A Ambitur esteve à conversa com Teresa Costa, administradora da Fundação INATEL, sobre a missão e estratégia na gestão de hotéis.
A Fundação Inatel tem uma longa tradição na promoção do turismo social em Portugal. De que forma essa missão se reflete hoje na gestão dos vossos hotéis?
A gestão dos nossos hotéis, atualmente 14 em funcionamento, reflete a nossa cultura organizacional, na qual indubitavelmente, o turismo social é determinante. O turismo social, de forma muito resumida, procura universalizar o acesso a serviços turísticos a todas as pessoas, sem causar impactos negativos nas comunidades locais, nem no ambiente e desenvolvendo a sua ação de forma responsável e sustentável.
Tal reflete-se, por exemplo, no preço médio dos nossos hotéis, como se demonstra pelos recentes dados publicados pela AHP-Associação da Hotelaria de Portugal, referentes ao verão 2025 no Algarve, em que o preço médio por quarto atingiu os 206 euros, em termos médios do sector, enquanto que na INATEL se registou um valor de 97 € entre junho e setembro e 107 € para julho e agosto), o que na realidade, acentua a nossa missão social.
Os nossos hotéis têm localizações privilegiadas, dando resposta a diferentes motivações dos seus clientes, sejam elas mais ligadas à praia, à montanha, à natureza, ou à saúde e bem-estar, trabalhando em prol da valorização dos territórios e das respetivas comunidades e envidamos todos os nossos esforços para contribuir para a sustentabilidade económica, social e ambiental da respetiva região.
Por fim, de realçar que privilegiamos o recrutamento de trabalhadores da região, na contratação das nossas equipas, e, procuramos adquirir produtos locais para os promover e valorizar nos nossos serviços.
Em paralelo, e através das viagens INATEL (que também é um operador turístico), com programas genuínos e muito ligados e à nossa riqueza cultural etnográfica, tradições, festas e romarias, muitas delas ainda desconhecidas dos circuitos turísticos mais comerciais, que, maioritariamente, utilizam os nossos hotéis, reforçamos também os valores de um turismo sustentável e social/para todos.
Mas também através de programas intergeracionais – Programa Origens, a realizar nas férias escolares dos jovens, que visam fortalecer laços familiares, aproximar gerações e a viver momentos únicos em harmonia com a natureza, desconectando das redes sociais e viver experiências reais no mundo mais rural e autêntico.
Nos últimos anos, o setor hoteleiro tem enfrentado grandes transformações. Que investimentos ou estratégias têm sido implementados para modernizar as unidades Inatel?
Pelas nossas características – Fundação de Utilidade Pública- temos alguns constrangimentos em realizar todos os investimentos que ambicionamos, tendo de planear e fasear, priorizando as necessidades mais urgentes. De qualquer modo, tentamos modernizar os nossos equipamentos e os nossos serviços, procurando algum equilíbrio entre o esforço financeiro e as expectativas dos nossos clientes.
Neste âmbito, destaca-se o início ainda este ano, da segunda fase da requalificação do Hotel de Entre-os-Rios, com reabertura prevista para o próximo ano.
Estão igualmente previstas para o próximo triénio, entre outras, intervenções nas infraestruturas do Hotel de Oeiras, do Edifício Principal do INATEL Albufeira Hotel *** e do Hotel do Luso, cujas obras de requalificação, permitirão valorizar e modernizar estas Unidades Hoteleiras, nomeadamente ao nível da eficiência energética.
Em paralelo com os grandes investimentos, esforçamo-nos para melhorar a qualidade dos nossos produtos e serviços ajustando-os à evolução do mercado e aos desafios da sustentabilidade.
Neste contexto, somos reconhecidos pela GREEN KEY, tendo já 10 hotéis certificados a nível ambiental e social por este galardão internacional.
Estamos no nível Commited, do programa Empresas Turismo 360º, do Turismo de Portugal, IP e temos um acordo de colaboração com a ADENE (Agência para a energia), especificamente no sistema Aqua+ Hotéis, para promover o uso eficiente da água.
No âmbito das acessibilidades temos desenvolvido um trabalho com a Tur4All, adaptando e melhorando os nossos serviços, dos quais destacamos a piscina acessível em seis hotéis – INATEL Cerveira Hotel ****, NATEL Palace São Pedro do Sul Hotel ****, INATEL Piódão Hotel ****, INATEL Vila Ruiva Hotel ****, INATEL Porto Santo Hotel***e, INATEL Albufeira Hotel ***– e, muito brevemente, também no INATEL Manteigas Hotel ***.
Os hotéis Inatel têm uma identidade muito própria. O que distingue estas unidades das restantes ofertas turísticas no país?
