Regiões nacionais colaboram em mercados específicos

by Raquel Loureiro | 7 Julho 2015 15:42

Não é uma acção inédita, mas quase! O Alentejo e o Centro uniram-se numa primeira iniciativa para promoverem o seu produto no Brasil, mas este é apenas um início do caminho. A Lusanova Tours, operador turístico, serviu de impulsionador. É o novo paradigma promoção/comercialização a funcionar em pleno.

 

Através da Lusanova Tours Brasil, operador turístico a operar no Brasil que faz parte da empresa portuguesa Lusanova Tours, surgiu o desafio ao Alentejo e Centro: unam parte do vosso produto e deixem-nos comercializá-lo no Brasil. O repto foi aceite e deu aso a um aprofundamento da relação entre as duas Agências Regionais de Promoção Turística que promete não ficar por aqui.

 
Para Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística (ARPT) do Alentejo, “do ponto de vista promocional este é um desafio que foi colocado e transposto por duas regiões nacionais de turismo, em que o resultado será superior à simples soma das partes”. Para o entrevistado, “somos duas regiões em que há todo o interesse em unir esforços, porque o Centro e o Alentejo têm muito em comum, onde a interioridade tem um grande peso, mas também temos costa atlântica, onde o touring e o património fazem a diferença, com cidades milenares, algumas Património da Humanidade, e onde a gastronomia e vinhos cada vez têm cada vez mais importância e qualidade”. Mas Vítor Silva acentua que esta iniciativa não anula a autonomia que o Centro e o Alentejo têm de poderem fazer a promoção que entenderem no mercado brasileiro.

 
Do outro lado da parceria tem a palavra o Turismo do Centro. Para Jorge Loureiro, vice-presidente da Agência Regional de Promoção Turística (ARPT) do Centro, “entendemos que regiões que não têm a massificação que outras têm precisam de ser inovadoras e acima de tudo juntar esforços e meios para poderem atingir mercados tão longínquos e grandes como o Brasil”. De acordo com o responsável apareceu a oportunidade de esta realidade tomar forma através da Lusanova, “dando corpo à primeira iniciativa daquilo que para nós, no Centro, é o caminho das regiões de turismo do país, um entendimento na abordagem a determinados mercados, nomeadamente nos mais longínquos”.

 
Ouvimos então o terceiro interveniente desta trilogia, Daniel Marchante, director-geral da Lusanova, que indica que “esta é uma iniciativa que envolve o Turismo do Centro e o Turismo do Alentejo, promovida pelo Paulo Machado, que ingressou há pouco tempo na Lusanova Tours Brasil, depois de ter saído do Turismo de Portugal. Temos a ideia de fazer a mesma lógica de parcerias com outras regiões, assim como este conteúdo será transportado para a nossa oferta, em catálogo, do país, em Janeiro do próximo ano”. De acordo com o responsável, “na ABAV também iremos divulgar este produto. Entendemos que é um produto interessante e de qualidade que visa novas experiências que vem constituir uma diferenciação à oferta regular da Lusanova, com guias em português”.

 
O catálogo PORTUGAL SELECT ALENTEJO & CENTRO dá a conhecer várias possibilidades de roteiros, unidades hoteleiras que e potencialidades das duas regiões portugueses. O catálogo está a ser distribuído no mercado brasileiro e disponível no site www.lusanova.com.br.

 
Há aqui um operador confiou na qualidade do produto que estas regiões têm. No catálogo há programas só Centro, outros Alentejo e outros mistos, sendo que Lisboa e Porto também estão presentes.

O início de um caminho

 
Esta iniciativa é apenas o início de um caminho que os responsáveis prometem aprofundar. Para Vítor Silva, “este é um primeiro passo, na ABAV (Feira de Turismo do Brasil) poderão haver outras novidades sobre a actuação no país por parte destas duas regiões e brevemente haverão novidades relativamente a outros mercados”. O responsável relembra que “temos estado a fazer promoção conjunta com o Algarve há vários anos no que diz respeito ao produto de Turismo da Natureza”, mas não atinge o âmbito da parceria actual.

 
“Também temos estado a tentar agregar as regiões que vão dispersas a certames internacionais e onde o Turismo de Portugal não está oficialmente. Já fizemos reuniões com informação detalhada ao Turismo de Portugal, no sentido em que alguns certames internacionais onde o organismo não vá, por serem feitas ao público, nós podermos estar numa espécie de arquipélago conjunto, mantendo cada um o seu stand. Estamos a tentar que o Turismo de Portugal nos deixe utilizar a sua marca (logo)”, conclui o entrevistado.

 
No mesmo sentido, indica o vice-presidente da ARPT do Centro, “nesta primeira iniciativa, há um trabalho sobre produto da nossa parte, que depois foi seleccionado pelo operador turístico. Estamos já a trabalhar com o Alentejo no sentido de fazermos outras coisas, não só do ponto de vista de catálogo. O Turismo de Portugal tem valorizado esta lógica assim como incentivado e isso é importante para este caminho”.

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