Xénios 2019: “É na qualidade do serviço que a maior batalha se trava e só pode ser ganha com os melhores profissionais”

Xénios 2019: “É na qualidade do serviço que a maior batalha se trava e só pode ser ganha com os melhores profissionais”

Este ano, a ADHP – Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal voltou a distinguir os melhores profissionais da hotelaria nacional, referentes ao 2018, através da atribuição dos Xénios. A Ambitur esteve à conversa com quatro dos vencedores – Marcos Sousa, Patricia Purshotam, Miguel Luís e David Madeira – sobre a importância desta distinção.

Patrícia Purshotam

A melhor “Jovem Diretora de Hotel”, à frente do SANA Executive, Patrícia Purshotam, admite que “com estes prémios a ADHP consegue sem dúvida reconhecer os profissionais da Hotelaria de forma memorável” e Miguel Luís, melhor “Gestor do Potencial Humano”, no Ritz Four Seasons Lisboa, acrescenta não duvidar que “os Xénios são altamente reconhecidos no mercado” e que têm um “impacto profundo na visibilidade e incremento de empregabilidade dos vencedores”.

O melhor “Diretor de Hotel”, neste caso do Nau Salgados Palace, Marcos Sousa, admite que os prémios da ADHP conferem um “selo de qualidade muito importante para o currículo”, já David Madeira, considerado “Melhor Diretor de Food & Beverage” (F&B), função que desempenha no Quinta do Lago Resort, afirma: “Numa indústria como o Turismo, que hoje para Portugal tem um papel estratégico, o reconhecimento dentro da comunidade hoteleiro tem sempre um papel importante e motivador.”

Marcos Sousa

Todos os vencedores frisam como o trabalho de equipa em muito contribuiu para a sua premiação. Marcos Sousa reflete que, embora haja um “rosto vencedor”, a sua distinção significa que “as equipas com quem tenho convivido têm tido um desempenho excelente” pelo que “este prémio é muito deles”. Segundo o Gestor de Potencial Humano, Miguel Luís, não se pode trabalhar na expetativa de vencer prémios mas quando eles surgem é “importante partilhar com as equipas”.

O que distingue os vencedores
“Qualquer um dos nomeados tem qualidade para ser distinguido pela ADHP”, clarifica o diretor do NAU. No entanto, no seu caso, o profissional acredita que o facto do Salgados Palace & Congress Centre e do Salgados Palm Village terem recebido “distinções importantes” no ano passado pode ter pesado na decisão do júri. Da mesma forma pensa Miguel Luís, com o Ritz a receber 5 estrelas pelo Forbes Travel Guide, sendo o único hotel em Portugal a possuir essa distinção.

Miguel Luís

Por sua vez, o melhor diretor de F&B atribui o seu sucesso profissional à sua formação no estrangeiro, com uma tese na Universidade de Birmingham e estágios em diferentes unidades hoteleiras. Patrícia Purshotam, da SANA Executive, “vive e respira Hotelaria”, por ter crescido “dentro de Hotéis”, pelo que acredita que “quem me conhece sente isso”, além de ser uma pessoa focada e dedicada.

Recursos humanos, o grande desafio do setor hoteleiro
Os recursos humanos são o grande desafio, apontado pelos vencedores, para o setor ao longo dos próximos anos. “Em Portugal, sendo o volume de profissionais escasso, pode impactar o futuro do Turismo quando nestes dias se anunciou mais de 150 pedidos de licenciamento de novos projetos turísticos”, observa Marcos Sousa, do NAU Salgados Palace. Quem partilha da mesma visão é Patrícia Purshotam: “Não falamos sequer de mão de obra qualificada, falamos sim de pessoas que queiram aprender e trabalhar na área da hospitalidade”.

David Madeira

O melhor Gestor do Potencial Humano, Miguel Luís, defende que “é na qualidade do serviço que a maior batalha se trava e só pode ser ganha através da atração dos melhores profissionais”, o que não passa exclusivamente pelo aumento salarial mas, sobretudo, por “desenvolver uma cultura e liderança assente na interatividade e transparência”.

David Madeira, do Quinta do Lago Resort, considera que as escolas de hotelaria estão “desatualizadas” e a Jovem Diretora de Hotel do SANA Executive defende a necessidade de investir em formação diária para “virarmos o nosso atendimento menos para a componente técnica e mais para a componente humana”.

Marcos Sousa e Patrícia Purshotam fazem, ainda, menção ao aeroporto de Lisboa por estar “sobrelotado e termos cada vez mais camas em Portugal, pelo que teremos que alterar as nossas estratégias comerciais a curto prazo”, clarifica a melhor Jovem Diretora de Hotel. Para Marcos Sousa, no setor turístico, importa ter “uma só voz” e, para isso, muito contribuiria um Ministério do Turismo.

Rita Inácio, publicado na edição 324 da Ambitur