Rota dos Vinhos da Beira Interior: O vinho como “expoente da cultura, raízes e tradição beirã”

Rota dos Vinhos da Beira Interior: O vinho como “expoente da cultura, raízes e tradição beirã”

Categoria Advisor, Associativismo

São cerca de 16 mil hectares de vinha, espalhados por 20 concelhos dos distritos de Castelo Branco e Guarda, que completam a Rota dos Vinhos da Beira Interior. Vamos conhecê-la? 

Para o presidente da Comissão Vitivinícola da Região Beira Interior (CVRBI), Rodolfo Baldaia de Queirós, “faz todo o sentido aliar os vinhos da Beira Interior ao nosso fantástico e diversificado turismo” até porque o vinho é “expoente da cultura, das raízes e da tradição beirã”. E foi assim que, a 5 de dezembro do ano passado, por ocasião das 9.ª Jornadas de Enoturismo da região Centro, “nasceu” o projeto de traçar uma Rota para os vinhos da Beira Interior.

A Comissão Vitivinícola acredita que “temos de remar todos para o mesmo lado” no sentido de “tornar estes territórios [de baixa densidade] cada vez mais atrativos do ponto de vista turístico” e a “experiência” Beira Interior “cabe-nos a nós promover, apostando nos produtos da região”, refere Rodolfo de Queirós ao Ambitur.pt.

A criação da Rota dos Vinhos da Beira Interior vem assim, segundo o responsável, colmatar a lacuna de “não termos este produto [enoturismo] estruturado para poder ser devidamente divulgado para os enoturistas que nos queiram visitar”, além de “complementar rendimentos dos produtores de vinho” e “gerar novas oportunidades de negócio e potenciar a criação de emprego” na região.

Além desta Rota, a CVRBI conseguiu ainda no início do ano realizar a 1.ª edição do concurso Beira Interior Gourmet — aliando os vinhos à gastronomia — com a participação de 33 restaurantes da região. Rodolfo de Queirós afirma que o feedback foi “muito bom”, deixando uma “palavra de gratidão para os restaurantes aderentes que mostraram que não se conformaram e que, apesar da situação atual da pandemia que vivemos, quiseram aderir a este projeto desde a primeira hora”.

Castas autóctones de uma “identidade muito própria”

Sobre os vinhos da região, Rodolfo de Queirós conta que “temos vinha na Beira Interior há cerca de 2.000 anos” e que “as castas autóctones da região dão-nos uma identidade muito própria e distinta das demais regiões” e são elas: Rufete, Marufo, Fonte Cal, Síria e Trincadeira. A CVRBI tem aqui um papel importante de “incentivo à utilização destas castas” tal como de outras mais antigas — entre elas, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Jaen, Arinto, Alfrocheiro e Fernão Pires — que “fazem parte desde sempre dos nossos encepamentos”.

Mas a Beira Interior é também “sinónimo de modernidade”, envolvendo castas internacionais como Chardonnay, Riesling e Syrah que vieram “complementar o vasto leque de castas” da região. Também é das “regiões com mais potencial a nível da agricultura biológica” com cerca de 1.000 hectares e de produção integrada, também amiga do Ambiente, com mais de 5.000 hectares.

Beira Interior, uma “opção” em tempos de pandemia

O presidente da Comissão Vitivinícola adianta ainda que, mesmo em tempos de pandemia, a Beira Interior tem sido “uma opção para muitos turistas porque sabem que por cá estão mais seguros”, fruto da baixa densidade populacional. Em adição, “temos cada vez mais uma oferta diversificada e rica tanto na nossa gastronomia e vinhos como em alojamento” e com todo um património histórico e natural por explorar, pontilhado por Aldeias Históricas e de Xisto, pelos Geo Parques da Serra da Estrela e do Tejo Internacional e pela Reserva da Malcata.

*A Rota dos Vinhos da Beira Interior conta a partir de hoje com um website próprio – https://vinhosdabeirainterior.pt/ – e presença nas redes sociais Facebook e Instragram (@beirainteriorwines). 

Rita Inácio