A propósito do mais recente projeto do Grupo Água Hotels, desta vez em Vila Real, Trás-os-Montes, a Ambitur falou com Adriano Martins, administrador do Grupo, que nos explicou a missão desta cadeia hoteleira e os objetivos para os próximos anos. A operar desde 2007, o grupo 100% português tem focado a sua atividade na gestão e exploração de unidades hoteleiras e empreendimentos turísticos, e assume como “missão proporcionar experiências memoráveis, valorizando os territórios onde temos unidades, através de uma oferta hoteleira diferenciada, sustentável e centrada no bem-estar dos hóspedes”.
De que forma se diferencia o Grupo Água Hotels de outros players no setor da hotelaria?
A diferenciação do Grupo Água Hotels assenta na autenticidade das diversas unidades, muitas delas integradas em edifícios históricos reabilitados ou na valorização das paisagens e culturas locais. O nosso nome não é apenas uma marca… é a nossa identidade. A água está presente em tudo: na arquitetura fluida, na serenidade dos espaços, na forma como queremos que cada hóspede se sinta, no ambiente e experiências que proporcionamos. No fundo, na procura do equilíbrio. Trabalhamos o storytelling de forma genuína, fazendo da estadia uma experiência sensorial, ligada à natureza e ao território. E há também um compromisso forte com a sustentabilidade e o uso responsável dos recursos. Em suma, diferenciamo-nos pela coerência entre nome, conceito e experiência – somos hotéis que fluem, tal como a água.
Quais são os principais objetivos estratégicos do grupo para os próximos cinco anos?
Nos próximos cinco anos, o Grupo Água Hotels vai consolidar a presença em destinos que consideramos estratégicos, como o Algarve e Trás-os-Montes. Fazemo-lo expandindo a nossa oferta com unidades que combinam sustentabilidade, inovação e identidade local, como é por exemplo o caso do Água Hotels Terra Fria, em Bragança, um edifício contruído de raiz totalmente integrado na natureza envolvente, cuja abertura está prevista para a Páscoa de 2026; ou apostando na reabilitação urbana com impacto social e económico, como é o caso da transformação de parte do antigo seminário de Vila Real em Hotel. A profissionalização da operação e a valorização do capital humano são também pilares fundamentais da estratégia.
diferenciamo-nos pela coerência entre nome, conceito e experiência – somos hotéis que fluem, tal como a água
Existe algum plano específico de expansão para novas localizações ou mercados? Se sim, quais são?
Sim, estamos a apostar em novas localizações nos mercados onde já temos presença. Para além da recente abertura do Água Hotels Lagos Bay, uma pequena unidade de charme que resultou da reabilitação de um edifício centenário no centro histórico de Lagos, estão em curso projetos em Ferragudo (Algarve), com um hotel de 169 unidades de alojamento, e em Pinela (Bragança), com um resort de turismo de natureza. Ambos representam investimentos significativos e reforçam a presença do grupo em regiões com elevado potencial turístico e cultural.
Como o Água Hotels tem procurado adaptar-se às mudanças do mercado nos últimos anos?
Temos feito uma grande aposta na renovação das unidades, na digitalização de processos e na segmentação da oferta para responder às novas exigências dos consumidores. A recente criação de direções regionais de operações está a permitir uma gestão mais próxima e eficiente, alinhada com os desafios e oportunidades locais. Por outro lado, procuramos salientar cada vez mais as mais-valias relacionadas com as localizações de cada uma das unidades, realçando o que temos de mais autêntico e genuíno, desde os sabores às tradições locais.
Quais são os principais mercados-alvo do grupo Água Hotels?
O mercado nacional é muito importante, sobretudo para estadias de curta duração, mas o europeu (com destaque para Alemanha, Reino Unido, Espanha, França, Bélgica, Países Baixos) e o mercado norte-americano, com Estados Unidos e Canadá, assume uma importância cada vez maior, pelo que estão cada vez mais na nossa mira. A nacionalidade e o perfil do cliente dependem da zona geográfica das unidades e do tipo de oferta que procuram. O portefólio do Grupo Água Hotels responde a uma grande variedade de perfis de cliente, desde o lazer ao corporativo.
Temos feito uma grande aposta na renovação das unidades, na digitalização de processos e na segmentação da oferta para responder às novas exigências dos consumidores
Que segmentos de mercado têm mostrado maior crescimento para o Água Hotels?
Casais e turismo de natureza são os segmentos que têm registado o maior crescimento. A procura por experiências autênticas, sustentáveis e integradas na cultura local tem sido uma tendência crescente, à qual temos respondido com projetos diferenciadores. Daí a valorização das localizações de cada uma das unidades.
Quantos hotéis o grupo possui atualmente, em que localizações e qual o “fio condutor” entre eles?
Temos atualmente sete unidades em operação: Mondim de Basto, Riverside (Ferragudo), Alvor Jardim, Vila Branca (Lagos), Lagos Bay, Terra Fria (Bragança, em fase final de construção e abertura prevista para o primeiro trimestre de 2026) e Sal Vila Verde (Cabo Verde). O fio condutor está na identidade da marca – Água, e na sua relação com a valorização do território, a hospitalidade genuína e o compromisso com a sustentabilidade.
Como o grupo Água Hotels incorpora práticas sustentáveis nas suas operações?
Enquanto Grupo, implementamos medidas como a gestão eficiente de recursos (água e energia), a redução de plásticos descartáveis, a valorização de produtos locais, mas também ações mais estruturais, como a reabilitação de edifícios com valor patrimonial, devolvendo-os à comunidade. A sensibilização dos hóspedes para práticas ambientais é também uma prioridade.
Que inovações tecnológicas têm implementado para melhorar a experiência do hóspede?
Todas a nossas unidades têm vindo a integrar soluções tecnológicas como sistemas de climatização eficientes, wi-fi de alta velocidade, reservas online otimizadas e melhorias nos espaços comuns, menus digitais, iluminação inteligente, ou ainda a disponibilização de carregadores para veículos elétricos. A aposta na modernização das infraestruturas é contínua. Neste setor, temos de estar atentos e antecipar a inovação. Um exemplo de inovação que procura responder às novas exigências de sustentabilidade e experiências únicas no território é a bikeroom que instalámos no Água Hotels Riverside, uma unidade que tira partido da localização na margem do rio Arade.
Quais são os maiores desafios que o grupo Água Hotels enfrenta atualmente no setor? E como se estão a preparar para enfrentar esses desafios?
A escassez de mão-de-obra qualificada é uma das nossas maiores preocupações e um enorme desafio. A nossa ligação a Cabo Verde tem permitido apostar na formação de mão-de-obra local e dar a oportunidade a esses profissionais de trabalharem nas unidades aqui em Portugal nas nossas épocas altas. Apesar das dificuldades de recrutamento, temos conseguido manter equipas e reter talento em cada uma das regiões onde estamos. Outros grandes desafios são a pressão sobre os custos operacionais e a necessidade de adaptação constante às novas exigências do mercado. Temos investido na formação, na retenção de talento e na eficiência operacional para mitigar essas dificuldades.
Apesar das dificuldades de recrutamento, temos conseguido manter equipas e reter talento em cada uma das regiões onde estamos.
Que oportunidades veem no horizonte para o grupo e para o setor de hotelaria como um todo?
As oportunidades estão aí e passam sobretudo pela valorização do turismo de proximidade, pela crescente procura de experiências sustentáveis e pela digitalização do setor. Nós, Grupo Água Hotels, estamos bem posicionados para capitalizar estas tendências, com projetos que aliam autenticidade, conforto e responsabilidade ambiental.
Por Inês Gromicho



















































