Regresso da Fórmula 1 a Portugal já em 2021 é “cenário realista” para o CEO do Autódromo do Algarve

Regresso da Fórmula 1 a Portugal já em 2021 é “cenário realista” para o CEO do Autódromo do Algarve

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O Standvirtual organizou, na quarta-feira, um Webinar sobre o impacto que a passagem da Fórmula 1 em Portimão poderá ter em Portugal. O evento digital contou com o contributo como oradores de Paulo Pinheiro, CEO do Autódromo Internacional do Algarve; Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão; e Pedro Matos Chaves, ex-piloto e um dos poucos portugueses a ter chegado à categoria maior do automobilismo mundial.

A autarca foi a primeira a intervir e começou por destacar a importância da realização do Grande Prémio nesta altura para ajudar a fazer face aos prejuízos trazidos pela Covid-19: “Com tantos meses de pandemia, é muito difícil cobrir os défices acumulados em apenas duas ou três semanas. Mas a verdade é que esta injeção de capital nas empresas da região, e digo na região porque é bom para todo o Algarve, principalmente para Portimão, será uma lufada de ar fresco. A entrada de capital em outubro e novembro será fundamental para as nossas empresas”, explica. E acrescenta: “Os hotéis estão praticamente lotados para estas semanas e verificamos que os restaurantes, que costumam fechar em outubro, irão esperar pela realização da Fórmula 1 e eventualmente até do Moto GP.”

Por seu turno, Paulo Pinheiro, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, respondeu da seguinte forma quando questionado sobre se é uma possibilidade realista a repetição destas provas em Portuga nos próximos anos: “Realista é. Obviamente que não está garantido, nem de longe nem de perto, é uma ambição que nós temos. Aliás, a nossa missão é fazer duas grandes corridas e fazer com que as organizações tenham a vontade e motivação de continuar aqui em Portimão. Há questões económicas, como o valor dos fees, que as organizações tentam maximizar, mas também é valorizado a qualidade do ambiente à volta do evento: hotéis, restaurantes, a facilidade de acesso ao país, o facto do nosso país, e em particular o Algarve, ser dos que apresenta taxas mais baixas de infetados por Covid-19, enfim, tudo isto faz com que estejamos numa posição privilegiada.”

O responsável pelo circuito acrescenta ainda: “O que sabemos das organizações é que os calendários do próximo ano ainda não vão ser normais, nem de F1 nem de Moto GP. O que deverá haver é quase uma cópia do calendário inicial deste ano e depois iremos assistir a uma reformulação do mesmo ao longo do ano em função da situação de cada país. Logo, o que temos de fazer é estar preparados para o caso de sermos chamados caso esta situação se venha a acontecer. Que é praticamente seguro.”

Pedro Matos Chaves foi o último dos oradores convidados a ter a palavra e fez questão de concordar com o cenário de um eventual regresso para breve da F1 a Portugal: “Concordo com o Paulo e julgo que é perfeitamente realista. O dinheiro não é tudo e basta tê-los cá uma vez para os apanharmos. Da parte dos pilotos tenho a certeza, até porque já cá estiveram há alguns anos a testar, a pista é muito divertida de conduzir, por esse lado estou certo, e depois o ambiente em si também acho que os deixará muito bem impressionados.”

Isilda Gomes foi desafiada a dar uma estimativa concreta sobre o impacto económico do evento para a região e defendeu que: “O impacto económico desta prova é absolutamente incomensurável. Quando temos uma região, um município, que vive praticamente do turismo, tudo aquilo que possa servir de promoção do destino não é quantificável. O maior impacto que esperamos é nas pessoas que cá vêm e nos milhões que assistem à corrida de F1 através dos meios de comunicação e que naturalmente captam imagens da cidade e da região. Não é só a injeção momentânea de capital, que é, como já disse, muito importante, mas a mais-valia que irá representar também no futuro”. E foi mais longe ao afirmar: “Falar de Fórmula 1 nesta fase é quase uma obrigação patriótica, porque estamos a contribuir para o PIB.”

Por fim, a presidente de Portimão agradeceu o contributo de todos os envolvidos e inclusivamente do Primeiro-Ministro, António Costa, que, segundo a própria, tudo fez para que a prova visse para Portugal, indicando: “Estamos em vias de contratar uma empresa credível do mercado nacional para fazer as contas ao real impacto deste acontecimento para que possamos mostrar ao Governo e ao país as mais-valias atingidas.”

Depois de explicar que, atualmente, estão cerca de 150 pessoas a trabalhar diariamente para fazer acontecer um evento desta dimensão, Pedro Pinheiro falou sobre o número de espectadores que contam receber: “Neste contexto, e apesar de ainda não termos números finais, diria que entre 30 a 35 mil, mais as da paddock, entre 40 a 45 mil pessoas por dia. Se não existem estas limitações impostas pela Covid-19 seria 95 mil”. O responsável máximo pelo Autódromo fez ainda questão de agradecer às várias entidades que tornaram possível a realização da prova em Portimão e apelou à contribuição do público: “Se as pessoas usarem máscara, se respeitarem o distanciamento, se todos estivermos com este espírito vai tudo correr bem e o evento será um sucesso. Mas precisamos da ajuda de todos”.

Numa análise mais técnica, de quem sabe, Pedro Matos Chaves explicou quais serão os principais desafios que os pilotos irão encontrar no circuito de Portimão: “É uma pista muito divertida, que puxa muito pelos pilotos, é um desafio grande. Na volta de qualificação, que é mais rápida, a entrada na reta da meta deve ser espetacular. A curva 1 também vai ser engraçada, depois do gancho da reta por trás das boxes há ali uma primeira direita que acho que será muito gira, estes carros são fantásticos em curvas rápidas e fazem a diferença pelo peso e sobretudo pela aerodinâmica. Mas a volta de qualificação, em que os motores estão no auge, julgo que será dos momentos mais emocionantes para o público em geral.”