“Sustentabilidade sanitária”: um novo termo que “vai ficar retido” no setor do turismo

“Sustentabilidade sanitária”: um novo termo que “vai ficar retido” no setor do turismo

Como se está a processar a retoma da atividade turística? Que perspetivas existem a curto prazo? E como espera o Turismo do Alentejo e Ribatejo continuar a trilhar o seu caminho? Estas foram as principais questões levantadas no terceiro webinar da Ambitur que se realizou esta quarta-feira, sob o tema “Alentejo no Horizonte”, e que contou com apoio da Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERT Alentejo e Ribatejo)

Antes de abordar a questão da retoma da atividade na região, o presidente da ERT Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva, salientou aquela que foi a estratégia da entidade perante uma “situação inédita: não há gestão política e financeira suscetível de resolver uma questão que é de saúde pública e sanitária profunda”, da qual surgiu o novo termo “sustentabilidade sanitária. Até agora, tínhamos a (sustentabilidade) económica, cultural, política e social”, diz o responsável, que não tem dúvidas sobre a importância desta nova terminologia, “quer do ponto de vista turístico, quer do ponto de vista académico: vão haver papers, teses de mestrado e doutoramento” sobre o tema. E porque o turismo é o setor “mais inter-social” que existe e o “mais afetado” pela pandemia, este novo termo “vai ficar retido”, e “não vai ficar resolvido após a solução do tratamento ou vacina”.

“Considerar que o Alentejo é um destino seguro do ponto de vista sanitário” foi a principal preocupação desta região, afirma o dirigente, realçando que a “questão da certificação”, iniciada em 2016, foi agora levantada com o objetivo de certificar a chamada “banda larga” do setor como o alojamento, animação turística ou a restauração. Numa lógica de apoio ao tecido empresarial, foram promovidos, nos últimos meses, oito webinars junto de mil empresários: “Entendemos que era importante informar sobre um conjunto de questões sobre as quais havia muitas dúvidas e muito poucas certezas”, afirma Ceia da Silva, realçando que o apoio estender-se-á ao terreno. 

“Há um lugar…” – nova campanha para mercado interno

O foco no turismo interno ou nacional é uma questão que faz, igualmente, parte da estratégia do Alentejo e Ribatejo: “Vamos lançar, ainda durante este mês, uma forte campanha para o turismo interno”, cujo claim vai “permitir variações múltiplas do ponto de vista da utilização em termos de marketing e publicidade”, refere o responsável. “Há um lugar…” é o grande mote da campanha que vai “permitir centenas de aplicações”, diz Ceia da Silva, que dá alguns exemplos:  “Há um lugar no mundo que é seguro. Há um lugar no mundo que é distinto. Há um lugar no mundo com segurança sanitária”. E um “destino turístico só é destino turístico porque existem hotéis, restaurantes ou empresas”, Ceia da Silva refere que esta campanha campanha promocional é o resultado da ligação do turismo a todo o tecido empresarial: “Usem e abusem do claim da campanha”.

Algo que também faz parte desta estratégia prende-se com o “descongelar de um conjunto de produtos” que tinham sido estruturados nos últimos tempos, como o lançamento do novo website do Alentejo e do Ribatejo e dos novos materiais promocionais. Dentro desta temática, Ceia da Silva destaca também o lançamento das Rotas do Património Cultural e Material e das Rotas Culturais: “São quatro rotas de três e sete dias, desenhadas para o B2B e B2C”. O dirigente destaca também a abertura de “11 centros de BTT com mais de quatro mil quilómetros cicláveis e sinalizados”, um projeto realizado em “conjunto com as Câmaras Municipais” e reconhecido pela Federação Portuguesa de Ciclismo, e o lançamento de 47 percursos de walking. “De facto, esta fase é desconfinar e lançar um conjunto de produtos para que os consumidores se sintam atraídos para vir a esta região”, sublinha.