A ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens acaba de divulgar os resultados de um inquérito realizado junto das suas agências associadas para avaliar os efeitos do mau tempo, sobretudo da tempestade Kristin, na atividade do setor.
O estudo, que considerou como válidas 31 respostas, evidencia impactos operacionais e comerciais relevantes, com maior incidência nas regiões Norte (40%) e Centro (36%), zonas particularmente afetadas pelas condições meteorológicas adversas nas últimas semanas.
Impacto direto na atividade
De acordo com os dados apurados:
- 40% das agências reportaram impacto direto na sua atividade;
- 32% foram obrigadas a interromper temporariamente o funcionamento.
Entre os principais constrangimentos registados destacam-se falhas de energia elétrica, interrupções nas comunicações, instalações inundadas, dificuldades de acesso às lojas e encerramentos durante vários dias consecutivos.
Estes números evidenciam que cerca de uma em cada três agências enfrentou limitações operacionais imediatas, com reflexos diretos no atendimento ao público e na capacidade de resposta comercial.
Perdas nas vendas do Carnaval e efeitos na Páscoa
O impacto estendeu-se também ao desempenho comercial do setor:
- 60% das agências indicaram que as vendas relativas ao período do Carnaval foram afetadas, com perdas consideradas irreversíveis em muitos casos;
- 56% referem que as reservas para a Páscoa já estão a sofrer efeitos negativos.
Os resultados demonstram que as consequências económicas não se limitaram ao momento da ocorrência da tempestade, projetando-se para períodos turísticos estratégicos do calendário nacional.
Consequências económicas reais
Embora o impacto não tenha sido uniforme em todo o território, os dados apontam para prejuízos diretos e indiretos relevantes para o setor das agências de viagens, tanto ao nível da interrupção de atividade como da perda de receitas.
Miguel Quintas, presidente da ANAV, sublinha que é vital a chegada de apoios imediatos à economia: “Os apoios anunciados pelo Governo têm de chegar já às famílias e empresas, e estão a tardar muitíssimo. O anúncio de enquadrar o PRR em parte destes apoios e esperar para fazer uma avaliação profunda torna o caso aterrador, tendo em conta as experiências passadas como, por exemplo, os incêndios de Pedrogão. Além disto, estes apoios devem ser concedidos a fundo perdido e não através de linhas de crédito. Não queremos mais endividamento para as famílias nem para as empresas. Ninguém quer ficar com dividas para a vida. Se o objetivo é ajudar, não me parece que a melhor solução passe pelo endividamento generalizado”.
Não obstante as dificuldades, Miguel Quintas mostra-se otimista e destaca a resiliência do setor: “Apesar dos constrangimentos operacionais e das perdas registadas, as agências de viagens demonstraram uma notável capacidade de adaptação e resistência. O setor respondeu com profissionalismo, manteve o apoio aos clientes, mesmo em condições adversas, e está já totalmente focado na recuperação das vendas e na preparação dos próximos períodos turísticos”.




















































