A WOTELS, rede portuguesa de alojamento turístico, acaba de investir no seu rebranding, numa altura em que comemora o seu 10º aniversário. A Ambitur esteve à conversa com Nuno Constantino, fundador e gestor da WOTELS, que nos explicou o porquê deste investimento e qual a estratégia da rede em Portugal. Com planos de expansão e crescimento no mercado nacional, será sobretudo na WOT Signature, uma das três submarcas do grupo, que haverá novidades, já em 2026.
O que motivou a WOTELS a avançar com um rebranding? Quais foram os principais elementos que mudaram — nome, imagem, posicionamento, experiência do cliente?
Este rebranding foi um passo natural de maturação. Ao fim de 10 anos de crescimento, sentimos a necessidade de organizar o nosso portefólio e de comunicar a nossa proposta de valor de forma mais clara, tanto para o cliente final como para os nossos parceiros B2B. A motivação principal foi, portanto, a clareza e a consolidação.
Criámos a marca-mãe WOTELS (que deriva da nossa origem, “World of Travellers”) e que agora se declina em três universos de experiência muito distintos: WOT Social: Para os nossos hostels, focados na comunidade e partilha; WOT Soul: Para as nossas unidades hoteleiras, que combinam o conforto tradicional com um twist moderno e descontraído e WOT Signature: Para as nossas unidades premium e de autor, que oferecem experiências verdadeiramente únicas e diferenciadas.
Esta nova arquitetura de marca permite-nos explicar de forma imediata o posicionamento e os valores de cada unidade, ao mesmo tempo que damos maior reconhecimento à força global do grupo. No caso das unidades Signature, como a Aldeia da Pedralva ou a Horta da Moura, faremos questão de manter as marcas locais, pois a sua identidade única é o seu maior valor.
Que mensagem pretendem transmitir com esta nova identidade?
A mensagem central é a de coerência, escala e diversidade. Queremos afirmar-nos como o maior grupo híbrido nacional, um grupo que compreende que o viajante moderno não tem um só perfil.
Com esta nova identidade, o mercado compreende de imediato que a WOTELS tem uma solução, seja para um viajante jovem que procura a comunidade vibrante de um WOT Social, ou para um cliente que exige a exclusividade e autenticidade de um WOT Signature.
Esta clareza não só nos diferencia da concorrência, como, internamente, nos capacita para crescer de forma mais organizada e sustentável. Estamos a organizar a casa para o futuro.
Como se posiciona a WOTELS no mercado português de alojamento, face à concorrência?
O nosso posicionamento é único precisamente por causa desta diversidade e da nossa capacidade de gestão “híbrida”. Segmentamos a nossa abordagem ao mercado.
Com a WOT Social somos e queremos consolidar a nossa posição como o maior player nacional em hostels. Já temos uma forte presença de Peniche a Lisboa e pretendemos reforçá-la no Porto e no Algarve.
Com a WOT Soul, o nosso posicionamento é de “smart repositioning”. Pegamos em unidades hoteleiras mais tradicionais e damos-lhes uma nova vida. Esta mudança vai muito além do look and feel; implementamos um know-how profundo de back-of-house (operações, comercial, revenue management ou marketing) que otimiza a performance (preço médio, ocupação) e que nos permite, em alguns casos, até reposicionar o próprio destino.
Na WOT Signature, competimos diretamente com o mercado boutique e de luxo. Aqui, o nosso fator diferenciador é o profundo conhecimento operacional que trazemos das nossas 17 unidades, permitindo-nos gerir experiências de autor com uma eficiência que poucos players independentes conseguem.
Que papel desempenham os hostels e hotéis híbridos na vossa estratégia?
O conceito híbrido não é uma “moda” para nós; é o nosso ADN e a nossa estratégia central. É a resposta a uma metamorfose real do mercado.
Cada vez mais, o viajante não tem um perfil único durante a sua estadia: o mesmo hóspede quer socializar, mas também precisa de um espaço tranquilo para uma videochamada de trabalho. O que começou por ser uma tendência nas gerações mais novas, hoje é transversal a todas as idades. Os hoteleiros têm de dar resposta a esta fluidez.
A WOTELS nasceu a saber responder a isto, e o nosso objetivo é que todas as nossas unidades, de Social a Signature, reflitam esta capacidade de resposta, integrando trabalho, lazer, comunidade e descanso.
Como é que a marca planeia adaptar-se às novas tendências do turismo?
Felizmente, não temos de nos “adaptar” a estas tendências, porque elas estão na nossa fundação. A nossa história de 10 anos é de uma constante evolução, nascemos da disrupção dos hostels. Criar produtos para nómadas digitais ou focar na experiência está no nosso ADN.
O turismo de experiência é o centro da nossa proposta de valor. Claro que a “unicidade” da experiência é mais evidente e fácil de obter nas nossas unidades WOT Signature, mas o nosso objetivo é que cada WOT Social e WOT Soul reflita profundamente a sua localização, o que a diferencia, e, acima de tudo, o que diferencia a nossa equipa no mercado.
Há planos de expansão para outras regiões ou países? Quais são os principais objetivos da WOTELS para os próximos três a cinco anos?
Temos um plano de crescimento ambicioso focado em Portugal para os próximos anos. O nosso objetivo é, até 2030, ultrapassar largamente os 20 milhões de euros em receitas, aumentando significativamente o peso das receitas complementares.
Isto será feito através da expansão para cinco a sete novas localizações. Vamos reforçar todas as sub-marcas, mas de forma estratégica.
O segmento WOT Social, apesar de ser uma paixão nossa, enfrenta hoje mais resistência ao investimento devido à instabilidade regulatória em torno do Alojamento Local. Por isso, estimamos que representará apenas 10-15% do nosso crescimento.
A grande aposta será nas marcas WOT Soul, para a qual estamos a estudar destinos mais consolidados, e especialmente na WOT Signature, onde todo o território nacional está sob escrutínio. Temos um profundo apetite por encontrar locais únicos e autênticos, e posso adiantar que já temos novidades na calha para 2026.
Além destas três marcas pretendemos em breve entrar, com marcas distintas, no segmento do Glamping e das experiências disruptivas tendo já previsto o primeiro lançamento em 2026, funcionando de forma complementar à oferta que temos numa das nossas unidades. Procuraremos em todas as nossas unidades criar elementos UAU que criem maior visibilidade ao nosso produto e à nossa forma de ser e estar.
Por Inês Gromicho



















































