Região Oeste quer candidatar moinhos de vento a património da UNESCO

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A Comunidade Intermunicipal do Oeste (CIMOeste) decidiu avançar com o processo de candidatura dos moinhos de vento, típicos desta região, a Património Imaterial Nacional e da UNESCO (Organização nas Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

“É um projeto importante porque é um património da região, que tem ao seu redor tradições, que são necessário preservar, por isso queremos apresentar uma candidatura a Património Imaterial para incluir não só as estruturas molinológicas [os moinhos], como as tradições”, afirmou hoje Pedro Folgado à agência Lusa.
A decisão foi tomada na última reunião do conselho intermunicipal pelos presidentes dos 12 municípios da CIMOEste, que pretendem o envolvimento da Rede Portuguesa de Moinhos, da Associação LeaderOeste e de outras comunidades intermunicipais, se o estudo vier a concluir que a candidatura tem de ser alargada a outras regiões do país.
O repto foi lançado por Fátima Nunes, descendente de uma família de moleiros, proprietária de um moinho ainda em funcionamento, que pretende “manter vivo este património”. Na investigação que entregou à CIMOeste e que serve de ponto de partida para este processo de candidatura, a que a Lusa teve acesso, Fátima Nunes refere que a região delimitada a norte pelo rio Lis, em Leiria, e a sul pelo rio Sado, em Setúbal “tem o maior número de moinhos de vento por quilómetro quadrado do país”.
Nesta área, é no Oeste onde se concentram mais, devido às caraterísticas da própria região: o vento e as suas colinas levaram os moleiros a construir moinhos de vento, em vez de moinhos de água.”O avistamento dos tradicionais moinhos de vento no cimo de colinas é uma marca distintiva da paisagem da região Oeste”, sublinha.
Hoje ainda existem moinhos, moleiros e famílias que mantêm a tradição de cozer pão caseiro em forno de lenha com farinha do moinho, por isso com a candidatura procura-se preservar este património, criando financiamento para a recuperação de moinhos e legislação que valorize estas estruturas, para dinamizar a região, relançar a economia regional e atrair investimento.Para que as gerações mais novas não percam estas memórias, defende-se a criação de uma rede de moinhos, de um centro interpretativo e de quintas pedagógicas que integrem todo o processo, desde a produção dos cereais à moagem e ao fabrico do pão.