Os nossos hotéis em termos de características físicas, de edifício, são todos diferentes, com especificidades da própria região. Em termos de serviços, temos um trabalho de base comum, no qual se valoriza um atendimento de proximidade ao cliente e familiar, que associamos à diversidade dos recursos turísticos da região, que procuramos divulgar e promover para potenciar estadas mais prolongadas na região.
A nossa gastronomia procura evidenciar e valorizar a gastronomia regional, com produtos locais. Temos clientes que valorizam o nosso trabalho e procuram conhecer todos os nossos hotéis, pois sabem que, para além das particularidades de cada região, também encontrarão uma oferta diferente nos nossos serviços, enriquecida pela cultura local, regional e pela autenticidade da mesma.
Temos apostado na realização de eventos gastronómicos, como por exemplo as tertúlias gastronómicas e vínicas, mas também, na oferta de atividades culturais e recreativas, possibilitado aos hóspedes um contacto direto com o património imaterial, como a música, o artesanato e as outras tradições locais, através da contratação de agentes/associações locais, que, na maioria dos casos, são associados coletivos da Fundação INATEL, os chamados CCD.
O domínio do envelhecimento ativo é, também, uma área de aposta da Fundação INATEL, que vai realizar, a partir de 2026 até 2028, o Programa Longevidade+, cofinanciado pelo FSE, que visa contribuir, diretamente, para o envelhecimento ativo e saudável através de medidas de sensibilização e informação, e atividades de capacitação que provoquem mudanças de atitudes e comportamentos. Os hotéis INATEL irão ser o placo para os participantes nos programas imersivos de desenvolvimento de atividades desportivas, culturais, turísticas e de capacitação, que terão a duração de 6 dias/5 noites e que se a realizarão ao longo de todo o período.
Depois do impacto da pandemia, como tem evoluído a taxa de ocupação e o perfil dos hóspedes que procuram os hotéis Inatel?
Na pandemia tivemos um impacto considerável, todavia inferior à tendência nacional, em virtude do nosso cliente ser essencialmente nacional e este, pela proximidade e familiaridade, continuou a utilizar os nossos serviços, privilegiado os hotéis localizados mais no interior, com menor afluência. No pós-pandemia estamos a acompanhar a tendência nacional, com um crescimento da taxa de ocupação.
Em termos de perfil de cliente, tal como já foi referido, o cliente nacional é o preponderante. Temos muitos clientes seniores, que estimamos, mas, também temos, cada vez mais, muitas famílias jovens, com crianças. Aliás, temos famílias, com três gerações, que passam férias connosco, é um privilégio e uma honra merecermos a preferência das famílias ao longo dos anos, correspondendo às expectativas das diferentes gerações que nos procuram.
Quais são as principais apostas da Fundação Inatel para o futuro do seu portefólio hoteleiro? Há planos de expansão ou novas parcerias em vista?
A nossa missão é diferente das cadeias hoteleiras convencionais, que muito respeitamos, mas, como é compreensível, a nossa aposta é consolidar o nosso produto, com qualidade, acompanhar as tendências e as expectativas dos nossos clientes, contribuindo para o desenvolvimento sustentável dos territórios que integramos e, criando mais valor para a Fundação INATEL.
Naturalmente, que procuramos, igualmente, parcerias para tentarmos otimizar as nossas ocupações, pois temos capacidade de crescimento e, nesse âmbito, quer a nível nacional, como internacional estamos a fazer um esforço de promoção para captarmos novos clientes. Com os 15 hotéis da nossa rede, alguns, com localizações mais estratégicas para o cliente internacional, procuramos desenvolver o cross selling para captarmos clientes para as regiões, que não sendo tão evidentes para o cliente internacional, acreditamos no seu potencial e por isso o nosso esforço para as promovermos.
Atualmente, para qualquer organização, a aposta no digital, através das diferentes ferramentas, redes sociais é fundamental. Temos perfeita consciência disso mesmo e nesse sentido estamos a trabalhar neste domínio, para melhorarmos a nossa visibilidade e notoriedade digital, de modo a incrementarmos as nossas vendas e abranger um público mais alargado.
Temos orgulho nos nossos 90 anos de história, estamos conscientes dos novos desafios e com o apoio de todos os nossos clientes e parceiros acreditamos que continuaremos a marcar as gerações futuras, enquanto organização nacional e internacional de referência do turismo social.
Por Inês Gromicho, publicado na edição 355 da Ambitur.



















































