Reportagem: Hotéis que se renovam para conquistar o mercado

Reportagem: Hotéis que se renovam para conquistar o mercado

Já são bem conhecidos por muitos mas pretendem surpreender numa próxima visita, apostando em remodelações para fidelizar clientes e captar novos.

Hotel Estrela de Fátima

Fátima Hotels: “Estar mais próximo do cliente”
É o hotel com mais tradição em Fátima. Surgiu na década de 50 do século XX e está recorrentemente a investir na sua modernização. O Hotel Estrela de Fátima está a passar por uma “fase profunda de renovação”, afirma Alexandre Marto Pereira. Segundo o CEO do grupo Fátima Hotels, “trata-se de uma ampliação” e, acima de tudo, de “um upgrade dos espaços públicos e privados”. Das várias áreas alvo de obras, destacam-se a “redecoração da biblioteca” e a ampliação da receção, com a “construção de uma cafetaria contígua à mesma”. Outra intervenção visível foi nos quartos que, agora, “são mais espaçosos”, afirma o responsável, destacando a “introdução de sistemas de domótica e tecnologia state of the art”, sendo que “25% (dos quartos) serão suites”. A aposta passa, assim, pela “qualidade e não quantidade”. Já no exterior, foi criada uma esplanada com deck e um parque infantil. Esta “novidade” é, para o responsável, “um fator decisivo na escolha do hotel pelas famílias”. Dentro das renovações, o restaurante vai ter uma nova decoração com “muita luz” e um “novo ambiente”, sublinha Alexandre Marto Pereira.

Alexandre Marto Pereira

De todas a intervenções na unidade, o maior investimento na inovação está no “motor” do edifício com novos sistemas de aquecimento de águas através de caldeiras de última geração e painéis fotovoltaicos de produção elétrica state of the art. Este investimento traz retornos positivos ambientais e económicos. “Estamos a caminhar para uma apresentação de amenities mais amigos do ambiente”, explica o responsável.

Numa ótica de estar mais próximo do cliente, o grupo vai ainda apostar na introdução de “Ipads” no quartos com o objetivo de “apresentar os serviços do hotel e o potencial da região”. Serão também “produzidos vídeos em 360 Virtual Reality para comunicar o hotel comercialmente”, avança o responsável.

Com previsão de abertura em agosto, Alexandre Marto Pereira pretende manter o elevado nível de internacionalização, que se situa nos 85% de hóspedes internacional. No entanto, acredita que a “diversificação” é o caminho certo. Prova disso é a “receção de hóspedes de turismo religioso” mas também de “famílias em passeio” e do segmento “corporate” que o grupo pretende reforçar.

O Hotel Estrela de Fátima está integrado comercialmente no Fátima Hotels Group, composto por mais 10 unidades. O esforço do grupo foca-se muito na “promoção internacional” mas também numa “gestão criteriosa do portefólio de hotéis” e do “revenue associado” a cada um, sublinha o diretor-geral.

Alpinus

DHM: “Aposta na diversificação de mercados”
O Alpinus em Olhos de Água, no Algarve, e o Palácio da Lousã são as duas unidades do Discovery Hotel Management (DHM) prontas a ser renovadas, anuncia Francisco Moser. Ambas vão fechar em outubro, estando prevista a sua reabertura em abril de 2020.

Atualmente, o Alpinus conta com 180 quartos e funciona como hotel-apartamento. Ao todo, serão investidos sete milhões de euros que contemplarão uma “profunda renovação”, revela o managing diretor do grupo. O objetivo da renovação passa por tornar a unidade hoteleira mais “moderna” e viradas para “um cliente que procure outro tipo de conforto”. Nesta linha, o responsável revela que todas as zonas vão ser transformadas: “restauração, piscina, jogos e quartos”. Pretendem-se várias zonas de restauração dentro do mesmo espaço, ou seja, “um espaço aberto mas com vários outlets de F&B a funcionar ao mesmo tempo”, explica Francisco Moser, sublinhando o desejo de transformar o espaço numa espécie de “rail” de restauração.

Francisco Moser

O responsável acredita que o hotel vai “atingir o patamar de quatro estrelas superior” graças a todo este processo de renovação e que o tipo de cliente da unidade vai mudar. “Vamos ter um tipo de preço muito diferente”, fazendo com que a unidade deixe “estar dependente de um ou dois tipos de mercados” e aposte na “diversificação para outro tipo de mercados”.

