XXI Congresso ADHP: “Vejo um setor com todas as características para ser um setor onde a integração funciona bem”
“Hotelaria Inclusiva: Desafios e Oportunidades” foi o tema do primeiro painel do XXI Congresso da ADHP, que começou ontem, dia 20 de março, no INATEL Caparica, e termina hoje. Ana Sofia Antunes, deputada na Assembleia da República e ex-secretária de Estado da Inclusão, e Teresa Cópio, diretora de Recursos Humanos no Dom Pedro Lisboa, estiveram à conversa sobre esta temática, tentando perceber de que forma o setor hoteleiro procura integrar pessoas com as mais variadas deficiências. E há um elemento que é consensual, o receio do desconhecido, que acaba muitas vezes por funcionar como um entrave para as empresas contratarem estes profissionais, pois estão mais focadas no negócio e nos resultados.

“Este é um dos pilares que condiciona a entrada de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mas não pode servir de fator de desculpa eterno”, defende a deputada. Por outro lado, aponta como segundo grande pilar que condiciona o processo de contratação um receio de solidão neste processo, já que as próprias empresas não encontram um apoio especializado.
Ana Sofia Antunes adianta ainda que um fator que condiciona muito o facto de uma empresa integrar, em contexto de diversidade, é a “cabeça do próprio diretor, se ele pretende ver outras realidades e de que forma o negócio pode beneficiar de outras realidades, pois essa filosofia passa de cima para baixo”.
Relativamente à hotelaria, “o que vejo é um setor com todas as características para ser um setor onde a integração funciona bem”. Se bem que a nível da formação esta não seja propriamente inclusiva, a verdade é que há formação profissional para pessoas com deficiência, nomeadamente, a nível do setor hoteleiro, na cozinha e empregadas de andares. Estes profissionais existem e estão a ser formados, avança a deputada. Mas acrescenta que, sem possibilidade de serem colocados nas áreas para as quais estão a ser formados, acabam por voltar à formação.
Referindo-se à obrigatoriedade das empresas cumprirem quotas de contratação a este nível, Ana Sofia Antunes indica que já quem o esteja a fazer só por esse motivo. Mas descomplica dizendo que “é uma boa prática e acredito que, dentro de alguns anos, esta lei já não seja precisa”.
Disto resultam empresas mais diversas, com culturas cada vez mais valorizadas, seja para quem trabalha ou para quem recorre a essas empresas como clientes. E a deputada explica que a mensagem que recebem de volta é que se constrói nessas equipas “um reforço de humanismo muito superior ao que existia antes dessa pessoa chegar”.
Teresa Cópio destaca a importância de levar as lideranças intermédias a essas associações e garante que “as empresas que integram pessoas com deficiência acabam por ter mais alegria no local de trabalho”.
Já Ana Sofia Antunes lembra que há um argumento economicista recorrente que se baseia na ideia de que contratar estas pessoas implica perda de rendimentos: “A experiência que tenho é que aumentam a produtividade e encaram a produtividade como a sua grande oportunidade, e por isso vão dar tudo para mostrar que são merecedores. São pessoas que já passaram por muito na vida e que apresentam um grau de maturidade e de responsabilidade muito elevado”. Também Teresa Cópio concorda ser “notório um compromisso dessas pessoas para com a organização e os colegas”. E defende que “essa inspiração cabe-nos a nós, dos recursos humanos”.
No que diz respeito aos hotéis, Ana Sofia Antunes admite haver já vários exemplos: “é fácil de constatar que é bem mais simples do que possa parecer à primeira vista”. É verdade que a empresa tem que se adaptar à chegada dessa pessoa mas depois será o próprio trabalhador que dará ao hotel sugestões de onde pode melhorar, explica a responsável.
Por Inês Gromicho, no XXI Congresso da ADHP.