aumentar os seus lucros à custa desta pandemia”, acusa. Numa segunda fase, o responsável indica que procurarão tentar levar os clientes a agir com racionalidade e fazê-los ver que os cancelamentos para datas mais longínquas podem não ser necessários, tentando ainda que os clientes com datas mais próximas alterem as suas reservas, algo que, admite, “não tem sido tarefa nada fácil, senão mesmo impossível”.

Marco Velez admite estar sobretudo preocupado com a quantidade de informação que se transmite à população, indicando que nem sempre é correta ou verdadeira e que “tudo o que é em exagero se torna prejudicial”. E reconhece que mesmo a situando estando controlada no início do verão, tal poderá levar os clientes de lazer a preferirem ficar em casa, sendo que alguns irão fazer férias cá dentro, no Algarve, por exemplo, e muito poucos sairão do país. “Outra preocupação é a possível falta de produto existente no mercado devido ao fecho das fronteiras em países que recebiam muito turismo português, o que pode levar a que os poucos que queiram ir, não o possam fazer”, acrescenta

No que diz respeito ao segmento corporate, o gestor interroga-se sobre se o paradigma dos contactos pessoas se vai alterar. Isto porque, o que se tem passado nos tempos recentes, com negócios e contactos virtuais, “pode levar a uma nova forma de comunicar e fazer baixar as viagens de negócios”, recorda. Mas mostra-se algo cético quanto a isso, estando confiante de que os negócios “exigem algum contavto, conhecimento, logo, relações interpessoais”.

Para Marco Velez, só será possível pensar o futuro “quando voltarmos aos nossos escritórios, quando for levantado o Estado de Emergência e as pessoas começarem a habituar-se a uma nova forma de encarar a vida, com naturalidade”. Nessa altura sim o administrador da Leiriviagem garante que poderá começar a “colocar tudo no seu devido lugar”, verificando se as empresas suas clientes estão em condições de fazer os negócios fora de portas, se os clientes com férias marcadas para o verão querem, de facto, fazer as viagens que tinham programado, e se existe produto para que isso possa acontecer. “Ao contrário de muitos, prevejo dois grandes problemas: a qualidade e quantidade do produto oferecido e a imensa desconfiança dos clientes”, sublinha.