O grupo Savoy Signature ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de euros de faturação em 2025, devendo encerrar o ano com receitas na ordem dos 120 milhões de euros, revelou o CEO Roberto Santa Clara, à margem da BTL (Better Tourism Lisbon Travel Market).
“Superámos pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de euros de faturação, o que é algo impressionante para uma marca regional”, afirmou o responsável, sublinhando que o resultado representa “o maior motivo de satisfação para a equipa e para quem diariamente trabalha nos nossos valores”. Segundo Roberto Santa Clara, o crescimento “é consequência de uma estratégia de valor, uma proposta sustentável e com foco numa hospitalidade de luxo que o destino necessita”.
O desempenho foi sustentado pela evolução dos indicadores operacionais, com o preço médio por quarto (ADR) a crescer cerca de 12% e o RevPAR a aumentar 14%. As receitas de alojamento também subiram 14%.
Apesar dos resultados, o responsável alertou para um contexto mais exigente: “chegar a este patamar redobra a nossa responsabilidade. É um ano onde não pode haver desleixo e tem de haver muito foco nas pessoas, nos custos e nas receitas”.
Gardens encerra em 2026 para remodelação profunda
Entre os principais investimentos anunciados está a remodelação do Gardens, no Funchal, que deverá encerrar em outubro de 2026, sem data de abertura prevista. O reposicionamento do hotel ainda não está totalmente definido, mas “acreditamos que quatro estrelas faz sentido para a localização e para o projeto que estamos a pensar”, afirmou o responsável, acrescentando também que a futura marca ainda não está decidida.
O CEO sublinhou que o hotel faz parte do portfólio há vários anos e que “sentimos claramente que era o momento certo de dar um passo em frente”.
Para já, não há novos hotéis anunciados, embora a expansão continue a ser estudada. “Continuamos ativamente à procura, mas seria precipitado anunciar algo que não está concretizado”, disse, reafirmando a intenção de crescer em Portugal Continental.
Confiança para novo ano com aposta em mercados estratégicos
Apesar de alguns sinais de incerteza internacional, a Savoy Signature mantém uma perspetiva positiva para o próximo ano. “Estamos confiantes para 2026”, afirmou Roberto Santa Clara, explicando que a Madeira iniciou o atual ciclo de crescimento mais tarde do que destinos como Lisboa ou Porto. Ainda assim, o responsável defende prudência, apesar dos primeiros indicadores do ano gerarem “otimismo e conforto”.
Entre os principais mercados emissores destacam-se a Alemanha, Portugal e os Estados Unidos, variando conforme as unidades do grupo. Em hotéis como o Savoy Palace e o The Reserve, os norte-americanos já representam um dos principais segmentos.
“A aposta que fizemos nos Estados Unidos há uns anos parecia improvável. Hoje temos voos diretos para o destino e isso é fantástico”, afirmou Roberto Santa Clara.
O Canadá surge como outro mercado com potencial, sobretudo pela capacidade de gerar estadias mais longas e ajudar a equilibrar a procura durante o inverno. “O Canadá há uns anos era visto como um mercado que preenchia o inverno, com estadias longas, e pode voltar a ter esse papel num contexto mais desafiante”, explicou o responsável.
“Não temos turismo a mais”
Roberto Santa Clara considera que a Madeira, enquanto destino, está num momento decisivo: “ou nos posicionamos e afirmamos, ou alguém o fará por nós”, alertou, acrescentando que “é fundamental manter a natureza, o mar e a qualidade, e há um tema essencial que é a formação”.
De forma geral, o CEO do Savoy Signature apontou que “acreditamos que não temos turismo a mais, mas temos claramente um momento em que temos de perceber que segmentos queremos”.
Por Diana Fonseca




















































