A Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa está presente em mais uma edição da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market e a presidente, Carla Salsinha, aproveitou o primeiro dia da feira para fazer um balanço de 2025, apontar perspetivas para este ano e apresentar três dos grandes eventos que vão marcar a região em 2026.

Relembrando os números oficiais de 2024 e 2025, Carla Salsinha frisou que, pela primeira vez, a região de Lisboa foi a primeira ao nível de dormidas em Portugal, atingindo os 21 milhões de dormidas em 2024 e, em 2025, a superar os 21,3 milhões de dormidas. Ou seja, a região representa 25,9% das dormidas em Portugal. Na Grande Lisboa, à qual correspondem nove dos 18 municípios da região, este crescimento foi de 9%, enquanto que a sul do Tejo, que corresponde aos restantes nove municípios, este aumento foi de 4,7% em 2025.
“Isto demonstra que o trabalho que a Entidade Regional de Turismo tem vindo a fazer com os municípios e com as empresas no sentido da dispersão, de dar a conhecer aquilo que menos se conhece, está a começar a dar os seus frutos”, destacou a responsável.
Outro dado curioso apontado por Carla Salsinha prende-se com o facto de, pela primeira vez também, a região de Lisboa ter um maior número de visitantes do mercado interno do que do mercado externo, que registaram, respetivamente, subidas de 4,7% e 0,3%, de 2024 para 2025. “Este é um dado muito significativo, até porque o nosso objetivo é promover a nossa região a nível nacional, fazer com que os portugueses venham conhecer a região”, evidenciou.
No entanto, lembrou, os concelhos de Lisboa, Cascais, Sintra e Oeiras, em 2024, representam 18,5 milhões de dormidas, e os restantes 14 municípios apenas 2,4 milhões, o que significa que, adianta a responsável, “ainda há um grande trabalho a fazer”. Assim, em 2024, 88% do turismo da região foi feito em quatro municípios e 12% nos outros 14. Em 2025, esta diferença reduzirá ligeiramente, passando para 86% e 14%, respetivamente, mas ainda é significativa.
Há pois objetivos que se impõem para a região de Lisboa. E o primeiro deles prende-se, desde logo, com o aumento da estadia, no sentido de que cada município consiga cativar os turistas a permanecerem mais tempo. Seguem-se os desafios da dispersão turística e da mobilidade. E, por fim, outros três desafios que, segundo Carla Salsinha, têm de pensados em conjunto: a perceção positiva do turismo, a coesão económica e social, e o envolvimento das populações. “Nós só poderemos crescer e fazer esta coesão territorial se também fizermos com que as populações sintam que os turismo as beneficia e requalifica”, sublinha.
A presidente da Entidade Regional aproveitou a ocasião para dar conta de seis tendências que poderão ajudar a que a região tenha sucesso em 2026. A primeira delas é o slow travel, no sentido de que quem visita a região de Lisboa procura hotéis e lugares mais intimistas, experiências mais imersivas e tranquilidade. Uma segunda tendência é a sustentabilidade, não apenas a nível ambiental mas no sentido de permitir que o turismo seja um motor de reconversão e recuperação das próprias localidades. Outra grande tendência é o turismo literário, para que os turistas possam conhecer as rotas onde viveram os escritores e os locais descritos nas suas obras. Ainda a apontar o turismo de bem-estar e o luxo de se cuidar. Uma quinta tendência será o conhecimento do território, com cada vez mais pessoas a procurar explorar e conhecer os territórios onde estão através de caminhadas, cycling, entre outras atividades. E, uma última, que está relacionada com a autenticidade, com os turistas a quererem não só os hotéis de luxo e os restaurantes com estrelas Michelin mas também os mercados de bairro, as mercearias ou os cafés.
Com tudo isto, as perspetivas da região de Lisboa para 2026 passam por um crescimento superior a 6% nas receitas, e uma evolução positiva das dormidas entre 2,5% e 3,5%. O objetivo é que “a nossa estratégia seja mais orientada para a qualificação da procura e para o impacto que o turismo pode trazer aos territórios e às comunidades”, sublinhou Carla Salsinha.
E foi nesse sentido que a Entidade Regional de Lisboa apresentou, no seu stand, três dos grandes eventos que irá trazer este ano. Entre 27 e 29 de novembro Lisboa e Mafra receberão o Congresso das Confrarias Europeias de Enogastronomia, que trará à região cerca de 800 pessoas. Outro evento diferente será o regresso do Open de Portugal de Golfe à região, mais particularmente a Almada, ao Campo de Golfe Aroeira. E, por fim, nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho, o Rock in Rio Lisboa volta a atrair turistas portugueses e estrangeiros e aqui Carla Salsinha destaca a importância dos visitantes nacionais, sendo que cerca de 60% destes vêm de fora da região.
Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, esteve presente na sessão na BTL, e sublinhou::”Cerca de 60% do público do Rock in Rio Lisboa vem de fora da região, o que demonstra a capacidade do festival de mobilizar visitantes e gerar fluxos significativos para todo o território. Esta parceria com a ERT-RL representa uma oportunidade única para transformar essa deslocação numa experiência mais ampla, convidando quem nos visita a descobrir o melhor que a região de Lisboa tem para oferecer, da cultura à gastronomia, da natureza ao património. O Rock in Rio Lisboa é hoje um ponto de partida: para que o público que vem ao festival fique mais tempo para conhecer a região.”
Com esta ligação, as duas entidades desenvolvem uma atuação conjunta com agências de viagem, operadores turísticos, unidades de alojamento e entidades culturais e institucionais promovendo a criação de pacotes turísticos integrados que valorizam a oferta regional e potenciam a experiência associada ao festival. Esta articulação permite ainda integrar o Rock in Rio Lisboa nas estratégias de promoção turística no segmento do turismo de negócios e eventos (MICE), reforçando o posicionamento de Lisboa como um destino de referência para turismo, negócios e grandes eventos.
Por Inês Gromicho




















































