Travel BI by Turismo de Portugal: Gastos com cartões estrangeiros com forte quebra

Travel BI by Turismo de Portugal: Gastos com cartões estrangeiros com forte quebra

Segundo a análise realizada pela Travel BI by Turismo de Portugal ao relatório mensal da SIBS Analytics, o mês de fevereiro de 2021 deu continuidade à quebra que já se vinha verificando nos meses anteriores, quer no número, quer no valor das operações com cartões bancários estrangeiros em território nacional. A diminuição é verificada tanto em relação ao mês anterior, como em relação ao mesmo mês dos anos anteriores. Em termos homólogos, o mês de fevereiro regista uma diminuição de -71% do valor gasto no mesmo mês de 2020. Relativamente ao mês anterior, verificou-se uma diminuição de gastos em -36,3%.

Mercados
Durante o mês de fevereiro verificou-se uma quebra dos consumos para a totalidade dos mercados em análise. Focalizando a análise nos quatro maiores mercados emissores para Portugal, verifica-se que a Espanha (-31%) tem o melhor resultado, tendo em conta o resultado do mês anterior, enquanto que o Reino Unido e França têm ambos uma redução de (-34%) e a Alemanha (-42%). Estes resultados têm que ser relacionados com os meses anteriores, que foram exatamente inversos. Estes resultados não encontram correspondência no mês homólogo de 2020, em que os melhores resultados eram da França, da Espanha e do Reino Unido. Note-se que estes mercados apresentam quebras homóloga significativas em fevereiro de 2021, de -53%, -75% e -79%, respetivamente.

O Brasil e os EUA mantêm os níveis de consumo pouco mais do que residuais, embora nos meses mais recentes tenham vindo a agravar o nível de perdas, face ao início da pandemia. Note-se no entanto, que quer norte-americanos, quer brasileiros, apresentam quebras homólogas de -75% e -87%, respetivamente.

Face ao ano anterior, e para o mês homólogo, os mercados que apresentam menor perda relativa no valor de operaçõessão o francês(-53,4%) e o belga (-62,7%).

CAE – Setores de atividade – Comércio a retalho, Alojamento e Restauração
Relativamente aos 15 principais mercados, durante o mês de fevereiro voltou a intensificar-se a trajetória descendente que vinha desde setembro e que foi interrompida em dezembro. Ao longo de todo o período de análise, desde o início de 2020, os três setores apresentam trajetórias muito semelhantes, embora o comércio a retalho tenha apresentado um nível de gastos sempre muito superior aos outros dois setores.

Em termos comparativos com o mês anterior, o alojamento e a restauração voltaram às violentas perdas registadas nos meses anteriores, só interrompidas em dezembro. A restauração viu diminuídos os gastos em -78%, enquanto que o alojamento teve uma redução de -70%. Estas variações extremas estão com certeza relacionadas com a interdição quase total de movimentos internacionais. Em termos homólogos, a restauração e o alojamento apresentaram uma diminuição de gastos relativos, muito aproximada, a rondar os -97%, durante o mês de fevereiro.

O comércio a retalho é a atividade que apresentou menores perdas de forma consistente ao longo dos meses. Relativamente ao mês anterior verificou uma diminuição de -38%, e em termos homólogos a retração foi de -60%.

Análise Territorial – Litoral Vs. Interior
A pandemia de Covid-19 tem vindo a provocar uma enorme retração nos fluxos turísticos, principalmente os internacionais, o que obviamente impactou fortemente na diminuição de gastos com cartões estrangeiros em todo o país.

Numa análise territorial dos efeitos pandémicos sobre os gastos realizados com cartões bancários estrangeiros, verifica-se que em termos relativos o Interior foi menos prejudicado do que o Litoral. Em termos relativos as perdas verificadas nos primeiros dois meses de 2021 verificaram uma diferença de 20% (ver gráficos 7 e 8), a que correspondem valores de -352 milhões € no Litoral e de – 30 milhões € no Interior.

Em termos homólogos, a diminuição de gastos com cartões estrangeiros, em fevereiro, situou-se nos -71% em Portugal, passando dos 300 milhões € gastos em fevereiro de 2020, para pouco mais de 88 milhões € em fevereiro de 2021.