“Um evento digital não tem a mesma rentabilidade do que um 100% híbrido ou físico”

É tempo de falar da Indústria de Eventos e foi nesta temática que a terceira edição das “Tourism Talks”, promovida pela Message in a Bottle, se debruçou. Sob o tema “Meeting Industry. Fim ou um novo começo?”, vários profissionais partilharam as suas perspetivas sobre o futuro deste setor.

2020 tinha tudo para ser mais um ano de sucesso. “O ano estava a correr muito bem e a nossa experiência foi muito abrupta”, começa por afirmar Maria João Rocha de Matos, diretora da Feira Internacional de Lisboa (FIL) e do Centro de Congressos de Lisboa, recordando que, de uma semana para a outra, tudo mudou. “Tivemos um congresso internacional que terminou no primeiro fim-de-semana de março” que contou com “900 pessoas e correu de forma normal”, afirma, destacando que, “na semana seguinte já estávamos a trabalhar em casa”.

A aliança estratégica que existe com outros centros de congressos da Europa leva a responsável a afirmar que a realidade lisboeta é muito semelhante à que se vive noutros países: “Tivemos alguns eventos cancelados entre março e abril. Todos os que decorriam neste primeiro semestre do ano querem mudar para o segundo semestre e estes querem mudar para o ano seguinte”. No entanto, Maria João Rocha de Matos afirma que, desde 16 de março, já foram assinados 14 novos contratos para eventos, a serem realizados nos dias 20, 21 e 22 de março de 2021.  Destes contratos, oito são para eventos internacionais. A responsável olha para o futuro com otimismo e, embora a procura não seja igual, “todos os clientes que têm eventos marcados (20, 21 e 22 de março de 2021) continuam a trabalhar no mesmo modelo”, referindo que estes 14 eventos estão “alinhados naquilo que seria a procura normal”.

“Um evento digital não tem a mesma rentabilidade do que um 100% híbrido ou físico”

Os eventos híbridos já são uma realidade: “Temos vários clientes que hoje em dia, tal como no passado, têm vindo a desenvolver” este tipo de eventos, afirma Maria João Rocha de Matos, referindo-se a clientes que, por exemplo, têm congressos com seis mil pessoas. Há várias vantagens para quem desenvolve este tipo de evento, a começar, desde logo, pela facilidade em “permitir que mais pessoas participem” no congresso. Além disso, a monitorização é mais uma “fonte de rendimento” para os organizadores: “Vendem tudo aquilo que monitorizam em streaming”, por exemplo. Quando comparados com eventos digitais, a diretora da FIL e do Centro de Congressos de Lisboa diz que um “evento digital não tem a mesma rentabilidade do que um 100% híbrido ou um físico”.

Para a responsável, o digital será cada mais “introduzido” na organização como uma forma de “alargar” a participação de mais pessoas mas a questão da fisicalidade é importante: “A empatia que se cria” é diferente, além de que as “oportunidades que surgem, pelo facto das pessoas estarem no local”, são muito maiores. A área digital é algo em que a FIL e o Centro de Congressos de Lisboa já estão a trabalhar, no sentido de conseguirem prestar outro tipo de serviços como é o caso das “visitas virtuais”.

Embora haja vários desafios, Maria João Rocha de Matos é perentória: “Não podemos perder 2020”, perspetivando o reinício da atividade em setembro. “Estamos a trabalhar naquilo que pode ser iniciar uma atividade com restrições” e ações como “higiene e segurança” para as feiras e congressos são medidas que fazem parte destes planos. Também a tecnologia é algo que vai ter um impacto fundamental neste recomeço: “Vai ajudar-nos, não só na digitalização mas também na criação de segurança, fazendo com que as pessoas se sintam seguras” nos eventos.