#Realidadedasempresas: “Temos de voltar a ganhar a confiança do consumidor”

by Redação Ambitur | 6 Maio 2020 15:30

Saber como estão as empresas do setor do turismo a reagir à atual crise provocada pela pandemia da Covid-19, o que já implementaram e o que mais preocupa os empresários são os objetivos da Ambitur.pt.

Luís Cabral, diretor da Tropical Season, confirma que os quatro balcões da Tropical Season estão encerrados, o que obrigou a empresa a reformular toda a sua orgânica. A primeira medida tomada foi a entrada no lay-off simpliciado, na tentativa de salvaguardar todos os postos de trabalho, acrescenta. Reconhecendo que é uma medida que implica sacrifícios, sobretudo da parte dos funcionários, o responsável explica à Ambitur.pt que “felizmente a minha equipa tem tido o espírito de sacrifócio e união, e aceitaram bem as medidas implementadas”.

Além disso, o gestor avança que solicitou todas as moratórias possíveis para empresas, culminando ainda com um pedido de linha de crédito o qual admite “ser de longe a última opção pois, de facto, as condições não são as melhores, mas quisemos garantir uma pequena álmofada» para os próximos tempos que não se avizinham nada fáceis”.

Com a empresa totalmente parada, Luís Cabral indica que a única área funcional, neste momento, é o backoffice. “Uma parte da nossa equipa, em regime de voluntariado, está totalmente dedicada a resolver as questões colocadas pelos clientes”, refere. E recorda que uma das preocupações iniciais foi repatriar clientes que se encontravam no exterior, um processo “extremamente complicado pois o apoio das companhias aéreas foi quase nulo e, por incrível que pareça, foram mais voos comerciais, onde ainda conseguiam lucrar com os ditos voos de repatriamento”.

O diretor da Tropical Season explica que “vouchers e possibilidade de remarcação para datas futuras não impedem os despedimentos e outras situações complicadas para a vida de cada cliente”. Reconhecendo que “não têm sido momentos fáceis”, Luís Cabral dá conta de que tem clientes com viagens marcadas para o final do ano que já começaram a pedir informações e a avançar com cancelamentos. E não hesita em afirmar que “a constante alteração de regras por parte das companhias aéreas, que estão a deixar as agências de viagens, grandes parceiras de outrora, totalmente de fora do processo, tem sido um fator muito negativo em todo este processo”, mencionando o caso da TAP. “Sabemos e compreendemos que seja impossível proceder a reembolsos numa escala desta dimensão, no entanto, uma outra solução que não nos retirasse o acesso à venda, que inicialmente é da agência de viagens, seria o mais correto”, defende.

Luís Cabral mostra-se atualmente preocupado em honrar os compromissos da sua empresa. Em primeiro lugar, com os colaboradores, depois com os clientes e, por fim, com todos os fornecedores. “Temos que ter a consciência que os próximos meses vão ser de muita luta e muita ginástica financeira”, diz, adiantando que “todos os envolvidos nesta nossa atividade: agências, companhias aéreas, operadores turísticos, unidades hoteleiras e de alojamento, terão de trabalhar em conjunto e olharmo-nos como parceiros e não como concorrentes. Tomadas de posição unilaterais como as que já assistimos só irão enfraquecer o nosso setor”.

O empresário está também esperançoso de que “a compreensão e o espirito de entreajuda que tão bem caracteriza o povo português não seja exceção no ramo das agências de viagens”. Consciente de que, nos últimos anos, se assistiu a um crescimento das vendas online e a uma certa “aversão” por parte do consumidor em relação às agências de viagens, acredita agora que este “seja um momento de mudança de paradigma”. Porquê? “Nós agentes estivemos presentes nesta altura e, dentro das nossas limitações, conseguimos ajudar centenas, milhares de passageiros. A Internet, veículo tão apregoado em redes sociais e blogs de amantes de viagens, não teve por certo este comportamento. Esta é a nossa mais-valia para o futuro. Temos de voltar a ganhar a confiança do consumidor. Mas para isso temos de ter o suporte dos restantes parceiros. Temos de abandonar a política do desconto fácil e que só beneficia o cliente final e acaba com a rentabilidade do nosso negócio. Terá se ser uma ação concertada como nunca vista no nosso setor”.

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