Já no Palácio da Lousã, o conceito será mais virado para a aventura. Francisco Moser adianta que será construído um “centro de bike”, um espaço dedicado a bicicletas onde “as pessoas podem lavar, arranjar e guardar as bicicletas”, explica. Dentro das renovações, o hotel vai passar a ter uma “piscina interior” e um “mini-spa”. Todos os quartos vão ser renovados. Com investimento de 1,5 milhões de euros, o objetivo passa também por “melhorar a oferta gastronómica” e estar em linha com os hotéis da DHM. Muito próximo da serra da Lousã, a unidade vai certamente cativar ainda mais clientes aventureiros que procuram experiências com a natureza.

The 7 Hotel

THE 7 HOTEL: “Atendimento personalizado”
Todos os anos, fazem questão de fazer remodelações mas, este ano, o The 7 Hotel apostou numa renovação profunda. “Estamos a expandir a unidade aumentando a oferta para um total de 71 quartos: cinco junior suites, três apartamentos e sete estúdios, anuncia Salim Jafar. O diretor-geral explica que todo o piso 0 foi abrangido pela remodelação. No antigo edifício, “alguns quartos foram renovados” e no novo foram adicionadas novas tipologias, um restaurante e uma sala coworking.

Salim Jafar

Com um investimento de 8,5 milhões de euros, Salim Jafar não tem dúvidas de que o atendimento personalizado vai ser uma garantia nestas mudanças. “O nosso objetivo é facilitar a vida do nosso hóspede em toda e qualquer necessidade”, sublinha. O cliente poderá contar com uma “forte inovação tecnológica e ambiental” e o foco da unidade passa por “reduzir consideravelmente o desperdício” tornando-se mais amiga do ambiente. Para além disso, o cliente vai ainda contar com um “novo interior”, pensado ao “pormenor, para o máximo conforto do hóspede, com um design moderno e sofisticado”, afirma Salim Jafar. “O nosso objetivo é o The 7 Hotel continuar a ser uma referência em Lisboa para quem pretende conhecer a cidade e que, independentemente da categoria do hotel, não dispensa conforto e bom gosto”. A remodelação arrancou em junho de 2018, sendo que terminará no final deste ano.

Restaurante Varanda de Lisboa

PHC Hotels: “Refletir o melhor da vida urbana contemporânea”
O Hotel Mundial da Portuguese Hospitality Collection (PHC) assinala este ano o seu 60.º aniversário. De forma a “honrar o passado” e “garantir o futuro”, Carla Maximino, CEO da PHC Hotels, assume que a unidade mantém uma política de renovações regulares, destacando a ampliação do Rooftop Bar, em 2018, e a renovação do Salão Mundial, realizada este ano.

Por seu turno, o Restaurante Varanda de Lisboa iniciou o processo de remodelação este mês. Com reabertura prevista para setembro, o restaurante da unidade vai regressar com o “carisma que lhe é reconhecido” garante Carla Maximino, ressaltando que a novidade passa pela “modernização” através de uma “nova decoração”. A nova imagem do espaço vai “refletir o melhor da vida urbana contemporânea”. No entanto, a transformação não vai alterar a “qualidade do serviço e dos produtos utilizados”, bem como a “preferência pela cozinha tradicional portuguesa”.

Carla Maximino

Para além da sala de jantar, a cozinha também vai “sofrer uma profunda intervenção”. Serão “substituídos todos os equipamentos de trabalho” e serão feitas “reparações” e “atualizações” na infraestrutura. Este investimento significa também a “evolução da própria cultura gastronómica” do restaurante.

Em setembro, os clientes do Restaurante Varanda de Lisboa vão poder contar com a mesma “excelência de serviço que lhe é reconhecida” e com um restaurante totalmente renovado “quer em termos de arquitetura, quer em termos de branding e posicionamento da marca”, sublinha a responsável, acrescentando que a ideia desta renovação é trazer “uma nova imagem mais atual, mais hip e atraente” que valorize a história e o prestígio do restaurante.

As perspetivas são positivas. “Acreditamos que irá contribuir para uma abertura mais pronunciada à contemporaneidade, garantido um produto autêntico e de qualidade, que continuará a ser marcante no percurso da marca”.

Cristiana Macedo e Rita Inácio. Este artigo foi publicado na edição 322 da Ambitur.