Solférias considera que 2019 está a ser “o melhor ano de sempre de vendas nas viagens antecipadas”

Solférias considera que 2019 está a ser “o melhor ano de sempre de vendas nas viagens antecipadas”

Até 30 de abril,  a Solférias regista uma evolução percentual que chega aos “dois dígitos”, quando comparado com o período homólogo no ano passado, revela Nuno Mateus à Ambitur.pt. O diretor-geral do operador turístico acrescenta que é uma “evolução muito grande até porque estamos a comparar com volumes muito elevados”, referindo que sente uma “grande satisfação”. Para o verão que se avizinha, a Solférias faz igualmente um “balanço positivo”, destacando a grande aposta que foi feita nos últimos anos nas reservas antecipadas. Nesta temática, o responsável explica que, de uma “forma consensual”, todos os fornecedores acabam por “oferecer as melhores condições” para as reservas antecipadas. “Esta é uma prática comum nos outros mercados”, acrescenta. No entanto, o que se tem verificado é que, “até hoje, este tipo de reservas não era tão significativa como foi este ano. Foi sem dúvida o melhor ano de sempre de vendas nas viagens antecipadas”, sublinha Nuno Mateus.

Mas o responsável sabe que o mês de maio não terá “uma intensidade de vendas” como existiu em abril e março. Para isso, contribuíram os eventos que decorreram nesses meses, como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), o Mundo Abreu e a Feira das Viagens que se dividiu por várias cidades. Este tipo de eventos, segundo Nuno Mateus, serviu para que os players “contribuíssem de forma positiva para que todas estas vendas se realizassem”, passando sempre informação certa aos clientes.

Quando questionado sobre as “preocupações” dos clientes no momento dos pedidos, Nuno Mateus considera que “estão muito bem informados”, alertando para as “coisas boas” e “más” da Internet. A questão da informação é vista pelo diretor-geral da Solférias como “positiva. Hoje o cliente sabe muito bem o que pretende e é muito seletivo”. No entanto, também pode ser um desafio. “Para sermos uma mais-valia para o mercado, temos que estar muito à frente da informação e do que contratamos”, reforçando que “nada se esconde e tudo é feito de uma forma muito transparente”.

Já sobre as temáticas “oferta de destinos” e “capacidade aérea” em relação ao ano anterior, Nuno Mateus demonstra muitas “dúvidas” e “dificuldades” em quantificar. O diretor-geral lembra que “muitas operações não foram conseguidas”, devido aos problemas existentes no aeroporto de Lisboa e no Porto. A operação Djerba – Lisboa e Djerba – Porto; Porto – Sal e Porto – Boavista, (quatro voos) são a prova de que,“neste momento, a capacidade aérea é inferior à do ano passado”, acreditando que “não fomos só nós (Solférias) a não conseguir realizar as operações”. Nuno Mateus destaca que “há uma grande vontade dos operadores” mas “não há condições. O aeroporto de Lisboa tem as limitações que tem e não conseguimos ultrapassá-las”.

O entrevistado descreve-se como “moderadamente otimista” quando perspetiva as vendas para 2019. Para Nuno Mateus é importante “ser equilibrado”. A Solférias já teve “excelentes primeiros quadrimestres” e, logo de seguida, “veio um abrandamento”, sublinha. A análise dos números dirá “se tem a ver com a quota de mercado, antecipação das vendas ou crescimento. Temos de fazer o nosso trabalho do dia-a-dia”, indica o responsável que acrescentou que  “o turismo depende de tudo e de todos e os anos nunca são iguais”. Além disso, Nuno Mateus alerta para a necessidade de “sermos conscientes das dificuldades que podem aparecer amanhã”. Hoje “as coisas estão positivas” e a “ambição é sempre de fazer melhor”.

Quanto aos desafios, Nuno Mateus acredita que 2019 “será um ano de viragem”, destacando a questão da Turquia. “Nos últimos anos houve um afunilamento de todos os mercados na Europa Central”, diz o responsável, acreditando que para Portugal é “uma vantagem”. Ou seja, “é muito mais fácil um operador chegar cá ou em destinos que trabalha e impor a sua força”. O responsável olha para a “descentralização” como uma mais-valia: “temos espaço para vendermos mais”.

Portugal “é muito importante” e ocupa o “Top3 de vendas” do operador

Disneyland Paris

Fazendo “jus” ao nome, “Sol” e “Férias” são conceitos que assentam que “nem uma luva” ao operador. Na verdade, “estamos muito ligados ao sol e à praia” mas o pacote “Disneyland Paris” enquadra-se nos padrões da procura. São dois produtos “totalmente diferentes”, diz Nuno Mateus. A aposta na promoção à temática da Disneyland é “muito forte” onde o público-alvo acaba por ser as “famílias”. No entanto, tem-se notado uma “grande adesão por parte dos adultos”. Na ótica da Solférias, este é um produto “muito positivo” destacando o “trabalho notável da Disneyland em colaboração connosco”.

Já sobre os restantes produtos, Nuno Mateus afirma que os destinos de “massa” e os que “estão mais próximos” são aqueles que “têm mais sucesso”. Dentro deste universo, o padrão que se destaca passa pelos “preços competitivos, boa qualidade de hotéis (quatro e cinco estrelas)” e, nesta vertente, é a “classe média e média alta que procura este tipo de programas”, explica. No entanto, o diretor-geral lembra a importância da “estabilidade social. Quando vemos a percentagem de desemprego a descer é um dos fatores mais positivos para o turismo”. Quando há “estabilidade familiar”, as pessoas estão mais “recetivas a viajar”, sublinha.

Ilha do Príncipe

A nível internacional, dentro da programação da Solférias, os voos charter e a Disneyland Paris são os mais procurados. De acordo com Nuno Mateus, os destinos com maior crescimento e que se destacam são Cabo Verde, Disneyland Paris, Marrocos, Porto Santo, Cuba, Maldivas, Tunísia e Egito.

Quanto à Ásia é um destino que, segundo o responsável, “está a crescer muito. Nunca tivemos tantas companhias aéreas, que voam para a Ásia, a procurarem os aeroportos de Lisboa e do Porto”. De Lisboa para a Ásia, destacam-se “dois voos da Turkish Airlines, dois voos da Emirates e um voo da Qatar Airlines”. Já na cidade portuense, existe “um voo da Turkish Airlines e um outro da Emirates”. Estas operações e ofertas “favorecem o nosso mercado”, considerando “impressionante a procura que existe neste momento” para esta área do globo. Já São Tomé é outro destino que “tem crescido muito”, destacando-se a ilha do Príncipe, onde se verifica “o notável trabalho que se tem feito”, inclusive nas infraestruturas que “estão melhores”.

Portugal é “muito importante” para a Solférias, ocupando “o Top3 de vendas” do operador turístico. Quanto às regiões autónomas, o arquipélago dos Açores é um destino igualmente importante mas o Porto Santo, na Madeira, está a ter um “ritmo interessante”. Mas, em termos de “tendências para o verão”, é difícil tirar ilações para Portugal Continental porque, à partida, “as reservas realizam-se mais tarde do que aquelas que envolvem avião”, explica.

A importância de Portugal para o operador é justificada. Em 2018, Portugal, “no seu todo”, ocupava o segundo lugar no “Top3” de vendas da Solférias com Cabo Verde em primeiro lugar e a Disneyland Paris em terceiro. Atualmente, as posições de Portugal e da Disneyland Paris inverteram-se.  Mas Nuno Mateus sublinha que o nosso país “ainda tem muito para vender” até ao fim do ano.

Cristiana Macedo