Lisboa voltou a marcar presença na FITUR, em Madrid, uma das maiores feiras internacionais de turismo, reforçando a sua estratégia de promoção externa com uma abordagem cada vez mais segmentada e orientada para a qualificação da procura, com especial atenção ao mercado espanhol.
Em declarações ao Ambitur.pt, António Valle, Diretor-Geral do Turismo de Lisboa, afirmou que “a proximidade entre as duas principais capitais [Lisboa e Madrid] traz um relacionamento emocional que favorece essa ligação. Temos sido muito procurados nestes últimos dias por operadores profissionais do turismo que querem posicionar-se em Lisboa, e nós estamos de portas abertas para os receber”.

Durante a feira, o Turismo de Lisboa identificou três grandes áreas de maior procura por parte dos operadores: lazer, hotelaria e turismo de negócios e eventos (MICE). “A hotelaria tem procurado muito a qualidade dos hotéis de Lisboa e da área metropolitana, porque Lisboa está a posicionar-se como uma grande área metropolitana”, explicou.
Nesse sentido, António Valle defendeu uma visão alargada do destino. “Lisboa é muito mais do que uma cidade. É uma grande área metropolitana, com cerca de três milhões de pessoas, e este posicionamento é fundamental como motor de criação de riqueza, de emprego e de qualificação”, afirmou, acrescentando que os espaços para grandes eventos e iniciativas qualificadas têm sido particularmente valorizados.
Questionado sobre a crescente discussão em torno da alegada turistificação de Lisboa, o responsável foi categórico: “não há turistificação em Lisboa. Não existe. Isto é uma conversa da treta”, afirmou, rejeitando também a ideia de que a limitação do aeroporto esteja diretamente ligada a esse fenómeno – “o que existe é uma necessidade de melhor gestão dos fluxos turísticos”, esclareceu. “Tal como Madrid não é apenas Madrid, Lisboa também não é apenas uma cidade. É uma grande área metropolitana e é assim que deve ser gerida”.
O Diretor-Geral defendeu ainda uma abordagem qualitativa ao turismo, sublinhando o seu impacto económico e social: “o turismo cria riqueza, cria emprego e torna as cidades vivas. As cidades sem visitantes não são cidades vivas”, afirmou, lembrando que “há cinco anos toda a gente pedia mais turismo”.
Relativamente ao mercado norte-americano, que tem vindo a ganhar peso em Lisboa, o responsável garantiu que continua a ser uma aposta estratégica, apesar do atual contexto geopolítico: “a vantagem destes mercados mais longínquos, como os Estados Unidos ou o Japão, é que gastam mais e ficam mais tempo na cidade”, explicou. “Isso permite que conheçam melhor a área metropolitana e que os benefícios se estendam a todos os municípios à volta de Lisboa”.
Apesar da aposta contínua no mercado norte-americano, o Turismo de Lisboa está também a reforçar a diversificação de mercados. “Queremos apostar em mercados emergentes”, afirmou, destacando a Argentina como um dos principais focos. Os mercados europeus tradicionais continuam igualmente prioritários. “França, Alemanha e Reino Unido continuam a ser fundamentais. O Reino Unido, em particular, é o nosso principal mercado e continuará a sê-lo”, referiu.
A cerca de um mês da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), António Valle mostrou-se confiante quanto ao impacto do evento, que será a sua primeira participação enquanto responsável máximo pelo Turismo de Lisboa. “Tenho uma expectativa grande. A BTL já deixou uma marca no setor e está nos grandes circuitos das feiras internacionais”, afirmou.
“Toda a gente sabe que a BTL existe e que é em Lisboa. Agora é importante continuar a reforçar essa marca, também a nível internacional”, concluiu, adiantando que existe uma forte procura de profissionais estrangeiros interessados em deslocar-se a Lisboa no final de fevereiro.
Por Diana Fonseca, na FITUR, Madrid


















































